PEDRO VIEIRA
 
Pós-Autárquicas: Que caminho a seguir?
 
OPINIÃO | O insucesso eleitoral não tem necessariamente de conduzir a um juízo negativo
 
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Quando fui convidado para escrever um artigo de opinião neste jornal, surgiram no meu pensamento, de imediato, duas ideias: a primeira de que esta coluna de opinião teria de refletir, necessariamente, um pensamento livre e descomprometido sobre o objeto do artigo. A segunda ideia, a de que as temáticas a abordar neste espaço de opinião teriam de se debruçar sobre questões relacionadas com o Concelho de Arouca e os seus habitantes (salvo, naturalmente, temas de âmbito nacional que a todos interessem), indo também ao encontro do que me foi pedido pela redação do jornal.
Agradeço este convite que me foi dirigido pelo Diretor do Jornal Roda-Viva, José Carlos Silva, o qual aceitei com muito gosto e espero contribuir, com a minha opinião e ideias, para a discussão de temas da atualidade.
Sendo esta a minha primeira intervenção no jornal, nesta qualidade e, considerando que os resultados eleitorais autárquicos, ainda estão muito presentes no nosso pensamento, não poderia deixar de dedicar as minhas primeiras palavras neste espaço de opinião a este assunto, fugindo à tentação de escrever sobre outros temas que marcam a atualidade jornalística. A seu tempo, sobre eles, se o momento assim o exigir e permitir, lhes dedicarei algumas palavras, se para tal vir neles atualidade e interesse para o leitor.
A reflexão sobre o resultado eleitoral do dia 1 de outubro não deixará de fazer parte da agenda dos partidos políticos, como tem acontecido por todo o país e, em Arouca, também não será exceção. Na lógica partidária, nuns casos, impõe-se a prestação de contas aos militantes, noutros obter o seu reconhecimento. No primeiro caso, estando em causa resultados eleitorais menos positivos, importará definir estratégias que, no futuro, possam levar a caminhos de sucesso.
Tal não significa que o insucesso eleitoral tenha necessariamente de conduzir a um juízo negativo, em virtude dos resultados eleitorais menos conseguidos. No domínio da política, por vezes, a leitura que é feita em função dos resultados eleitorais traduz-se numa análise depreciativa destinada àqueles que diretamente estiveram envolvidos no processo eleitoral, sejam eles candidatos ou dirigentes que tomaram a opção política que se veio a revelar infrutífera. Nem sempre a consequência deverá corresponder, obrigatoriamente, a uma sanção de natureza política, entendida no sentido de que deve resultar no afastamento da estrutura diretiva e na escolha de novos protagonistas.
Se é certo que, muitas vezes, a consequência imediata para os maus resultados eleitorais seja aquela, quebrando-se a continuidade do projeto político, que em muitas ocasiões é perspetivado numa lógica de longo prazo, também não é menos certo de que em muitas ocasiões, tal decisão não será a mais aconselhável. Basta percorrer a história para se encontrarem muitos exemplos de sucesso eleitoral que em tempos fracassaram, exatamente com os mesmos protagonistas que mais tarde saíram vitoriosos.
Compete aos militantes dos partidos avaliar, em cada caso e perante o seu particular circunstancialismo, se a decisão pela continuidade dos seus atores em funções é ou não suscetível de causar maior dano à própria estratégia partidária, do que uma eventual decisão de cariz contrário.
Cabe àqueles que estão investidos no poder estatutariamente consagrado decidir, os quais, nesse domínio, são livres de escolher o comportamento que melhor sirva os interesses dos partidos, atento o particularismo de cada caso: trata-se, por outras palavras, de uma decisão política, que cabe tomar, precedida de uma avaliação feita dentro da estrutura partidária que legitimamente tomará as decisões que melhor se adeqúem aos interesses próprios e aos interesses comuns das comunidades que servem.
As eleições autárquicas em Arouca ditaram a vitória do Partido Socialista, que alcançou 55,20% dos votos. Margarida Belém obteve 8220 votos e elegeu 4 vereadores em regime de permanência a tempo inteiro, aos quais foi atribuído um pelouro no executivo.
A Coligação Somos Arouca, por sua vez, obteve 36,43% dos votos, correspondente a 5425 votos, tendo elegido 3 vereadores (sem pelouro), dois deles indicados pelos PSD e um deles indicado pelo CDS-PP.
A união dos dois partidos permitiu eleger um terceiro vereador, reduzindo de 5 para 4 os vereadores do PS, relativamente ao anterior executivo, e aumentando de 2 para 3 o número de vereadores eleitos pela oposição.
Isto não significa, objetivamente, que o resultado esperado fosse esse ou que o mesmo corresponda ao investimento feito (entendido não em termos monetários, mas no sentido do esforço e dedicação despendidos pelas estruturas partidárias) pela coligação nestas eleições autárquicas.
Como é sabido, fiz parte do projeto político da Coligação "Somos Arouca", enquanto representante do CDS-PP, convicto de que a equipa que apresentamos - de competências variadas mas reconhecidas no mundo académico, empresarial e noutras áreas - iria desempenhar as suas funções de forma séria, comprometida com o interesse público, com o foco na valorização das pessoas e no bem comum. Dedicamos a este projeto político todo o esforço, trabalho e humildade, no sentido de obter o reconhecimento dos Arouquenses.
Não foi possível alcançar o resultado desejado, que permitisse formar uma equipa para conduzir os destinos de Arouca, nos próximos 4 anos. Resta-nos honrar os mandatos que os eleitores nos confiaram, e exercer dignamente, dentro dos poderes conferidos pela lei aos partidos da oposição, a função que nos foi confiada, colocando o exercício dessa função ao serviço de todos, por Arouca e pelos Arouquenses.
Mas não poderia deixar de assinalar o facto de o CDS-PP passar a estar representado no executivo camarário, por uma vereadora, o que já não acontecia há cerca de 24 anos, quando o Senhor Eng.º Albano Martins cessou o seu mandato como vereador, na Câmara Municipal de Arouca.
Sandra Melo, passou a representar o CDS-PP no executivo camarário. Uma académica de reconhecido mérito, quer nacional quer internacionalmente, com elevado sentido de responsabilidade e de serviço público. O seu contributo será, com certeza, uma mais-valia para o debate de ideias e de projetos, ao serviço de Arouca e dos Arouquenses.
O resultado eleitoral do dia 1 de outubro reflete, assim, como não poderia deixar de ser, a vontade dos Arouquenses. Importa, agora, colocar à disposição de todos o exercício dos mandatos que nos foram confiados, colocando o interesse de todos, acima de qualquer outro interesse, pois, como dizia John Milton, "o povo não existe por causa do rei, mas o rei existe por causa do povo".
 
Arouca

Segunda, 18 de Dezembro de 2017

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