POLÍTICA LOCAL
 
Sérgio Azevedo é o mais recente elemento PS na Assembleia
 
Sérgio Azevedo (PS)
ENTREVISTA | «O acompanhamento de situações como bombeiro profissional permite-me uma melhor visão dos destinos do Município»
 
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
É um dos jovens promissores da política arouquense. Discreto, metódico e organizado, Sérgio Azevedo tem vindo a revelar-se uma mais-valia para o PS local. Tem 31 anos, é bombeiro profissional, integra a equipa do comando da corporação arouquense, e está pela primeira vez na Assembleia Municipal. Acumula como membro da Assembleia de Freguesia de Várzea pelo movimento independente Juntos Por Várzea. Faz parte ainda da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista. No seu percurso formativo, chegou a presidente da Associação Académica do ISPAB, onde se graduou em Contabilidade e Gestão.

Que balanço faz da sua actividade como deputado da Assembleia Municipal?
Esta Assembleia Municipal decorrida a 29 de Junho foi a minha primeira assembleia como membro efectivo neste mandato, substituindo a professora Amélia Rodrigues. Até então participei pontualmente nas sessões plenárias por impedimento de outros membros. Centrando-me nesta primeira sessão e que servirá de orientação para as restantes, procurei dar um contributo activo para a discussão política,
abordando assuntos que são fundamentais como é o caso da preparação dos serviços municipais para enfrentar o período crítico de incêndios ou o trabalho feito no âmbito da covid-19. O conhecimento e acompanhamento das situações permite uma melhor visão dos destinos do Município.

Como surgiu na política activa?
A política activa surgiu ainda no 'secundário' com a filiação na Juventude Socialista da qual fui Coordenador Concelhio. Com a entrada do Francisco Ferreira para a estrutura da JS acompanhei-o sempre e temos desde essa altura trabalhado juntos. Temos uma forte relação de lealdade o que confere esta confiança até aos dias de hoje.

Quais as áreas onde costuma intervir com maior vigor e entusiasmo?
Sendo a realidade municipal uma realidade diversa e complexa, naturalmente que, de um modo global, me interesso sobre todas as áreas que interfiram com o concelho, com as suas instituições e com os munícipes. Considerando a minha formação profissional, nutro particular interesse pela área social, educação, defesa da floresta contra incêndios ou protecção civil, domínios que me são particularmente caros e para os quais creio estar em condições de poder dar um contributo mais significativo.

Refira duas medidas positivas e duas negativas da gestão socialista na autarquia?
Não lhe chamarei medidas, porque a intervenção que se faz, para ser consequente, muitas vezes obriga ao desenvolvimento de um conjunto de medidas e não a uma medida só isolada. Assim, preferirei destacar antes dois aspectos positivos e dois menos conseguidos até agora pelo Executivo. Em linha com o que destaquei na Assembleia Municipal e considerando o tempo actual, tenho de naturalmente de destacar a acção do Executivo no âmbito do combate à COVID-19 que tem sido, desde o primeiro momento, exemplar, trabalho este que é reconhecido pelas diversas entidades e, estou certo pelos arouquenses, com quem tem o Município tem trabalhado de forma articulada e estreita, como é o caso do ACES-Feira, as IPSS's, os Agrupamentos de Escolas e os Bombeiros, com um investimento muito significativo, monetário, mas não só. Fruto deste trabalho o número de casos registados no nosso município é reduzido, sendo que actualmente o número de infecções activas não chega às dez. Tenho também de destacar como positivo, na área da mobilidade e das acessibilidades, o avanço da 2.ª fase da Via Estruturante que ligará o Parque de Negócios de Escariz à A32, uma luta antiga, uma obra em que muitos acreditavam, ou queriam fazer acreditar, que seria mais uma promessa vã e que já em curso e que, como destacou o presidente das Infraestruturas de Portugal, aquando da cerimónia de consignação da empreitada se deveu, em grande parte, à persistência da presidente de Câmara actual, que, pese embora alguns percalços registados, nunca esmoreceu nesta luta. Em complemento a esta obra, o facto também de se ter conseguido requalificação a EN326 entre a ponte da Ribeira e Abelheira, uma das nossas estradas mais usadas e que carecia de melhoria no piso e nas condições de segurança de circulação. Por outro lado, e pese embora todos os esforços que estão a ser desenvolvidos pelo Município junto das entidades competentes, nomeadamente Agência Portuguesa do Ambiente, Autoridade Regional de Saúde do Norte, GNR - Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente, que motivou já o levantamento de um auto de contra-ordenação ao Município de Castro Daire, o facto de ainda não se ter conseguido inverter a situação da degradação ambiental do rio Paiva. Naturalmente e porque é um assunto na ordem do dia que as questões do tarifário da rede de água e saneamento, a par do investimento na expansão das respectivas redes são outra área em que o Município tem tido dificuldade em encetar alterações significativas, pese embora e, por exemplo, no caso do aumento de cobertura da rede de abastecimento de água e saneamento, tenha procurado, complementar através de orçamento próprio, o investimento que a entidade concessionária - as Águas do Norte - estão a fazer. Neste ponto importa recordar em 2015, o Município de Arouca foi forçado a aderir ao Sistema de Águas da Região do Noroeste, decisão que foi aprovada em Assembleia Municipal. Se não o fizéssemos, o Município ficaria impossibilitado de concorrer, de modo autónomo, a fundos comunitários para ampliação das redes de abastecimento de água e saneamento. A adesão implicava ainda a convergência tarifária, dentro do sistema, ao fim de cinco anos, o que está a acontecer.

