ARMANDO ZOLA
 
Pessoas e instituições
 
OPINIÃO | Nunca o fazem com o que é seu, mas antes com o que a todos pertence | TEXTO COM MAIS DE 800 VISUALIZAÇÕES
 
Há pessoas que, por gosto, por vaidade, ou mesmo por irreprimível impulso, privilegiam o agradável e acessório em detrimento do útil e, tantas vezes, mesmo do necessário. São indumentárias de marca e à época, o mobiliário amiúde renovado, os azulejos e outras cerâmicas por curtos períodos substituídas, etc. E quantas vezes as bolsas magras que suportam essas chiques aparências de alguns deixam a descoberto e por satisfazer o que de mais elementar a si e aos seus faz falta! Buscando sobressair pela diferença e pela pompa, estragam o que têm, sem sequer pensarem se o que estragam lhes é preciso. Mas, se o fazem com o que é seu, do mal, o menos. Como diria a minha avó, e Variações cantava, "quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga". Contudo, se sustentam essas futilidades ou extravagâncias com o que lhes não pertence, então já o mal é grande e reprovável e pernicioso o acto que o pratica.
O que ocorre com as pessoas, ocorre também com muitas instituições, sobretudo públicas, melhor, com os respectivos representantes: ávidos de evidência, presente e futura, não raro ousam destruir o que herdaram, mesmo que necessário, para fazerem diferente, mais faustoso, de maior impacto, ainda que de mais reduzido
préstimo. Porém, nestas situações, ao contrário do que acontece com as pessoas individuais, nunca o fazem com o que é seu, mas antes com o que a todos pertence. Só isto, que mais não fosse, deveria levar a que todos os que, neste âmbito, têm de decidir, o fizessem com parcimónia e profunda reflexão sobre as implicações e consequências, nos seus múltiplos e diversos aspectos, das decisões a tomar. Não é, infelizmente, o que, o mais das vezes, acontece.

O ESVENTRAMENTO DO ESPAÇO FEIRA
Até há cerca de década e meia, as feiras quinzenais, na sede do Concelho, eram realizadas, com toda a confusão e incómodos que isso gerava, nas ruas da Vila. Por essa mesma altura, para além da sentida falta de lugares de estacionamento (chegou a ser equacionada por privados a construção de um parque de estacionamento subterrâneo no subsolo do actual Parque do Milénio) também o estacionamento nas ruas do centro da Vila era gratuito e sem qualquer limite de tempo, impedindo desse modo, situação a que se impunha pôr termo, a paragem, nessas ruas, por curtos períodos, para acesso aos serviços e estabelecimentos nelas existentes. Pelas ruas da Vila estacionavam também, a esmo, muitas vezes carregados, os veículos pesados de mercadorias. Urgia assim, e por quase todos era reclamado, espaço bastante fora das ruas da Vila para a realização das feiras quinzenais e para o livre estacionamento de ligeiros e pesados.
A Câmara de então adquiriu os terrenos necessários na zona sul/poente da Vila e com o apoio dos fundos estruturais comunitários (procuravam-se, na altura, os fundos para as obras, e não as obras para os fundos) construiu neles o recinto polivalente para as feiras quinzenais e estacionamento de veículos ligeiros e o recinto adjacente para estacionamento de pesados.
Agora, pouco mais de uma dúzia de anos volvida, projecta-se, de novo com o apoio dos fundos comunitários, construir sobre grande parte daqueles recintos, inutilizando-os, uma rua larga, impactante, que vai para poente e torna para nascente, depois de dobrar uma rotunda, também grande e de impacto, inutilizando também,
julgo, parte do recinto do Museu Municipal, igualmente edificado com fundos comunitários, e o terreno municipal, a aguardar edificação digna para o local, no extremo norte da Rua D. Afonso Henriques.
Em poucas palavras, porque este espaço não dá para mais, direi que o que se preconiza para a zona do recinto da feira e parque de estacionamento me parece, salvo o devido respeito, um rematado disparate.
Justificar-se-á sim uma pequena variante a poente/sul da Vila que, a meu ver, deveria iniciar-se na Rua João Paulo II, prosseguir pela Rua que ladeia a sul o terreno do cemitério municipal, eventualmente melhoradas e alargadas, e daí continuar, por nova via, marginando, pelo sul, o Parque de Estacionamento de Pesados.
Com isso, sem destruir o existente e necessário, se poderia, a bem de todos e do Município, juntar o útil ao agradável.



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Quinta, 22 de Junho de 2017

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