ELÍSIO AZEVEDO
 
Grandes projectos
 
OPINIÃO | Um dia alguém há-de cumprir o prometido
 
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Arouca foi sempre uma terra de grandes projectos adiados ou nunca concluídos - foram precisos quase 100 anos para se construir a ligação de Alvarenga à sede do concelho; o projecto de ligação a São Pedro do Sul ficou no arquivo e a obra nunca sequer se iniciou; a barragem de Alvarenga teve o mesmo destino.
Os primeiros estudos da barragem começaram em 1915, prosseguiram em 1925 e com o II Plano de Fomento (1959/1964) iniciaram-se os estudos "deste centro produtor, seleccionado por possuir as melhores condições".
O III Plano de Fomento (1968/1976) "estabeleceu que as obras deveriam iniciar-se em Maio 1969" (*) mas com a sua revisão em 1970 tudo de novo se esfumou e o rio Paiva continua a correr livre e indiferente, mantendo a sua pureza e atraindo desportistas e visitantes, agora seduzidos pela paisagem e os passadiços.
Foi mais um sonho que se esfumou, e este, sem deixar grandes saudades...
Mais recentemente foi a Variante que a caminho de 20 anos do seu início e nove quilómetros depois, ninguém sabe quando será concluída, qual será o seu traçado final nem qual será a ligação a uma autoestrada que abra novas perspectivas ao desenvolvimento do concelho.
De sonho em sonho e aqui chegados, apetece recordar Abel Botelho, porque se Arouca já não é terra de "becos tortos, estreitos e mal calçados" nem de "casebres velhos e esburacados, feitos de palha e barro", continua à espera que, por fim, se abram novos horizontes de desenvolvimento
e progresso e se rompa de vez o isolamento em que tem vivido e tantos sacrifícios e desenganos tem custado a um povo obrigado a buscar nos longes de todos os caminhos um futuro menos sofrido.
Arouca é terra antiga mas tem sido esquecida.
No ano 34 a.C., César Augusto fundava a "vila de Arouca", no ano de 572 fazia parte das paróquias que participavam no Concílio de Lugo, no ano de 716 caía nas mãos dos mouros, no século VIII recebia o primeiro convento beneditino (**).
Em vésperas de eleições autárquicas e quando governo, partidos e candidatos se desdobram em promessas, saltam de novo à luz da realidade todas as nossas legitimas aspirações e ganhe actualidade e relevo o muito que é necessário trabalhar e fazer para que esta nossa terra conquiste e se concretizem algumas das suas mais legítimas e profundas aspirações.
Já sabemos, todos sabemos, que governantes e dirigentes partidários vão aparecer por aí, ao lado dos candidatos de todos os quadrantes políticos, a distribuir promessas em que já muito poucos acreditam, mas é necessário persistir e nunca perder a esperança de um dia alguém há-de cumprir o prometido e Arouca vencer o isolamento em que continua a viver.
Alvarenga esperou cem anos - Arouca não pode esperar tanto tempo...
Arouca não pode continuar a ser uma terra de emigrantes.
"A emigração foi o fenómeno que, ultimamente, mais afectou o espaço económico, social e cultural da terra de Arouca. Quando por lá se passa, há sempre alguém que está para chegar, há sempre alguém que está para partir". (***)
Nos últimos tempos quase todos os governantes que por aí passaram deixaram promessas - todos os executivos municipais prometeram a conclusão da Variante à EN 326 - nenhum cumpriu a promessa, ninguém conseguiu o objectivo.
Arouca continua perto de tudo e longe de todos.
Desenvolveu-se muito neste últimos quarenta anos, já não é a vila de "becos tortos, estreitos e mal calçados" que Abel botelho encontrou, mas uma vila limpa e sede de um concelho com história e gente que merece a oportunidade de aqui viver com dignidade e não apenas, por destino, os caminhos
da emigração.

(*) - Aproveitamento Hidroelectrico de Alvarenga - Afonso Sousa Tavares
(**) - Actas das Jornadas de História e Arqueologia do Concelho de Arouca
(***) - Adelino Gouveia in Arouca - a Terra e as Gentes

 
Arouca

Segunda, 25 de Setembro de 2017

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A Frase...

"Espero que o Agrupamento de Escolas de Arouca continue a ser referência nacional pelo seu trabalho"

Adilia Cruz, directora do AEA, em entrevista ao RV, na abertura do ano escolar

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