Concorda com a presidente da CMA de que não se deve aumentar a capacidade de construção em Arouca? Não seria uma forma de fixar população mais jovem no concelho?
Creio que está a haver aqui uma distorção. A presidente concorda com o reforço da capacidade de construção. Tanto que é assim que o Município está a trabalhar na ampliação de loteamentos, nomeadamente na Quinta do Cerrado e em Escariz, bem como no plano de habitação local. A discordância é relativamente ao aumento do número de pisos de construção, actualmente limitado a dois pisos.

Os deputados do PS costumam reunir-se para afinar estratégias de acção na AM?
Os deputados do PS, no exercício responsável das funções para os quais foram eleitos pelos arouquenses, mantêm um trabalho estreito de colaboração entre todos, acompanhando de forma atenta a vida no município de Arouca e tudo o que com ela e com os arouquenses esteja relacionado.

Como está a observar a constituição de arguidos de Margarida Belém, Artur Neves e Francisco Ferreira em processos judiciais ligados ao exercício de cargos públicos. A imagem daqueles autarcas e da autarquia não sai beliscada?
São três pessoas que os arouquenses conhecem bem, em particular Margarida Belém e Artur Neves, e que sabem que sempre se nortearam pela defesa de Arouca e dos arouquenses.

Qual é a sua referência política local e nacional?
Artur Neves, que desenvolveu Arouca ao patamar que conhecemos actualmente, e António Guterres, que foi um notável primeiro-ministro, o que, associado à sua formação humanista e ao importante trabalho que desenvolveu no Alto Comissariado para os Refugiados, levou à sua escolha para Secretário-Geral da ONU, o primeiro português nestas funções.

A aposta desenfreada do executivo nos últimos anos no turismo foi a mais correcta? Como está a ver as nuvens negras que estão a cobrir este sector nesta altura?
O que se tem verificado não é uma aposta desenfreada, mas sim sustentada e consolidada ao longo do tempo. Uma aposta que foi iniciada no tempo de Armando Zola que lançou, por exemplo, a rede municipal de percursos pedestres e que, posteriormente, foi dada continuidade com o Artur Neves e, agora, com Margarida Belém. Considerando o riquíssimo património natural e cultural que temos e que é reconhecido por todos, teria sido criminoso não se ter apostado no mesmo! Foi isso que os diversos executivos socialistas estão a fazer, requalificando-o, valorizando-o e colocando-o ao dispor dos arouquenses, desde logo, e, posteriormente, por todos aqueles que nos visitam, percurso este que hoje fez com que sejamos um território com o valioso selo UNESCO. Com este trabalho que foi feito, conseguimos impedir, por exemplo, que na Castanheira se continuasse a delapidar as pedras parideiras, ou tornar acessíveis sítios de relevância geológica como os Icnofósseis de Cabanas Longas, ou captar investimento para o Mosteiro de Arouca e para o Museu de Arte Sacra. Como consequência, vimos também a surgir projectos de investimento turístico que permitiram fixar jovens arouquenses e gerar emprego e riqueza. É o caso restaurante O Pedrogão, do Hotel Rural da Freita, as empresas de animação 'Just Come' e 'Clube do Paiva', apenas para citar alguns exemplos.

Os últimos reveses do turismo local - Areinho perdeu estatuto de praia fluvial, hotel no convento sem data para avançar, os contínuos adiamentos de abertura da ponte suspensa... não são já sintomáticos dos tempos que se avizinham...
A vida não é uma linha recta, mas sim uma estrada com curvas e contracurvas, pelo que os reveses são naturais. Veja-se o caso da ligação da do Parque de Negócios de Escariz à A32 a que já aludi nesta entrevista, que também teve alguns reveses, que foram ultrapassados, com a obra já a decorrer actualmente. No caso da ponte, a obra está praticamente concluída, prevendo-se a abertura ainda este
ano, no Outono. Quanto ao Areinho, a autarquia está a trabalhar para que possa voltar a ser classificada como praia fluvial. No caso do hotel no mosteiro e conforme noticiado neste jornal, o projecto de arquitectura já está aprovado, sendo necessário agora a aprovação do projecto das especialidades, pois sem esta a aprovação não é possível avançar-se para as obras propriamente ditas. O grupo hoteleiro a quem foi concedida a ala sul do Mosteiro para fins turísticos tem um prazo para execução da obra e, pelo que tenho acompanhado, não me pareça que esteja em causa. Assim, discordo que seja sintomático
dos tempos que se avizinham.

