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FCA: Plano de insolvência revela mais dívida e mais credores
 
Processo 3568/20.1T8OAZ está no Tribunal do Comércio de Aveiro
SDUQ tem 'buraco' financeiro que ultrapassou os dois milhões de euros
 
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Está em votação pelos credores o derradeiro plano de insolvência da sociedade desportiva do FC Arouca (SDUQ), última oportunidade para se salvar da extinção e liquidação. Apenas com a concordância de uma maioria qualificada dos 76 lesados [o número foi actualizado na mais recente listagem elaborada pelo administrador judicial e validada pelo tribunal] a entidade detida a 100% pelo clube arouquense e com gestão dirigida por Carlos Pinho poderá manter-se em actividade e escapar ao encerramento.
Em condições normais, a auscultação dos credores de uma entidade insolvente seria realizada em assembleia geral num espaço organizado para o efeito, contudo, a juíza do proc. 3568/20.1T8OAZ, invocando a pandemia em curso no país, decidiu antes pelo envio do plano a cada um dos interessados,
com dez dias para se pronunciarem.

Vereadores decidiram 'no escuro'

Com um crédito de mais de 22 mil euros sobre a SDUQ por esta ter faltado ao pagamento do aluguer do recinto desportivo onde se jogam partidas de futebol profissional, o Município de Arouca também recebeu o plano de insolvência e teve de se pronunciar. O assunto foi levado à reunião do executivo de dia 5 de Janeiro, sendo o ponto 6. dessa agenda, mas sabe o RODA VIVA que apenas foi posto à frente dos vereadores um memorando da presidente de Câmara, com duas opções: votar pela extinção da sociedade devedora, ou permitir a sua continuidade. O plano de insolvência e demais documentação
financeira (mais de 100 páginas) que acompanhava o ofício do Tribunal do Comércio não foi apresentado aos autarcas. A decisão tomada face ao que estava 'em cima da mesa' foi unânime: todos votaram pela não-liquidação da sociedade desportiva.

Números avassaladores

O dossiê enviado às dezenas de empresas e particulares com as contas da SDUQ do FCA mostra o ‘buraco' que o clube criou nos últimos anos. À dívida total recentemente apurada de 2.055.903,99 euros [o montante foi actualizado na mais recente listagem elaborada pelo administrador judicial e validada pelo tribunal, e já inclui juros], a entidade gestora do futebol que tem inscrição na Liga Portugal apenas tem activos de 840.475 euros, repartidos pelos ‘passes' de três jogadores (Adílio Santos, André Bukia e Thales Oleques), uma viatura ligeira, e alguns equipamentos e máquinas de escritório. Ou seja, a chamada ‘massa falida' da insolvente que está apreendida à guarda do administrador judicial é insuficiente para liquidar as dívidas acumuladas.
No plano de insolvência justifica-se as contas 'a vermelho' com as épocas futebolísticas em que a equipa profissional do FCA desceu desde a I Liga ao Campeonato de Portugal. No documento pode ler-se que «enquanto participante na principal competição do futebol português (...), para fazer face ao progressivo nível de exigência e competitividade, a FCA SDUQ, Lda. efectuou importantes investimentos», e com as descidas de divisão nos anos seguintes «as receitas passaram a ser insuficientes para suportar os custos». Depreende-se que na gestão da SDUQ não estavam acauteladas reservas financeiras para ‘tempos difíceis', apenas uma convicção de crescimento, ou no limite, a manutenção 'ad eternum' da equipa profissional nos maiores campeonatos do panorama nacional.
O próprio administrador judicial é taxativo nas suas conclusões e sublinha: «verifica-se a existência de uma manifesto desequilíbrio financeiro, impossibilitando a formação de recursos suficientes para honrar compromissos assumidos», com uma crescente «falta de fundo de maneio».
Na lista a quem a SDUQ deve dinheiro está a 'Construções Carlos Pinho, Lda', por ‘fornecimentos' [238.961,88 euros]; o jogador Cícero Semedo, por 'créditos laborais' [143.297,06 euros]; a 'Idoloásis, Lda.', por 'serviços' [268.409,59 euros]; o jogador Igor Stefanovic, por 'créditos laborais' [130.000 euros]; o Manchester City Football, Ltd., por 'cedência de atletas' [205.022,47 euros]; a Us11, Lda., por 'serviços' [73.800 euros]; e o próprio Futebol Clube de Arouca, por 'suprimentos' e 'subrogação' [322.870,39 euros], entre muitos outros.

O plano de insolvência

A intenção da componente do futebol profissional do FC Arouca para garantir a subsistência e buscar apoio aos credores baseia-se numa estratégia que passa pelo perdão de metade da dívida, e pagar o restante em prestações mensais durante dez anos, para os créditos comuns. Para o estado (fazenda
pública e segurança social) o pagamento integral em 12 e 60 prestações, respectivamente, e para os créditos a trabalhadores são propostos dois cenários: se o clube estiver na 2.ª Liga no início dos pagamentos (pagamento a 100 % em 96 prestações), se militar na 1.ª Liga (pagamento integral em 48
prestações).
É esta a proposta que aguarda decisão dos 76 credores da SDUQ (sociedade desportiva unipessoal por quotas). Depois de conferidos os seus votos, a juíza do processo traçará o destino da entidade insolvente. RV 2021-01-31

 
Arouca

Quarta, 24 de Fevereiro de 2021

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Armando Zola, antigo presidente da CMA

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