CÁTIA CARDOSO
 
A cinematografia deste lugar
 
OPINIÃO | A naturalidade da serra provoca, de imediato, a vontade de realizar ali um filme
 
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Em 1895, dois irmãos franceses marcam para sempre os seus nomes na história. Auguste e Louis Lumière apresentam publicamente o cinematógrafo. Esta máquina que funcionava à manivela marcou o início do cinema. A 28 de dezembro do referido ano foram exibidos, num salão de Paris, filmes como "A Chegada do Comboio" e "A saída dos operários da Fábrica Lumière". Com menos de um minuto, mostravam cenas simples do dia-a-dia - literalmente a chegada de um comboio à estação (e, ao que parece, as pessoas ali presentes a ver o filme assustaram-se por pensarem que o comboio as atingiria) e literalmente a saída dos operários da fábrica. 28 de dezembro de 1895 fica marcada como a data do início do cinema. Devia, pois, por isso, ser esta a data de comemoração da sétima arte. Não é.
O Dia Mundial do Cinema é assinalado em novembro, ao quinto dia - como se não fossem todos os dias do cinema. O cinema não é mais que, tal como a literatura e o teatro, um pretexto para nos deslocarmos da vida. Falando especificamente da visualização do filme, podemos dizer que é um momento de abstração do mundo ou de reflexão sobre o mesmo, dependendo daquilo que o ecrã nos oferece.
Enquanto o filme se desenrola é aquela história que vivemos, é aquela história que nos ocupa a mente e as emoções.
Quando se fala de cinema, fala-se ainda de viagens através da tela. Fala-se de sítios, de paisagens, de construções, de culturas. Há, de facto, lugares mais cinematográficos que outros. E quanto mais se olha Arouca mais se vê cinematografia neste território. Para não falar já dos Passadiços - um dia, ainda hei-de escrever uma coluna sem os mencionar - do seu envolvimento natural e da estética da estrutura, falemos da Serra da Freita.
A naturalidade da serra provoca, de imediato - a quem se apaixonou pela sétima arte - a vontade de realizar ali um filme. Há ali espaço para todos os géneros. Uma aventura a transbordar de ação, um drama, um thriller e, claramente, também um romance. Um documentário é tão óbvio que talvez se escuse mencionar.
Claro está que melhor que filmar na Serra da Freita será sempre descer e filmar também na vila, captando - ainda que nada importe para a história que se está a realizar - parte da história arouquense.
Já aqui foram concretizados alguns trabalhos audiovisuais, contudo, Arouca também merece - e cada vez mais - chegar às salas de cinema. É utópica esta ideia? É bem possível que sim. Realizar um filme - de qualidade - exige muito tempo e muitos recursos financeiros e humanos. No momento, a única solução seria que um realizador apostasse, em grande, neste sítio. Há, sim, quem já tenha manifestado vontade de. Infelizmente, no cinema não basta ter vontade.
Arouca é demasiado cinematográfica para que nunca seja abraçada pela magia do cinema. E se essa magia existe mesmo, devia chegar a Arouca. Mesmo que o cinema português continue a ser olhado de lado, pelos próprios portugueses - que ironia. Mesmo que os recursos pareçam sempre insuficientes e as burocracias coloquem mais barreiras.
Este é, sem dúvida, um desejo de extrema ambição. Talvez seja sonhar demasiado alto. Mas a verdade é que é isso que o cinema faz. Faz-nos sonhar e acreditar que tudo é possível. E, às vezes, resulta.
 
Arouca

Segunda, 18 de Dezembro de 2017

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