ASSOCIATIVISMO
 
Fátima Pinho deu o salto e já lidera no ensino superior
 
Fátima Pinho
ENTREVISTA | Da associação de estudantes da escola básica e secundária de Escariz para a universidade Lusíada Norte
 
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Fátima Pinho tem 20 anos e é de Escariz. Neste momento divide a sua vida entre duas licenciaturas - Direito e Gestão - a presidência da Associação Académica da Universidade Lusíada Norte e o Conselho Nacional da Juventude, onde é vogal da direcção.
A viver no Porto, a jovem vê em Arouca o ponto de partida. Nesta entrevista, Fátima conta-nos o que fez, o que faz e o que quer fazer.

O seu percurso no movimento juvenil começou em Escariz, o que a levou a candidatar à presidência da Associação Estudantes (AE) da Escola Básica e Secundária de Escariz?
No décimo ano me candidatei pela primeira vez à AEEBSE. Nessas eleições perdemos, mas voltamos a candidatar-nos no ano seguinte. Foram candidaturas motivadas principalmente devido ao modus operandi de toda a estrutura, das motivações que existiam, dos objectivos e principalmente de como se encontrava, não só a associação, mas também a associação reflectida nos seus estudantes. Depois da organização do baile de finalistas no 9º ano, juntamente com alguns colegas bastante interessados, sentimo-nos motivados para a candidatura à associação no ano seguinte, versada de estudantes para estudantes.

Que acções destaca do seu mandato nesta associação?
Nós começamos por fazer uma revisão estatutária e conseguimos, pela primeira vez na história da associação, realizar duas assembleias gerais e fizemos a primeira tomada de posse. Celebramos datas comemorativas, como o Dia da União Europeia com os alunos de Economia. Fizemos, naturalmente, festas de final de período e organizamos o 'Escariz Got Talent', com o objectivo de impulsionar os estudantes que não estavam ligados ao ensino artístico, a mostrar o seu talento.

E a Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário (FNAEBS)? Pelo que pudemos perceber, a Federação não está ainda legalmente constituída, a que se deve essa situação?
Eu integro a comissão instaladora da FNAEBS, em Maio de 2017, quando esta foi constituída durante o Encontro Nacional do Ensino Básico e Secundário. Desde aí, a FNAEBS opta sobretudo por um crescimento de legitimação junto dos decisores políticos, reconhecimento de que a estrutura existe e o aumento do número de associados. Deparámo-nos também com algumas limitações pelo facto de nenhum de nós ter 18 anos, deixando a questão da legalização em stand-by.

Em 2018 apresentaou no Concurso de Jovens Empreendedores, juntamente com mais dois colegas, um projecto designado "Arouca Cream". Em que ponto de situação está?
O "Arouca Cream" surgiu quase por acaso. Em 2017 participamos no Concurso de Jovens Empreendedores com um projecto e não chegamos ao pódio. No ano seguinte tínhamos como objectivo apresentar o mesmo projecto com melhorias. Mas a verdade é que já não nos revíamos nele e lembramo-nos dos gelados. Depois de ganharmos essa edição, estivemos presentes no 'Arouca Summit', onde alguns empresários estavam interessados em saber mais sobre este projecto e tivemos também o acompanhamento por parte da ADRIMAG. O facto de cada um dos elementos do grupo ter seguido caminhos diferentes fez com que deixássemos esta questão pendente, mas acredito que possa ser uma motivação para a fixação de algum de nós em Arouca.

O que a motivou a candidatar-te à Associação Académica da Universidade Lusíada Norte?
Eu entro em Direito na Universidade Lusíada Norte em 2018, depois de uma não entrada na Universidade Católica. Não estava nada motivada em ficar na ULN, mas a integração na Associação Académica fez com que quisesse ficar. Comecei, com sentido de missão, a colaborar com a organização. No ano seguinte sou convidada pelo presidente, também ele escarizense, para integrar a direcção como secretária e depois de muita ponderação, decido, no ano seguinte candidatar-me à presidência. A forma como fui integrada fez com que quisesse dar de mim a esta casa e a estes estudantes.

Dos objectivos subjacentes à sua candidatura, o que já te foi possível implementar?
Em Fevereiro, quando nós aprovamos o plano de actividades e orçamento, já se ouvia falar em pandemia. A primeira actividade da associação neste mandato é então, uma dádiva de sangue. Com a entrada do país em Estado de Emergência, comecei a ser contactada por alunos e pais que queriam saber se a universidade fechava e como ia decorrer a época de exames. A partir daí fizemos algumas iniciativas online e escrevemos 13 pareceres sobre tudo aquilo que a universidade decidiu. As relações institucionais saíram reforçadas e isso é uma das marcas deste mandato.

