ELÍSIO AZEVEDO
 
Desta vez é que vai ser...
 
OPINIÃO | Desconcentrar pode ser que seja um primeiro passo
 
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
O Governo celebrou há dias o seu segundo ano de existência perante uma plateia contratada a 200 euros por cabeça para aplaudir as intervenções e fazer perguntas previamente elaboradas e distribuídas e às quais os membros do Executivo iam respondendo de acordo com o guião, colhendo os respectivos aplausos.
A celebração foi um êxito - os meios de comunicação social divulgaram o acontecimento com grande destaque, a assistência, terminada a cerimónia, regressou a casa e os membros do governo a Lisboa, todos satisfeitos com a recompensa e a forma exemplar como tudo decorreu, sem falhas nem imprevistos.
Pela mesma altura, mais dia menos dia, o ministro da Saúde anunciou a transferência do Infarmed para o Porto, numa demonstração clara e evidente do espírito descentralizador do governo, a qual, por inesperada e intempestiva, provocou as mais diversas reacções - a direcção do Instituto não sabia de nada, os seus funcionários reagiram negativamente, estabeleceu-se a confusão.
Perante o ambiente gerado, o ministro veio esclarecer a intenção, garantindo que continuaria em Lisboa um "pólo" do organismo, onde tudo se manteria na mesma e, passados os dias, ninguém sabia ao certo o que seria decidido, se haveria transferência ou não haveria transferência...
Mais tarde, porém, o primeiro-ministro afirmaria definitivamente, perante a Assembleia da República, que a transferência estava decidida e ia ser feita.
A verdade é que toda a gente sabe e muita gente conhece as profundas assimetrias e desigualdades que existem entre o litoral e o interior e que Lisboa tudo concentra e decide.
Toda a gente sabe que o interior do país está cada vez mais abandonado e deserto, mas também sabe que não é só e apenas porque a sede das Estradas de Portugal não é em Arouca que não se concluem as obras da Variante entre a sede do concelho e Santa Maria da Feira iniciadas e interrompidas há mais de uma década e ao fim de construídos nove quilómetros; que não é só e apenas porque a sede do Ministério da Educação ou da Justiça estão em Lisboa, que não se reabre a escola de Tropeço ou o Tribunal da Comarca; que não apenas e só porque a sede do Ministério da Agricultura é em Lisboa que os campos estão abandonados.
Aliás, as desigualdades e assimetrias são tão flagrantes e evidentes que se reflectem no poder de compra das populações - enquanto o indicador do poder de compra da população de Lisboa atingia 214,54, em Arouca apenas de 69,49 e era ainda mais profunda a desigualdade entre alguns concelhos do interior e a capital e isso acontece porque não se investe no interior e isso acontece porque não se dota o interior de infraestruturas nem de meios que permitam atrair investimentos, fixar pessoas e combater as desigualdades e a desertificação.
Se todos sabemos isso e os governantes também o sabem, não será a desconcentração só por si, e por mais bem intencionada que ela seja, que irá acabar com a desigualdades nem fixar as populações.
É preciso mais, é preciso vontade política e um plano de desenvolvimento concertado, que não exclua ninguém e combata as assimetrias que todos os anos se acentuam - não foi por acaso que o indicador do poder de compra da população de Arouca baixou de 70,13 para 69,49 entre 2013 e 2015, nem é por acaso que regista o pior índice entre todos os concelhos da Área Metropolitana do Porto a que pertence.
Desconcentrar pode ser que seja um primeiro passo mas poucos serão os que acreditam que, apenas desconcentrando, se resolve o problema ou se atenuem significativamente tantas e tão profundas desigualdades e poucos, muito poucos mesmo, que o anúncio da desconcentração o concretize.
Não vai ser ainda desta que vai ser...
 
Arouca

Quinta, 18 de Outubro de 2018

Actual
Temp: 16º
Vento: N a 2 km/h
Precip: 0 mm
Céu Limpo
Sex
T 20º
V 5 km/h
Sáb
T 20º
V 6 km/h
PUB.
PUB.
 
INQUÉRITO
Qual dos vereadores da oposição mais se destacou no primeiro ano de mandato?
 
 
A Frase...

"O orçamento para esta época ronda os 50 mil euros"

Júlio Moreira, presidente da UD Mansores, em entrevista ao RV

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 53 visitantes online