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O Verão mais difícil para as filarmónicas
 
Banda Musical de Arouca
Análise ao momento das três bandas musicais arouquenses
 
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As bandas filarmónicas são importantes entidades culturais que, desde a sua génese em Portugal, têm e sempre tiveram um papel fundamental na nossa sociedade. Apelidas "conservatórios do povo", nelas sempre se fez crescer e proliferar o amor pela música, mesmo em tempo de guerra, mesmo em tempo de crise. Nas procissões, nos arraiais, nos concertos em coretos ou em praças e atualmente também em palcos de grande referência, as bandas são veículos transgeracionais que contribuem de forma inegável para a democratização da cultura musical. Nelson Jesus, maestro e um dos mais prestigiados e promissores compositores portugueses da atualidade, enaltece a capacidade das nossas "bandas todo o terreno" pois os seus músicos tanto podem tocar na aldeia mais recôndita num dia, debaixo do olhar dos mais exigentes entendidos sentados em calhaus, como no dia seguinte, poderão tocar em fabulosos palcos, debaixo do escrutínio de um júri.
Nos dias de hoje, dado o impacto negativo que a pandemia teve na atividade cultural, as bandas estão "estranhamente paradas". Contudo, muitos são aqueles que, de forma isolada, continuam a fazer ouvir apaixonadamente os seus instrumentos, embora, agora, apenas e só no recolhimento do seu lar. Outros mais ousados fazem ecoar o sopro através das redes sociais do mundo virtual, a solo ou em grupo, mostram a todos que a filarmonia não morre, está bem guardada, dentro dos corações apertados de tantos músicos espalhados por todo o país.
É neste contexto único que as três Bandas Filarmónicas do nosso concelho se encontram "sumidas" mas, note-se, longe de estarem "ligadas ao ventilador". Impedidas de manter as suas atividades normais desde o início do mês de março, não há lay-off ou apoio extraordinário que lhes valha. Irão certamente sofrer de forma dura o impacto de mais uma crise. Contudo, a conversa que o RODA VIVA desenvolveu com os presidentes das nossas queridas filarmónicas facilmente mostra que, embora tenhamos que estar atentos, não há que temer. A vitalidade e a capacidade de trabalho será a chave para ultrapassar todas as dificuldades.
Ainda antes do decreto de estado de emergência, cada uma das três bandas do concelho interrompeu os seus ensaios e atividades. Embora numa fase inicial tudo fosse muito imprevisível, obviamente que, numa segunda fase, os concertos de abertura de época ou mesmo relacionados com a época pascal ficaram imediatamente comprometidos e foram anulados.
Segundo as direções das nossas filarmónicas, os músicos foram muito compreensivos e acataram de imediato todas as indicações dos corpos gerentes. Após algum tempo de isolamento completo, alguns elementos começaram a realizar atividades online como publicações individuais e gravações conjuntas. Embora tristes e desanimados, mesmo em confinamento social, os músicos mostram a paixão e a vontade que têm em regressar à atividade. As direções também têm contribuído para que essa vontade não esmoreça e contactam permanentemente com os seus elementos. A Banda de Figueiredo, por exemplo, promove frequentemente um fórum nas redes sociais e desenvolve alguns ensaios à distância
para grupos instrumentais mais reduzidos. A Banda de Arouca, por sua vez, lançou e integrou um desafio em que, de forma virtual, se fez a gravação do Hino de Arouca. Esta iniciativa conjunta com o Grupo Coral de Urrô e o Orfeão de Arouca foi muito interessante e o resultado pode ser ouvido nas redes sociais. O mesmo está a ser realizado pela Banda de Alvarenga que, muito em breve, também divulgará a gravação de uma marcha de rua onde participam os seus músicos.
No entanto, as valências que felizmente se mantêm mais vivas nas estruturas das nossas bandas são as suas Escolas de Música. Embora nenhuma delas tenha carácter oficial, todas seguiram as indicações governamentais e, numa primeira fase, decidiram realizar uma pausa nas suas atividades. Contudo,
mesmo antes da abertura da telescola, já as três Escolas de Música das bandas do concelho estavam a organizar-se para que as suas aulas decorressem à distância. Como tal, neste momento, os jovens aprendizes são acompanhados pelos seus professores de forma síncrona, nomeadamente através de videochamada, ou de forma assíncrona, através de troca de materiais por e-mail ou por recurso a outras plataformas virtuais. Ao nível das Escolas de Música estão obviamente comprometidas as atividades que exigem a proximidade física como as classes de conjunto, coro e as orquestras juvenis. Mesmo assim, as escolas manterão à distância as restantes atividades educativas até ao final do ano letivo. Entretanto, os responsáveis pedagógicos pensam promover eventos online que possam divulgar o trabalho desenvolvido por alunos e docentes.
