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Cooperativa Agrícola em contra-ciclo: pandemia aumentou vendas nas lojas
 
Joaquim Reis em entrevista ao RV
Revelação do presidente Joaquim Reis em entrevista
 
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Foi eleito pela primeira vez em 2015 e reeleito em 2019 para presidir aos destinos da Cooperativa
Agrícola de Arouca. Joaquim Reis, 68 anos, médico veterinário municipal, figura sobejamente conhecida no meio arouquense, não teve "papas na língua" para defender a instituição que lidera há seis anos e à qual está ligado desde há várias décadas.
Frontal e sem rodeios, como é seu timbre, abordou sem paninhos quentes os temas que mais afectam a Cooperativa, nomeadamente, a pesada herança que herdou da anterior direcção, liderada por Adriano Francisco.

Como se encontra a saúde financeira da Cooperativa Agrícola de Arouca? Financeiramente a Cooperativa Agrícola de Arouca tem uma belíssima saúde! Quando fomos eleitos em 2015, a instituição encontrava-se numa fase de decréscimo, comprovada pelos relatórios de contas. No nosso primeiro ano de gestão o saldo ainda foi negativo, também só tomamos posse a meio do ano. A partir daí a situação financeira da Cooperativa veio sempre a melhorar até hoje. Fechamos o ano de 2020 com um resultado positivo de 64 mil euros!

A pandemia teve reflexo nas contas? No ano de 2020 a pandemia fez com que a Cooperativa fizesse mais movimento comercial, pois muitas pessoas ficaram em casa, começaram a plantar as pequenas hortas familiares e isso provocou um acréscimo de vendas nas nossas lojas.

Que estratégia utilizou para inverter os resultados da Cooperativa que antes de tomar posse estavam 'no vermelho'? Chamamos os agricultores que tinham grandes débitos, eram doze e o total em dívida era de 700 mil euros, e fizemos acordos com eles para o pagamento dos montantes em dívida.
Mas estávamos receosos quanto aos resultados dessas negociações, pois se nos tempos das vacas gordas alguns sócios contraíram grandes dívidas, algumas astronómicas, como iriam liquidá-las no tempo de vacas magras, época de recessão do sector leiteiro. A verdade é que todos os devedores estão a conseguir pagar as dívidas de forma faseada, estou convencido que durante este e o próximo mandato as dívidas ficarão todas saldadas, com excepção de dois agricultores, um deles o anterior presidente da Cooperativa, Adriano Francisco.

Em que ponto está esse débito à instituição? Temos um processo em tribunal em curso contra a sociedade SPL, pertencente a Adriano Soares Francisco. Houve por parte da sociedade uma ocultação de bens para que não fosse penhorada. A dívida daquela empresa à Cooperativa Agrícola de Arouca mantém-se, o valor em dívida é de 81.069, euros. Tudo isto depois de termos feito um acordo com Adriano Francisco no tribunal, o problema é que ele não o cumpriu. Aceitou pagar 500 euros por mês, pagou uma ou outra vez 250 euros e depois, simplesmente, deixou de pagar. O antigo presidente veio para a Cooperativa com a finalidade de endividar a instituição para saldar dívidas que tinha noutros lados... e saldou-as!

Destaque o melhor e o pior momento vivido ao longo destes cinco anos que já leva de presidência. O melhor foi termos decidido arrancar com uma loja na Casinha (Santa Eulália) que tem vindo sempre a crescer e que já deveria ter sido aberta há muitos anos, desde o tempo do professor Pato. A Cooperativa não é uma empresa para dar grandes lucros mas deve ter sempre um pé de meia para se tornar sustentável. O pior momento é quando vou para a cama e durmo a pensar na estufa. Uma estufa que foi feita pela anterior direcção, em que havia um subsídio de 25 mil euros para a sua construção, mas que acabou por custar o dobro, tendo a Cooperativa entrado com outros 25 mil euros. Acabou por ficar uma estufa excessiva para a nossa dimensão e que não dá para abastecer o mercado que é pequeno. Além de que nos aumentou os custos, uma vez que tivemos que admitir uma engenheira para a sua organização e gestão. A estufa já nos deu mais de 120 mil euros de prejuízo, desde que foi construída, na Casinha, em 2010.

