ELÍSIO AZEVEDO
 
Tempo de colheitas
 
OPINIÃO | Todos somos responsáveis pelo futuro das nossas freguesias e do concelho
 
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É chegado o tempo das colheitas - não apenas da festa que as consagra e celebra, mas também da época dos incêndios que cobriu a paisagem de cinzas e de luto.
Nem os campos ao abandono, nem as noites frias e silenciosas nos fazem esquecer as desfolhadas desse outro tempo, nem as cantigas que enchiam as noites das aldeias em festa convidando os "serandeiros", e celebrando a vida e a alegria de viver, que hoje quase e apenas se evocam em recriações a que a falta a autenticidade dos tempos que já não voltam.
As dificuldades eram muitas e eram duras, mas rezava-se o terço em família depois da ceia, agradecendo ao Senhor as graças recebidas, na esperança de que o céu acolhesse as súplicas e os sacrifícios com a recompensa do "pão nosso de cada dia"...
Eram tempos sofridos mas ninguém chegava fogo aos montes do vizinho e quando os sinos tocavam a rebate toda a gente acudia a alguma desgraça, esquecendo diferenças, agravos ou ressentimentos.
Hoje, sem fé nem esperanças nas noites do Verão que ainda restam e do Outono que vai chegar, em muitas aldeias esquecidas limpam-se as lágrimas e ainda se ouvem gritos de desespero e agonia - angústias e revolta de famílias destroçadas pelo luto de sonhos desfeitos e de vidas e riquezas para sempre perdidas.
Enquanto isso os políticos prometem, os políticos procuram capitalizar o sofrimento alheio, transformando a dor e a revolta em mais votos nas eleições de Outubro, porque as culpas são dos outros, as culpas são do SIRESP, as culpas são do desordenamento florestal, as culpas são do tempo, as culpas são da descoordenação e da falta de meios, as culpas são das celuloses, as culpas são dos madeireiros, as culpas são dos incendiários à solta, as culpas são dos governos que já foram Governo, as culpas são de ninguém...
As culpas não são do abandono nem da desertificação, não são dos sucessivos governos nem das assimetrias regionais, não são dos autarcas que gastam mais em festivais e recriações históricas do que na prevenção dos fogos ou na sustentabilidade e ordenamento do território e quando assim é, a culpa não é de ninguém, ninguém é culpado pelas mortes, ninguém é culpado pela destruição, ninguém é culpado pelos prejuízos, ninguém é culpado pelas culpas de tudo quanto aconteceu e ano após ano se repete.
Portugal, sendo um dos mais pequenos países da União Europeia, é o maior de todos em número de fogos e área ardida, o que nos envergonha a todos e não há culpados porque somos todos culpados e quando a culpa é de todos ninguém é culpado e o que importa agora e acima de tudo, são os resultados das eleições.
As caixas do correio estão cheias de propaganda, as ruas e avenidas estão cheias de cartazes e os candidatos multiplicam-se em contactos com os eleitores, prontos a resolver todos os problemas e decididos a combater todas as injustiças.
Os eleitores, muitos deles cansados já de tantas promessas por cumprir, passam quase indiferentes e essa indiferença que se acentua e propaga, também é responsável por muito do que acontece.
Somos nós que elegemos os autarcas que temos, somos nós que temos, em nossas mãos, o poder de decidir, para além de simpatias partidárias ou convicções políticas. Nas eleições autárquicas elegemos pessoas que connosco convivem diariamente, que vivem os mesmos problemas, cuja capacidade de trabalho conhecemos dum convívio e de uma proximidade que em nenhumas outras se verifica ou acontece.
Isso responsabiliza-nos ainda mais - todos somos responsáveis pelo futuro das nossas freguesias e do concelho onde nascemos ou residimos e onde exercemos o direito de votar e decidir.
Para além dos programas e das promessas, escolhemos pessoas, o nosso familiar, o nosso vizinho, o cidadão que connosco convive e enfrenta as mesmas dificuldades e os mesmos problemas de todos os dias, independentemente de tudo e de todos.
 
Arouca

Quarta, 18 de Outubro de 2017

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A Frase...

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Alda Portugal (PSD), na AM de Setembro

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