POLÍTICA LOCAL
 
«O município desinvestiu nos jovens»
 
Ricardo Martins
Ricardo Martins lidera o renascimento da Juventude Popular de Arouca
 
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Depois de Sérgio Azevedo (PS) e de Tiago Mendes (PSD), RODA VIVA ouviu um jovem ‘centrista' que
tem emergido na política juvenil do município de Arouca. Ricardo Martins, 19 anos, presidente da Juventude Popular de Arouca, foi presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Arouca no ano lectivo 2018/19, é agora estudante de Direito e membro da Associação Académica de Arouca. Apesar de tenra idade, o entrevistado demonstrou que a política e a intervenção cívica correm-lhe pelas veias, apresentado um conhecimento já com bastante maturidade sobre diversos temas fundamentais para o desenvolvimento sustentado de uma comunidade.

Depois de liderar a Associação de Estudantes da ESA entrou na política partidária. Foi na escola que ganhou o "bichinho" pela política?
A política sempre me interessou bastante, sempre senti uma necessidade intrínseca na participação naquilo que é de todos. Sempre estive desperto para as questões gerais da juventude. Ter sido presidente da Associação de Estudantes foi um factor de propulsão para uma acção mais activa neste meio.

Aderiu à Juventude Popular porquê?
Depois de perceber os ideais das várias juventudes partidárias fui-me identificando cada vez mais com a Juventude Popular por todo um conjunto de razões: percebi a sua visão sobre a sociedade, sobre a relação do estado com a sociedade, sobre a intervenção do estado na economia nacional, entre muitos outros factores.

O que vos distingue da JSD ou da JS?
A Juventude Popular tem por base na sua índole a democracia cristã, o que a distingue de todas as outras juventudes partidárias. Os valores cristãos como a defesa da pessoa humana, a defesa da família, a defesa da vida e a defesa da liberdade são fundamentais e essenciais para o crescimento de qualquer país.

Quais são as principais bandeiras políticas da JP em Arouca?
A Juventude Popular de Arouca tem como principal objectivo tornar-se na voz dos jovens na linha da frente nas discussões. Os nossos objectivos visam reflectir-se nas necessidades dos jovens arouquenses.

O seu futuro pessoal e profissional passa por Arouca?
Neste momento estou focado em realizar o meu percurso académico com sucesso. A nível profissional
acredito que não haja uma previsão tão directa e linear. Gostava que este passasse por Arouca, mas é uma questão de oportunidades.

O que falta em Arouca para os jovens se fixarem na sua terra?
O desinvestimento nos jovens por parte do município é um factor significativo. Não há um leque de oportunidades. É bastante complicado um jovem em início de carreira conseguir a sua independência
sem uma única ajuda por parte do município.

Quem são os seus ídolos políticos?
Ronald Reagan, Winston Churchill, Paulo Portas, Adelino Amaro da Costa e Adriano Moreira são políticos de excelência que admiro imenso.

O desastroso resultado eleitoral do CDS nas últimas legislativas não colocaram em perigo a sobrevivência do partido?
É inegável dizer que o partido não atravessou um período complicado, mas também o é dizer que o partido não está a fazer de tudo e a trabalhar em prol de uma mudança. A renovação do partido no último congresso é um sinal de esperança, e o trabalho que se tem vindo a realizar é a prova de que essa renovação era necessária no partido. Estamos a plantar as nossas ideias para colher votos no futuro.

O "Chega" não está a tirar espaço político ao CDS?
O CDS perdeu mais deputados do que os que o Chega tem actualmente e visto isto podemos afirmar que o CDS não perdeu para o Chega, o CDS perdeu por si, não se reafirmou como o único partido de direita em Portugal. O CDS tem demonstrado aos portugueses o seu valor e a sua diferença em relação ao Chega, e que não compactua com certos discursos negativos.

Numa escala de zero a vinte, que nota atribuiria à gestão autárquica de Margarida Belém?
A prestação da presidente da Câmara não pode ser avaliada numa escala de zero a vinte. Essa avaliação vai ser feita nas urnas, pelos arouquenses. O que é essencial é perceber se a prestação da presidente e do executivo camarário trouxe mais bem-estar e qualidade de vida para os arouquenses. Considero que há questões fundamentais que necessitam de resposta e uma delas é saber que intervenções foram feitas para minimizar as assimetrias existentes entre o interior e o litoral, em termos de qualidade de vida; que medidas foram tomadas para criar emprego e para fixar os jovens no nosso concelho; quando se fala em prestação da presidente é importante focar-nos nos resultados, ou seja, nas consequências das políticas adoptadas na vida das pessoas. E neste particular é importante referir que o resultado na vida das pessoas decorrente da opção política de concessionar a água, por exemplo, não trouxe bons resultados. Essa medida só teve o efeito de aumentar a fatura da água dos arouquenses e é algo que é necessário discutir e alterar. O CDS, em devido tempo, alertou para isso, aquando da decisão de concessão da água e ninguém nos deu ouvidos. Esta é uma marca do PS que se reflectiu no custo de vida das pessoas e as políticas têm de ter como foco, sempre, as pessoas e neste caso particular não foi tida em conta. Daí que essa avaliação terá de ser feita por todos, no momento da escolha dos candidatos
nas eleições autárquicas.

