TEIXEIRA COELHO
 
“Mas... projecto? O que é isso?”
 
OPINIÃO | Como os prazos urgiam, o povo foi convocado para uma reunião na Junta de Freguesia
 
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Deparamo-nos, não raro, com episódios que reclamam ser partilhados dado o seu carácter exemplar.
Os dias sucediam-se de acordo com a ‘ordem de trabalhos' habitual: o cultivo dos campos e o cuidado dos animais.
Eis senão quando soa o alarme nos gabinetes das "autoridades de gestão dos programas operacionais", alertando-as para a necessidade de "acelerar o volume de despesas certificadas pela Comissão Europeia, a fim de evitar a necessidade de devolver fundos".
Foi, por isso, anunciado à população que as autoridades da Região Agrária poriam "significativas ajudas"
à disposição de quem apresentasse "projectos de melhoramento das infraestruturas locais". Seria apenas
necessário apresentar a candidatura.
"As obras efectuadas no âmbito dos projectos que fossem apresentados e aprovados ficariam sujeitas aos termos da candidatura durante cinco anos". Isto é, após este prazo, poderiam ser destinadas pelos proprietários a outros fins ou usos.
A boa nova foi recebida pelos destinatários nestes exactos termos e foi correndo de boca em boca sem
que, no entanto, provocasse alguma vaga de fundo, algum entusiasmo, no dia-a-dia das gentes do lugar.
Quando a esmola é grande, o pobre desconfia, terão pensado.
Como os prazos urgiam, o povo foi convocado para uma reunião na Junta de Freguesia a fim de a todos serem dados esclarecimentos complementares e mais motivadores.
-"Mas... projecto? O que é isso, afinal?"
-Fácil: peguem numa folha de papel e escrevam o que pretendem: alargar um curral, construir um palheiro, melhorar um acesso, colocar um portão... e assinem".
Todos perceberam. Cada um elaborou numa folha os seus ‘projectos', assinou e entregou. E todos os ‘projectos' foram aprovados, contemplados com subsídios avultados e as obras foram sendo realizadas.
Algum tempo depois, o Vereador do Ambiente deslocou-se ao lugar para verificar como "as obras subsidiadas e/ou em curso iriam, de acordo com o programa, melhorar as condições de sanidade para pessoas e animais".
Os moradores, até então a viver paredes meias com vacas e ovelhas, agora - imaginava ele - construídas instalações para animais em local adequado e afastado da área de residência, respirariam finalmente outros ares.
Só que... logo na rua principal de acesso ao lugar, o senhor Vereador ia escorregando nos excrementos que atapetavam o caminho, percorrido diariamente por pessoas e animais.
-"Mas... o que se pretendia não era que a população, utilizando as ajudas postas à sua disposição, criasse uma zona de currais para recolha do gado, afastada das casas dos residentes, a fim de permitir outra higiene a humanos e animais?"
A resposta dos moradores foi a surpresa e o silêncio.
Afinal, o projecto concebido nos gabinetes, de inegável alcance, não foi, na altura certa, convenientemente proposto e explicado à população. Não foi apresentado, debatido, programado, e muito menos acompanhado na sua execução, por quem tinha a obrigação de o fazer. O projecto não passou de um nado morto.
Na sua concepção e execução faltou a participação dos interessados. O resultado não poderia ser outro: uma oportunidade perdida.
 
Arouca

Quinta, 18 de Outubro de 2018

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