Quais são as suas ambições pessoais?
Ser o mais feliz e o mais realizada possível e o sentir que contribuí para deixar algo melhor do que aquilo que encontrei.

E ambições profissionais?
Terminar a licenciatura em direito e a licenciatura de gestão no tempo previsto. Gostava muito de fazer um estágio profissional num escritório de advogados. Depois de terminar Direito, objectivo fazer mestrado em Ciências Jurídico Empresariais.

No passado mês de Janeiro integrou os órgãos sociais do Conselho Nacional da Juventude. Como é que chega ao CNJ?
A FNAEBS e o CNJ trabalhavam numa relação muito estreita e participei, a título pessoal, nos Encontros Nacionais da Juventude e noutras actividades. Começo a ter um interesse pela estrutura, estando atenta a estas questões dos mandatos e depois tive a oportunidade de, em Dezembro de 2019, candidatar-me a vogal da direcção do CNJ através da Federação Nacional do Ensino Superior Particular e Cooperativo (FNESPC).

Que iniciativas têm neste momento no terreno?
Como todas as organizações, tivemos que adaptar a nossa actividade este ano. No entanto, com esta questão da pandemia, apresentamos o Pacote de Medidas para a Recuperação Económica e Social da Juventude. Estivemos reunidos com quase todos os decisores políticos das áreas em que trabalhamos e neste momento estamos a construir uma agenda para a natalidade e a preparar o Encontro das Organizações - Membro.

Que envolvimento tem tido nas associações locais concelhias?
Eu saio de Arouca em 2018 e passo grande parte do meu tempo entre o Porto e Lisboa. Embora não seja causa justificativa, não me tenho envolvido por esse motivo. Quando estou envolvida em algum projecto quero sentir que estou a dar a minha disponibilidade e entrega e, neste momento da minha vida, sinto que isso não seria possível.

À distância, uma vez que se encontra a viver fora, como vê o movimento juvenil em Arouca?
Os jovens de Arouca têm-se mostrado preocupados com o seu futuro e prova disso é o surgimento da 4540 Jovem e o ressurgimento da A3, com algumas bandeiras como a sustentabilidade e preocupação ambiental. Fico muito feliz por os jovens arouquenses estarem a trabalhar neste tipo de plataformas de representação, actividade e até reivindicação. Esta participação jovem em movimentos cívicos faz com que os seus pares comecem a olhar de outra forma para as instituições pelo que perspectivo um futuro muito risonho para Arouca. É agora obrigação do executivo camarário, pegar nestes jovens, dar-lhes oportunidades, espaço e reconhecer-lhes legitimidade e preponderância na sociedade.

Qual é o papel dos jovens no desenvolvimento de Arouca?
Os jovens de Arouca devem continuar a reivindicar os espaços de decisão que lhes são devidos, o reconhecimento e o respeito da autonomia e independência das instituições e das pessoas que integram. Os jovens devem participar de forma carismática, com sentido de responsabilidade, de missão e de causa. Além disso, devem trabalhar para que os objectivos das plataformas de representação, onde se inserem, prossigam para que as instituições não morram.

Considera que existem, em Arouca, condições para a fixação dos jovens?
Faltam incentivos para que os jovens se sintam motivados a ficar em Arouca. A existência de associações são um dos motivos que faz os jovens regressar a Arouca depois de uma semana de estudo ou de trabalho. Mas isso não é suficiente. Já existe a cedência por parte da juventude, mas ainda falta a cedência por parte dos órgãos de decisão. Faltam espaços de participação para os jovens, desde logo falta o Conselho Municipal da Juventude e o Conselho Municipal de Educação que não deviam ter de ser reivindicados porque são uma obrigatoriedade. Estes espaços sendo negados na primeira instância são logo um barrar à fixação. A disparidade entre os jovens do centro e da periferia do concelho fazem com que estes últimos procurem a realização noutro lugar, tal como aconteceu comigo. AV 2020-11-12

 
Arouca

Terça, 01 de Dezembro de 2020

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"Tudo iremos fazer para aceder às verbas que a UE irá enviar, para minorar os problemas económicos dos nossos associados"

Carlos Brandão, presidente da AECA, durante a tomada de posse para novo mandato

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