Nas próximas eleições autárquicas o CDS deve concorrer coligado com o PSD ou ir sozinho a votos?
Essa é uma decisão que terá de passar, necessariamente, pela Comissão Política Concelhia do CDS de
Arouca. Como se sabe, o CDS foi coligado com o PSD nas últimas eleições autárquicas e será importante fazer um balanço dessa coligação nos últimos quatro anos. Depois, em função dessa avaliação importa perceber o que é que o eleitorado espera do CDS de Arouca no futuro e que intervenção reclama deste partido em Arouca. Em face dessa análise, decidir-se-á se qual o caminho que o CDS terá de fazer, tendo presente, também, a necessidade de afirmação a nível local.

Acredita na manutenção do vereador centrista no próximo executivo camarário?
O trabalho realizado pela Sandra Melo e mais recentemente pelo Pedro Vieira tem vindo a ser notável e a manutenção é indispensável para os arouquenses. O nosso vereador tem sido crucial na sua abordagem a temas fulcrais para o concelho e para os arouquenses.

Pedro Vieira e Hélio Soares são os rostos mais visíveis do partido no município. Que balanço faz do trabalho de ambos na CMA e JF Santa Eulália, respectivamente?
A actividade desenvolvida pelos vereadores é, na maior parte das vezes, silenciosa, mas muito importante. Cabe aos vereadores da oposição fiscalizar o executivo camarário e fazer propostas para melhorar a vida dos arouquenses. Dentro dessa actividade, existem decisões de gestão corrente que não são muito visíveis mais que são essenciais. E a esse propósito o vereador do CDS tem sido muito interventivo questionando o executivo sobre as questões levadas a reunião de Câmara, quer do ponto de vista político, quer do ponto de vista jurídico. Lembro-me de uma intervenção do vereador do CDS, Pedro Vieira, que foi iniciada pela vereadora Sandra Melo, e que tinha a ver com os trabalhadores com vínculos precários, tendo havido uma posição clara destes vereadores, relativamente à necessidade de operacionalizar o PREVPAP, ou seja, vincular os trabalhadores da autarquia, que estavam abrangidos pelo programa. Apesar de estar claramente definido na lei havia dúvidas quanto à vinculação dos prestadores de serviços das Piscinas Municipais e a intervenção dos vereadores foi perseverante e essencial na defesa destes trabalhadores e dos demais. Outra questão suscitada pelo vereador do CDS, Pedro Vieira, mais recentemente, foi a necessidade de adesão à tarifa social da água. É uma proposta muito importante porque irá permitir que aqueles que se encontrem em situação de carência económica, possam beneficiar da tarifa social, pagando menos na fatura da água, de forma automática, sem terem de o solicitar. Considerando o momento que se vive actualmente, motivado pela pandemia COVID-19, que deixou muitas empresas e muitas famílias em situação financeira difícil, esta proposta mostra-se fundamental e devemos fazer tudo para dar uma resposta no sentido de minimizar este impacto naqueles que mais precisam. Aderir a esta tarifa, que já está em vigor desde 2018, é muito importante para as famílias que mais precisam porque permite que paguem menos na factura da água. O Hélio Soares é um autarca com um perfil de grande proximidade e de dedicação ao próximo. E isso é muito valorizado pelas pessoas e o resultado disso viu-se na expressiva votação que teve nas últimas eleições autárquicas. Tem desenvolvido um trabalho muito bom em prol dos fregueses de Santa Eulália, conjuntamente com as professoras Susana Couto e Graça Peres, que formam o executivo da Junta. Assinalo a grande preocupação que tem tido no que diz respeito à necessidade de dotar as freguesias com mais meios e competências para poder desempenhar um papel mais preponderante junto das pessoas, tendo apresentado uma proposta, em conjunto com as outras juntas de freguesia, nos sentido serem reconhecidos mais meios, designadamente financeiros e outras competências para dar uma resposta mais eficaz às necessidades dos fregueses. Essa proposta surtiu efeitos uma vez que o Orçamento de 2019 já disponibilizou uma verba maior para as freguesias.

E o partido pode aumentar o número de Juntas nas próximas eleições?
Acredito que os candidatos às Junta de Freguesia terão um perfil diferente do candidato à Câmara mas que não fugirá das premissas que referi: competência, sentido responsabilidade e de serviço público. Se a escolha recair em candidatos com este perfil, o CDS irá aumentar o número de Juntas de Freguesia. A proximidade, o sentido de entrega às pessoas são factores que podem influenciar a escolha e é nisso que teremos de trabalhar. Estou convencido de que iremos ser bem-sucedidos.

Até onde vão as suas ambições políticas?
Neste momento estou focado na Juventude Popular e fazer desta juventude partidária local uma voz activa de todos os jovens arouquenses, essa é a minha missão. O futuro político é uma incerteza, mas estarei cá caso me seja confiado servir o concelho, o distrito ou o país, sempre em prol do colectivo e nunca do individual. Considero que a política é uma missão transitória e não uma profissão. JCS 2020-10-03

 
Arouca

Quarta, 28 de Outubro de 2020

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"Continua a aposta (da CMA) 'quase irracional' no turismo"

Carlos Tavares, lider do PPM-Arouca, em entrevista ao RV

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