ELÍSIO AZEVEDO
 
Chegou o Outono
 
OPINIÃO | Uns vivendo na opulência, outros morrendo de fome, mas todos iguais
 
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Chegou o Outono - os dias são mais curtos, são mais longas e frias as noites e a paisagem começa a mudar as suas cores - o arvoredo a despir-se da folhagem que atapeta o chão que pisamos e nem a floresta mantém o brilho luminoso do seu verde profundo.
As andorinhas, de asas desembainhadas às distâncias já partiram, calaram-se os melros e só uma ou outra rola continua a quebrar o silêncio das madrugadas brumosas frias.
Dentro em pouco, campos e telhados irão amanhecer pintados pelo branco das geadas e os cimos da serra porventura cobrir-se pela brancura de algum nevão, para encanto de turistas e curiosos.
Com as noites ainda mais longas e frias que virão a seguir, o calor da lareira começa a atrair as famílias em seu redor, varando a escuridão das noites com as suas colunas de fumo, mesmo antes que o Inverno
chegue e uma nova Primavera desabroche em perfumes e cores, alvoradas de novas esperanças.
Enquanto isso, quantos e quantos por esse mundo fora, não têm um tecto que os abrigue, uma lareira que os aqueça, uma esperança que os ilumine, um pouco de pão que os alimente - os velhos escorraçados do seu canto para um lar distante e sombrio que os acolha, despejados na rua, o ódio enchendo veredas e caminhos de perseguidos, fugindo da guerra, da intolerância e da fome.
E enquanto isso, alguns dos loucos que governam o mundo, no aconchego dos seus palácios ou mansões de conforto, brincam às guerras e jogam às armas, indiferentes e divertidos.
Este mundo cão em que vivemos os nossos dias, sem que no horizonte do futuro se vislumbre a esperança de uma vida de paz e concórdia entre as nações e de respeito pela diferença, ameaça-nos a todos, porque todos sendo diferentes, todos somos iguais - uns vivendo na opulência, outros morrendo de fome, mas todos iguais.
Todos os dias, a todas as horas de cada dia, somos confrontados com imagens e notícias de um mundo injusto e desigual que nos angustiam, de crianças que morrem de fome, de crianças vendidas e traficadas e de escravidões que angustiam, apesar de outras, e algumas outras, nos devolverem uns restos de esperança, sem a qual a vida perde sentido e a humanidade significado.
Escreveu um dia Cesário Verde que "o mundo é velha cena ensanguentada/coberta de remendos"...
Um cena que também regista alguns instantes de fulgurante luminosidade, mas que deixou na sombra dos remendos muitos dos que ainda continuam sem ver os caminhos da redenção e a percorrer a via dolorosa do martírio.
Recolhido no nosso conforto ou insensíveis às angústias de muitos dos que nos rodeiam neste mundo desigual e injusto, esquecemo-nos muitas vezes do que mesmo ao nosso lado acontece e do que mesmo ao nosso lado se verifica.
Aqui mesmo ao nosso lado e neste Outono que agora veste o seu manto de cores e as noites mais longas e frias convidam ao aconchego do lar, continuamos a passar indiferentes aos sem abrigo, sem lar nem agasalho, sem uma telha que os abrigue nem uma lareira que os aqueça, ao abandono da família que os rejeita, ou ao lado da sociedade que os ignora.
São dias sombrios estes nossos dias, mas ainda não morreu a esperança.
 
Arouca

Terça, 21 de Novembro de 2017

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"Um apicultor tem que ter grande paixão pelas abelhas, mesmo depois de algumas picadas!"

António Azevedo, produtor de mel em Arouca, em entrevista ao RV

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