MAFALDA FERNANDES
 
O tempo das beladonas
 
OPINIÃO | Os seus caules elevam-se sempre erectos, serenos
 
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Chama-se vulgarmente e, talvez incorretamente, beladona a uma curiosa flor que brota em setembro do solo, depois de ter perdido, no fim da Primavera, a sua exuberante folhagem.
Os rebentos elevam-se com rapidez e é quase possível captar em filme o surgimento do botão e da bela corola, de tons rosa pálido e que se apresento como inflorescência.
Tem-se a sensação de que esta beladona nasceu connosco e que nos acompanhou em todo o percurso de vida que, obviamente, se vai fazendo paralelamente à história.
Sejam quais forem as grandes ou pequenas convulsões que tenham ocorrido, em setembro, os rebentos surgem do nada e as corolas graciosas enfeitam muitos espaços conferindo ao ambiente uma doce tonalidade. E que nos lembre, não há memória de beladonas espezinhadas, destruídas, vandalizadas. Os seus caules elevam-se sempre erectos, serenos, anunciadores das doçuras do Outono, perfeitamente à margem das voltas e reviravoltas infernais que vão acontecendo no planeta. Em chegando setembro, haja o que houver, e, seguramente, há sempre muita coisa, elas irrompem, exuberantes, na sua serenidade manifesta, como algo inexplicável e misterioso, sem dúvida já do foro metafísico. Como uma entidade transfigurada que se propõe conceder serenidade a quem a contempla.
Formulamos um conceito de natureza, natural, concreto, terreno, mas quem se propõe contemplar o nascimento da beladona, desta suposta beladona, nas suas rápidas e visíveis transformações, conclui que o que se nos afigura natural não o é tão só, mas contém características de qualidade muito superior. E esta constatação é como um diálogo íntimo com alguém que permanece e vive a nosso lado acompanhando o nosso percurso e o percurso do mundo. Que nos faz acreditar na criação como um ato divino, transcendente, regenerador, racional e compreensível. E que nos leva imediatamente a repudiar a destruição que é resultado do absurdo. Do absurdo como sistema de vida e de percurso consentido para o nada.
 
Arouca

Terça, 21 de Novembro de 2017

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"Um apicultor tem que ter grande paixão pelas abelhas, mesmo depois de algumas picadas!"

António Azevedo, produtor de mel em Arouca, em entrevista ao RV

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