SOCIEDADE
 
Estudantes alertam: os ideais sociais de beleza pressionam as mulheres
 
Uma actividade realizada no âmbito do Projecto de Cidadania e Desenvolvimento do AE Arouca
 
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A violência contra as mulheres pode desencadear-se de modo mais subtil e até mascarada de padrões socialmente aceitáveis, mas não é menos dura e invasiva da privacidade e dos seus direitos básicos do que as mais comuns formas de agressão física e psicológica: trata-se da pressão dos padrões de beleza. Foi essa dimensão de violência estética sobre as mulheres que as turmas dos cursos profissionais de Animação Sociocultural (12ºF) e de Técnico Auxiliar de Saúde (10ºH) da Escola Secundária de Arouca materializaram numa instalação artística - "Pressão da Transformação" - no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Uma instalação que é uma versão pedagógica de alerta, denúncia e contestação dos padrões irreais de aparência corporal que continuam a pressionar e a submeter ao sofrimento a mulher contemporânea. Uma forma escolar de dizer não à violência sobre as mulheres que foi também um convite à reflexão ética e estética, dirigido à comunidade escolar e à sociedade em geral.

Recriar uma inspiração

Uma exposição de fotografias ("Be F**king Perfect - The Pursuit of Excellence") de duas reconhecidas artistas internacionais, Evija Laivina (Letónia) e Jessica Ledwich (Austrália), inaugurada em Setembro, em articulação com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, foram a fonte de inspiração para o desafio levado a cabo pelos alunos e alunas dos dois cursos profissionais do ensino secundário. «A forma diferente como este ano abordarmos o problema da violência contra as mulheres partiu de uma exposição de duas artistas, Evija Laivina e Jessica Ledwich. Havia a possibilidade de retratar e até de recriar de forma inovadora essas fotografias a três dimensões e unimo-nos para a concretizar», explicou Vera Noites, professora coordenadora do Projecto da Educação para a Saúde do Agrupamento de Escolas de Arouca. Fitas métricas e ideais físicos, peitos, cinturas e pernas, depilações e lipo-aspirações, maquilhagens e penteados, destaques corporais e transformações do corpo, aparência, adereços, marcas e moda são alguns dos tópicos de discussão suscitados pela mensagem materializada em corpos femininos que percorreu os espaços escolares e os da polis arouquense.

Pressão estética, mediática e comercial

«Para além dos diferentes tipos de violência que habitualmente recaem sobre a mulher (física, emocional, sexual, social e financeira), ela tem sofrido, ao longo do tempo, outro tipo de violência muitas vezes esquecido, decorrente da pressão dos padrões de beleza. Um padrão de beleza imposto não pode ser uma exigência para uma mulher poder viver feliz com o seu corpo e a sua aparência», sublinhou a organização do evento que comemorou, na última sexta-feira, o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Uma actividade realizada no âmbito do Projecto de Cidadania e Desenvolvimento do AE Arouca, com a intervenção das equipas de Promoção e Educação para a Saúde (PES), do Plano Nacional das Artes, dos Cursos Profissionais referidos e do Clube de Artes, em parceria com a Rede Social da Câmara Municipal de Arouca, no âmbito do Plano Municipal para a Igualdade e Não Discriminação.
Primeiro, no interior da escola-sede, depois, na Escola Básica e, no período da tarde, no espaço público da comunidade arouquense, foi este o percurso da jornada de sensibilização empreendida pelos jovens alunos que visou alertar para os perigos da pressão estética, mediática e comercial que instigam a mulher a «procurar atingir padrões de beleza que na maior parte das vezes ultrapassam a realidade - pode ser um passo para o desencadeamento de patologias diversas como transtornos alimentares, stresse, ansiedade, depressão e isolamento.»

Uma mensagem da escola para a comunidade

Vera Noites, da equipa PES do AE Arouca, fez o balanço de uma iniciativa que desenrolou a mensagem do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres da escola até à comunidade.
«Este ano pensamos realizar algo diferente, porque há outros tipos de violência que a mulher sofre de uma forma subtil e que tem impacto na sua saúde mental. Estamos a falar da pressão que os ideais de beleza, impostos pela sociedade, têm sobre as mulheres. Padrões que, como sabemos, variam ao longo do tempo e de acordo com a cultura. Muitas vezes as mulheres encontram-se dentro desses ideais e sentem-se felizes, são valorizadas pela sociedade nas diversas vertentes, mesmo profissionais. Quando não encaixam nesses padrões sujeitam-se ao sofrimento, ao isolamento, a estados depressivos ou arranjam outras estratégias muitas vezes invasivas para o próprio corpo, como as alterações corporais. Esta problemática remete para questões como o auto-conceito, a auto-estima e a autoconfiança, que são temas que têm de ser trabalhados. Nesta iniciativa desafiamos os alunos e a comunidade à reflexão sobre uma questão de direitos humanos, um assunto que a todos diz respeito.» 2022-11-27 Manuel Matos/RV

 
Arouca

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