ELÍSIO AZEVEDO
 
Ano novo
 
OPINIÃO | Foi maior a preocupação de encerrar serviços do que de fixar populações
 
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Ano Novo, Novo Ano.
O mundo inteiro festejou o Novo Ano.
Com muitas luzes, muitos concertos, muito fogo de artifício e as tradicionais mensagens de presidentes e chefes de governo, que aproveitam a oportunidade para enaltecer os seus feitos e prometer a todos um mundo melhor.
Um mundo onde reine a paz, onde impere a justiça, onde a dignidade de cada um seja a dignidade de todos, porque todos somos diferentes mas somos todos iguais.
Dir-se-ia que naqueles breves instantes silenciou a metralha, terminou o longo martírio de milhares de seres humanos que fogem sem destino de todas as escravidões e de todas as desigualdades - que um novo mundo de concórdia, de justiça e de paz despertou.
Apagadas as luzes, tudo voltou, porém, à normalidade - esquecidas as promessas, os votos, as desigualdades, os deserdados e perseguidos de todas as ambições retomaram o seu martírio, carregando a cruz das mais cruéis injustiças...
Não faltou sequer a presença de um louco sempre de dedo no botão, e pronto a disparar os seus mísseis, nem outro a responder-lhe, sempre de dedo no twitter, pronto a levar tudo à sua frente...
Felizmente que ainda são mais as vozes da concórdia; felizmente que ainda são mais as vozes da justiça, felizmente que a esperança ainda não morreu.
Em Portugal, o ano que findou ficou marcado pela tragédia que cobriu Portugal de luto, pondo a nu as fragilidades da Protecção Civil e as profundas desigualdades regionais - as fragilidades que as condições climatéricas potenciaram mas as profundas assimetrias regionais agravaram significativamente.
O interior do país tem sido esquecido pelos sucessivos governos e as autarquias, apesar do trabalho notável que muitas delas desenvolveram nos últimos anos, não dispõem de meios nem poderes para contrariar uma política de esquecimento e abandono.
Nestes últimos anos o interior perdeu muitos dos seus habitantes - foram abandonadas florestas, terras e aldeias; tudo se investiu e concentrou no litoral e salvo muitas raras excepções não se criaram condições para atrair investimentos e fixar pessoas - foi maior a preocupação de encerrar serviços e reduzir custos do que de fixar populações e atrair investimentos.
Quando a tragédia entrou na Assembleia da República não foi para denunciar esta realidade, para apresentar um plano de coesão territorial, para mobilizar vontades, disponibilizar meios e definir objectivos, foi, acima de tudo, para trocar acusações.
Quando multidões enchem o Terreiro do Paço aos gritos, não é para denunciar todas estas desigualdades, não é para exigir um plano de combate às assimetrias regionais, não é para defender e apoiar aqueles que ainda resistem e teimosamente, dia após dia, continuam a manter vivas as aldeias, agarrados às suas terras, mantendo vivas as suas aldeias.
Os incêndios que cobriram concelhos inteiros de cinzas e de luto e uniram o país inteiro numa comovente onda de solidariedade, devia ter despertado em todos os responsáveis políticos a consciência de uma responsabilidade colectiva que é imperioso assumir, combatendo as causas profundas que conduziram ao abandono do interior.
O Novo Ano que agora se inicia não pode esquecer o ano que passou - tem de manter viva a memória da tragédia, para evitar que novas tragédias se repitam, as desigualdades se acentuem e o interior do país se transforme num deserto.
Não é um voto de Novo Ano Feliz, é um imperativo nacional.
 
Arouca

Sábado, 18 de Agosto de 2018

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"Na cor política já se sabe que Margarida Belém só olha para três freguesias e sabemos todos quais são..."

Fernando Ribeiro, presidente da JF Chave, em entrevista ao RV

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