SOCIEDADE
 
Mansores e o ‘Terço da Esperança’ que correu o mundo
 
Rosário represntado em campos agrícolas da freguesia de Mansores
Ouvimos a equipa por detrás da execução do rosário feito de rolos de palha que teve impacto em Portugal e além-fronteiras
 
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Rosário feito de rolos de palha foi ideia instantânea que o autarca local, Jorge Oliveira, "agarrou" de imediato, uma "inspiração de Nossa Senhora" que teve impacto em Portugal e além-fronteiras.
Tudo se passou em Valverde, no vale agrícola de Mansores. Uma ideia quase do nada surgiu na semana passada. Nossa Senhora, diz quem tem fé, inspirou a freguesia a aliar o melhor das suas gentes, da sua natureza, as forças vivas, a paróquia, para levar a cabo um terço feito de rolos de palha plastificados, com cerca de 100 metros de comprimento, 50 de largura, em que foram necessárias sete a oito horas de trabalho, 10 a 12 tractores... e o resultado impressionou em diversas latitudes. Um 'Terço da Esperança' numa altura de dúvidas e receios decorrentes da pandemia mundial do novo coronavírus. RODA VIVA ouviu seis intervenientes que tornaram possível uma imagem que, no último fim-de-semana, surpreendeu e emocionou milhares e milhares de pessoas.

Jorge Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de Mansores: "A ideia surgiu depois de um contacto com a Sandra Seabra, natural da freguesia. Ela disse-me que os rolos de palha no vale agrícola lhe faziam lembrar as contas do terço. Eu agarrei logo a ideia e comecei a contactar diferentes pessoas, desde logo o senhor Albano Fernandes, proprietário do terreno. No sábado de manhã, fizemos a parte do terço, na parte da tarde, o grupo de jovens e todas as associações colaboraram para completá-lo e, à noite, fizemos uma espécie de procissão de velas e rezámos o terço no domingo pelas vítimas da covid-19, animado pelo grupo de jovens, seguindo, claro, todas as recomendações da Direcção Geral de Saúde e do Governo. Vi muitas pessoas emocionadas e até a assistir ao terço através de diferentes miradouros da nossa comunidade. Foi um momento simples, mas muito bonito. Estamos a falar à volta de 100 fardos de palha, 100 metros de comprimento por 50 de largura e praticamente sete a oito horas de trabalho, com o auxílio de 10 a 12 tractoristas. Estivemos lá no sábado praticamente todo o dia."

Sandra Seabra, colaborou na ideia e no desenho: "Eu, de facto, comentei com o Jorge que os muitos rolos de palha no vale agrícola me faziam lembrar as contas do rosário e até dava para fazer um ‘Terço da Esperança', mas, nesta altura de lavradio e de muito trabalho agrícola, seria impossível isso acontecer, pensava eu. Quando ele me diz que era mesmo para avançar, eu até lhe perguntei se ele estava a brincar... Vi-me envolvida no projecto e com a ajuda de um colega designer, as coisas tornaram-se mais fáceis. Foi tudo feito com muita paciência. Até os agricultores, que por esta altura costumam andar numa azáfama, fizeram tudo com muita calma. A imagem que mais me marcou foi a nocturna, com as luzes dos tractores a salientarem o rosto de Maria. Mansores agradece todo o trabalho e todas as manifestações de carinho. Nossa Senhora é que está de parabéns!"

Albano Fernandes, proprietário do terreno: "O Jorge falou comigo na semana passada e eu não coloquei problema nenhum em se fazer tal iniciativa. Na nossa freguesia mais ninguém tinha essa quantidade de rolos e, dado que era o presidente da junta a pedir-me, eu não coloquei qualquer problema. Tenho um filho no Brasil que por estes dias está cá e associou-se no sábado na elaboração. Tenho noção do impacto que criou porque tenho família no estrangeiro e já se aperceberam do que aconteceu. Por onde ando todos me falam do terço."

Rita Oliveira, Grupo de Jovens de Mansores: "O nosso contributo foi na parte do rosto de Nossa Senhora, que fizemos com uma rede branca, bem como a colocar as velas para o momento de sábado à noite. Enquanto andávamos a preparar tudo, um drone auxiliava-nos para que o trabalho fosse feito da melhor forma. Aconteceu tudo muito rápido. Creio que foi Nossa Senhora que nos iluminou. Chamámos-lhe o ‘Terço da Esperança' e o branco tem muito simbolismo."

João Rocha, designer que colaborou na concepção: "O Jorge mostrou-me uma imagem que gostava e que queria fazer à dimensão proposta, um terço que fosse visto do céu. Trabalhar aquela dimensão não é muito simples, mas fizémo-lo através de medições matemáticas com uma vara de dois metros, aproximadamente, medindo dessa forma até conseguirmos aquele terço que deu certo à primeira, não tivemos de mudar absolutamente nada. No interior, já foi diferente porque tínhamos o drone a orientar-nos ao mesmo tempo. Sem grandes tecnologias, o trabalho ficou mesmo bem."

Paulo Jesus, autor das fotografias aéreas: "Sem uma imagem de drone, seria difícil levar-se este trabalho a cabo. Quando fui convidado, nem pensei bem como seria concebida nem imaginei que tivesse tanto impacto. A imagem era constituída pelo terço e pela figura de Nossa Senhora. Só quando mostrei a imagem de cima é que se teve realmente a noção de como estava porque no terreno não tinha qualquer referência. As imagens de drone são sempre extraordinárias, porém, quando se vê algo que não é o mais convencional, tem outro efeito. Por ser nesta altura teve mais significado. O mérito que possa ter é das fotografias porque, sem elas, esta iniciativa não teria o alcance que teve." 2020-05-26 Ruben Tavares

 
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Sexta, 03 de Julho de 2020

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