Quanto associados tem a Cooperativa? Neste momento temos cerca de 4.500 associados, distribuídos por todas as freguesias do concelho. Temos vindo a aumentar o número de sócios, nomeadamente através de novas gerações de filhos de antigos sócios que entretanto faleceram, mas que os herdeiros querem continuar ligados à Cooperativa Vamos ainda procurar recuperar uma parte significativa das quotizações em atraso, mais de 200 mil euros, que foram deixadas por liquidar ao longo dos anos.

Ainda compensa dedicar-se à produção de leite em Arouca? Não compensa em Arouca e se calhar, nem no país. A produção de leite está muito difícil actualmente devido aos grandes investimentos que os norte-americanos fizeram na bebida de soja e agora chama-se leite de amêndoa, etc. O leite é do ser vivo, ponto final. O resto são sumos! Só explorações familiares e que não tenham mão de obra de fora ou muito pouca, e mecanizadas, ainda conseguem sobreviver. Em Arouca com estas características existem actualmente trinta e cinco explorações leiteiras.

Qual a sua posição, relativamente ao apoio da autarquia aos produtores de raça arouquesa? Acho que é uma belíssima medida! Se quisermos ter raça arouquesa, temos que ter vacas e para isso os produtores têm de ser apoiados porque senão é muito difícil. O agricultor está nove meses à espera da cria e depois tem mais oito meses para vender a cria. Totaliza dezoito meses e a venda das crias é a sua fonte de rendimento. Durante esse tempo o agricultor e a sua família têm que viver... Além disso a nossa vaca arouquesa é muito bonita, harmoniosa e rústica que se aguenta nas condições mais adversas. Tem uma grande capacidade de adaptação à pobreza e dureza dos solos, basta observá-las na Serra da Freita.

Tem havido rejuvenescimento no sector agrícola local? Tenho conhecimento de dois ou três jovens agricultores da zona de Mansores que têm formação das escolas agrárias e que são capazes de não deixar cair o sector leiteiro por completo. Mas também conheço outros casos em que o futuro da produção de leite e a agrícola acabará quando os progenitores morrerem, pois não se vislumbram novas gerações interessadas em continuar com a actividade agrícola.

A Associação de Agricultores do Concelho de Arouca é parceira ou concorrente da Cooperativa? Não é nossa concorrente, dou-me perfeitamente bem com a maior parte dos dirigentes da Associação de Agricultores do Concelho de Arouca (AACA). Eles pertencem à Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) que para mim representa sobretudo os grande latifundiários do Alentejo. Os dirigentes da AACA não se convencem que só estão a fazer número para juntar aos gigantes dos latifundiários, para lhes dar mais força. Os dividendos que Arouca retira por pertencer à CAP são poucos. A Cooperativa de Arouca pertence à Confagri, onde a nossa voz é ouvida.

A ministra da Agricultura tem estado à altura da pasta que ocupa? É a pior titular do cargo desde o 25 de Abril...

Qual é o seu grande objectivo que espera ver concretizado quando deixar de ser presidente? Quando tiver retirado o amianto que se encontra por cima dos armazéns, reestruturar os armazéns, unificando-os com a loja, ficando esta com o dobro do tamanho. Depois de concluir estas tarefas, para além do saneamento financeiro, serei um presidente feliz e orgulhoso e darei o lugar a outro. JCS 2021-07-29

 
Arouca

Domingo, 26 de Setembro de 2021

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A Frase...

"Obras do novo hotel no Mosteiro arrancam no final do mês de Setembro"

Anúncio de Rui Dinis, da empresa MS Hotels, durante a apresentação em Arouca do projecto da unidade

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