A ponte suspensa foi um bom investimento municipal?
Conforme é sabido, o sector turístico é um dos mais competitivos, o que obriga a que estejam em permanente melhoria e a procurar fazer coisas novas. Veja-se o caso dos Passadiços do Paiva, que são uma referência nacional, mas também internacional, com vários municípios a replicarem este tipo de infra-estrutura nos seus territórios. Os Passadiços do Paiva reforçaram assim o potencial de atracção turística do território, corolado pela atribuição de diversos prémios como o caso dos World Travel Awards, e, simultaneamente, posicionaram o município na área da vanguarda na área da engenharia. A ponte suspensa irá também reforçar a atractividade turística do território e dar continuidade ao projecto dos Passadiços do Paiva, seja na sua vertente turística, seja em outras áreas como é o caso da engenharia e design. Sintomático da relevância deste projecto é o facto de já haver várias revistas da especialidade, em particular estrangeiras, interessadas na ponte e a quererem fazer trabalhos sobre a mesma. Arouca prossegue assim a sua afirmação e consolidação como um território turisticamente atractivo e inovador, uma referência para os amantes da natureza e para quem os apreciadores de projectos de engenharia arrojados.

O facto dos dois primeiros nomes da Comissão Política local do PS (Francisco Ferreira e Pedro Sousa) residirem fora de Arouca não enfraquece a sua acção política e os distancia da realidade local?...
Sem dúvida que não! Tratam-se de duas pessoas que sempre acompanharam de modo muito atento tudo o que se passa a nível local, detendo um elevando grau de conhecimento da realidade local e que todas as semanas ou quase todas estão em Arouca, que têm a família mais próxima, como é o caso dos pais, a residir em Arouca. Exemplo deste profundo conhecimento da realidade local é o facto de Pedro Sousa ter sido colunista deste jornal durante vários anos. O facto de residirem noutros concelhos até é uma vantagem competitiva pois que têm acesso a outras realidades, a outras dinâmicas, o que é uma mais-valia para a acção que desempenham em Arouca.

Como vê o papel da oposição de centro direita na Assembleia Municipal?
Todos os elementos da Assembleia Municipal, incluindo a oposição de centro direita, estão a procurar cumprir com elevado espírito de serviço público a missão que lhes foi confiada pelos arouquenses a 1 de Outubro de 2017.

Falta pouco mais de um ano para as eleições autárquicas. Margarida Belém é imbatível?
Margarida Belém e o executivo que lidera estão a fazer um trabalho notável, inclusive em áreas que não têm visibilidade significativa externa, mas que têm um impacto significativo para os arouquenses, como é o caso da transição para o digital dos serviços, em particular na área do urbanismo. Por exemplo, esta aposta permitiu que os serviços continuassem a funcionar normalmente durante, por exemplo, a fase de confinamento, como ficou patente no relatório da actividade municipal apresentado na última Assembleia. São também vários os investimentos em curso, uns em fase de projeto, como é o caso da expansão e requalificação das zonas industriais, outros em fase de obra, como é o caso da requalificação da zona poente, a intervenção, a zona da Boavista, em Santa Eulália, as obras de Forno Telheiro à Igreja, em Urrô, a requalificação da EB 2/3 de Arouca, as requalificações a nível florestal no Parque da Santa Luzia e no monte da Sr.ª da Mó, para dar alguns exemplos. Estou convicto que Margarida Belém continuará a ser merecedora da confiança e do voto dos arouquenses.

Artur Neves deve recandidatar-se novamente à Assembleia Municipal?
Artur Neves, tal como ocorreu quando estava à frente dos destinos do Município, tem sido um óptimo presidente da Assembleia Municipal. Foi responsável pela introdução de algumas melhorias como o estabelecimento de tempos de intervenção, o que se traduziu numa melhor organização das intervenções, bem como em intervenções mais focadas, com consequente valorização do debate político.

Já foi candidato à Junta de Freguesia de Várzea e não conseguiu destronar aquele bastião social-democrata. É missão impossível?
Fui candidato à JF de Várzea sem qualquer receio do embate político numa altura em que o presidente de Junta era candidato a um novo mandato, uma situação bastante específica. Ganhar a Junta de Freguesia Várzea não é missão impossível. Tanto não o é que o projecto que apoiamos nas últimas eleições autárquicas obteve um excelente resultado.

Vai ser novamente candidato à AM no próximo acto eleitoral ou tem outras ambições políticas?
Estou focado em desempenhar da melhor forma possível a missão que me foi confiada pelos arouquenses, neste mandato. JCS 2020-07-28

 
Arouca

Terça, 29 de Setembro de 2020

Actual
Temp: 18º
Vento: NE a 0 km/h
Precip: 0 mm
Nublado
Qua
T 20º
V 3 km/h
Qui
T 16º
V 5 km/h
PUB.
PUB.
 
 
A Frase...

"O município desinvestiu nos jovens"

Ricardo Martins, lider da Juventude Popular, em entrevista ao RV

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 16 visitantes online