Não obstante todo o empenho das estruturas diretivas e pedagógicas das nossas filarmónicas, o grande problema ainda está por vir. Desde há muitos anos, este será certamente o verão mais difícil destas coletividades. Nem mesmo no tempo da troika se sentiu tamanho impacto. Segundo os presidentes das bandas do concelho, logo que a pandemia rebentou, as comissões de festas apressaram-se a anular os eventos agendados para abril, maio e junho. Aliás, há mesmo alguns mordomos que já comunicaram a não realização de arraiais em julho e agosto. Todos os restantes serviços estão também em suspenso. A título de exemplo, as festas de São João de Braga, onde a Banda Musical de Arouca iria participar este ano, foram anuladas. Acresce a tudo isto que, recentemente, a Conferência Episcopal Portuguesa decidiu que todas as procissões, festas, concentrações religiosas e outras atividades similares, estão adiadas para o próximo ano pastoral. Como as Bandas Filarmónicas têm na participação em festividades e arraiais a sua maior fonte de receita, prevêem-se tempos muito difíceis para estas coletividades. Nas palavras do presidente da Sociedade Filarmónica Santa Cruz de Alvarenga, José Mendes, "se, com essa receita, já é difícil, nos dias de hoje, manter uma filarmónica de boa saúde e funcional, sem ela, ficamos numa posição bastante delicada". Segundo informações de José Barbosa, presidente da Banda Musical de Figueiredo, a anulação de serviços até ao momento implica a redução de um movimento anual de cerca 40.000 euros que, por si só, representa uma grande perca quer para a instituição quer para os seus elementos. Para além das festividades, também os encontros de bandas e os concursos estão em suspenso. A Banda Musical de Arouca iria este ano participar num concurso em Espanha. No entanto, o presidente Fernando Rui Brandão referiu que até à data ninguém sabe o que vai acontecer, nem mesmo a organização do concurso decidiu ainda se este vai decorrer ou não. A nível anímico, a ausência das mais variadas atividades terá também um grande impacto para as bandas pois é nestes contextos que são desafiadas a mostrar o trabalho realizado durante a longa época de ensaios.
Todavia, as preocupações não se esgotam no já exposto. Os presidentes das nossas filarmónicas estão também desapontados com o facto das entidades competentes ainda não terem sequer contactado com as suas filarmónicas ou, pelo menos, ainda não terem mostrado algum tipo de preocupação. Apenas a Câmara Municipal de Arouca, no intuito de atenuar as dificuldades destas coletividades, deliberou antecipar 50% do subsídio atribuído ordinariamente sem a apresentação e aprovação da respetiva candidatura, nos termos previstos no Regulamento para a Concessão de Apoios ao desenvolvimento Cultural, Social, Recreativo e Desportivo. Os restantes 50% do subsídio, que eventualmente poderá ser atribuído, serão concedidos após apresentação e aprovação da respetiva candidatura, no prazo que vier a ser definido pela autarquia. Este adiantamento do apoio anual pode revelar-se um "balão de oxigénio" para a gestão destas coletividades mas será muito pouco para aquilo que na realidade elas necessitarão, não só para a retoma plena da sua atividade mas também para fazerem face a compromissos fixos e inadiáveis. Assim, neste momento tão difícil, esperemos que o município se revele à altura de ajudar estas nossas coletividades e que atribua efetivamente não só o subjacente do referido subsídio mas encontre ainda outras estratégias para ajudar as nossas bandas de música. Esperemos da mesma forma que outros organismos governamentais, nomeadamente o Ministério da Cultura e as Delegações Regionais de Cultura, não se esqueçam mais uma vez das nossas bandas de música.
No que aos apoios diz respeito, RODA VIVA sabe que a Confederação Musical Portuguesa (CMP) vai pedir apoio ao Governo para as bandas filarmónicas, face à perda de receitas originada pelo cancelamento das festas populares/religiosas devido à COVID-19.
As bandas estão ansiosas por voltar à sua atividade normal. As incertezas são muitas. Nós, amantes da
filarmonia, esperamos que a existência de apoios não seja mais uma delas. As bandas, como sempre, estarão prontas a colaborar. 2020-05-25 Pedro Mendes
 
Arouca

Sexta, 03 de Julho de 2020

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José Luís Alves, presidente AG do FCA, durante a última Assembleia Geral do clube

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