ANDRÉ PORTUGAL (*)
 
Provavelmente, o pior rali do mundo
 
A entrada para o parque de assistência às viaturas
OPINIÃO | Piloto arouquense critica a edição deste ano da competição automobilística 'Vale do Paiva Arouca'
 
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Decidi emitir publicamente opinião sobre o Rali Vale do Paiva - Arouca por três motivos: primeiro, está associado ao nome da minha terra, Arouca; segundo, o tema envolve a minha maior paixão, os Ralis; terceiro, porque entendo ter conhecimento de causa para emitir opinião que possa vir a servir para melhorar este evento.
Comecemos pelo início, considerei este o "pior rali do mundo" pela experiência de já ter visto mais de cem ralis, dentro e fora de Portugal, como espectador e como piloto.
Promoção da prova: passou por distribuir três lonas brancas unicamente com o nome e a data do rali, sendo que no dia da prova já se tinham soltado; não existiram outdoors nem indicações dos troços. Muito provavelmente uma hora antes da prova ninguém no centro da vila de Arouca, ponto de maior concentração populacional e de turistas, sabia da existência do evento em Alvarenga.
Condições da prova: numa modalidade onde os investimentos das equipas ultrapassam as dezenas de milhares de euros, os automóveis de competição e as suas assistências foram colocados num campo de terra batida, o que implica, por exemplo, que um macaco para elevar o automóvel se enterre na lama. Depois, o local de entrada e de saída desse parque não possuía mais de 2,5m de largura entre muros; não existia nenhum wc de apoio. nem nenhuma iluminação.
Nestas condições, nem se atraía público nem há condições de trabalho/dignidade para as equipas envolvidas.
Percursos especiais de classificação: deparei-me com o insólito, o primeiro e segundo PEC terminavam em 250m de uma estrada em obras, com piso em terra batida e buracos, as bermas com guias em granito, onde estavam estacionadas as máquinas escavadoras e camiões que durante a semana estão a realizar a obra. Para além da falta de segurança, do ponto de vista desportivo esta parte do troço nada contribui para a prova.
Os outros dois PEC, repetidos por duas vezes no domingo, são percursos sem acessos para o público e, do meu ponto de vista enquanto piloto, sem grande atractividade técnica e beleza. É pena, pois em Arouca existem dois antigos troços do mundial de ralis, com as melhores condições possíveis e que não são aproveitados.
De lei percebem os juristas, de medicina os profissionais de saúde e de eventos/promoção percebem os profissionais do marketing! Seria bom para a modalidade que quem manda percebesse isso e desenvolvesse um caderno de encargos moderno e competente para distribuir pelas organizações.
Enquanto se exigir aos pilotos, que pagam para correr, que tenham os últimos equipamentos, que montem as suas estruturas e que desenvolvam a sua imagem para atrair público, do lado das organizações não se pode permitir a falta de condições, de promoção e de qualidade.
O dinheiro investido neste tipo de ralis merece ser melhor aplicado. Humildemente gostava que tivessem em conta esta crítica como sendo uma reflexão para que no próximo ano Arouca possa ter o melhor Rali do campeonato onde este se insira. 2017-11-06
(*) piloto
 
Arouca

Terça, 21 de Novembro de 2017

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"Um apicultor tem que ter grande paixão pelas abelhas, mesmo depois de algumas picadas!"

António Azevedo, produtor de mel em Arouca, em entrevista ao RV

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