SOCIEDADE
 
“Eu sou como o faz-tudo”
 
José Martins e a esposa
História de vida de José Martins, da freguesia de Moldes
 
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A expressão da frase-título é de José Martins, no alto dos seus 76 anos. Nasceu na Póvoa, Moldes, e foi sempre nesta freguesia que viveu, entre a Póvoa, a Cela e agora Friães.
A verdade é que fez de tudo: foi carpinteiro, electricista, condutor e pedreiro. Fez o que era preciso para viver.
Cedo cumpriu o serviço militar, onde foi preparado para servir o país em África. Foi para a Angola, não sem antes ter andado «sete meses a aprender a matar gente», na instrução feita em território continental.
Em Angola diz que viveu «o melhor tempo» da sua vida pois não matou «nem uma mosca», tendo estado a vender «numa espécie de supermercado» e depois esteve, «um ano e meio a trabalhar como carpinteiro, a montar casernas». Em Portugal esta já era a sua arte e lá o seu fado foi esse, trabalhar na madeira. A esposa de José lembra, em tom jocoso, que este viveu o melhor tempo da sua vida no Ultramar por «tinha lá uma amiga». Foi com o seu pai que aprendeu a trabalhar a madeira, uma arte que por isso diz «já ter nascido com ele».
Quando regressou a Portugal fazia com a madeira aquilo que lhe pediam, de portas a janelas, pipas, baldes e canecos, José trabalhava por encomenda. Trabalhou numa época em que não haviam ferramentas e lembra as «serras laureanas» em que era preciso um esforço de quatro mãos. A sua esposa, é por isso companheira de vida.
A madeira com que trabalhava provinha das suas leiras de monte ou comprava. Lembra a madeira de castanho como aquela que é mais fácil de trabalhar. Trabalhou madeira "macacaúba", de origem brasileira e "mussubi", proveniente de Angola. Ambas nobres e mais caras «mas quem pede, paga».
Os moinhos fizeram também parte da sua vida profissional, lembrando que «todos os moinhos de Moldes
passaram pelas suas mãos» para consertar. Nunca fez um de raíz embora recorde que a maior dificuldade era construir rodízios de madeira. Era preciso muita perícia para fazer encaixar os dentes.
Pelas suas mãos também passaram muitas moegas, quelhas e pelas.
Mas a sua experiência na área da carpintaria alargou-se a um sem número de objectos e utensílios próprios de vidas de outrora.
Quando a lavoura era a grande fonte de sustento das famílias não faltava trabalho. Fez carros de bois, toneis e pipas, caixas de milho e medidas - lembrou o alqueire, o meio alqueire, a quarta e sermil. Charruas também fez muitas. Cabia-lhe a parte de madeira porque as outras eram para o ferreiro.
Chegou a ir a Deilão (S. Pedro do Sul) buscar madeira de "lodo" para fazer cangas. Neste momento, tem uma em mãos que lhe pediram por encomenda.
José Martins dedicava-se à carpintaria porque as suas peças faziam falta para a labuta do dia. Nunca fez
peças para decorações ou feiras de artesanato, há excepção de uma única vez: em tempos, a Câmara Municipal de Arouca encomendou-lhe um caneco para constar numa feira expositiva, em Aveiro, durante a governação autárquica de Zeferino Brandão.
Na era do «comprar feito», urge recuperar a memória de quem sabe fazer para que se perpetuem no tempo os saberes como os do senhor José. 2020-04-01 André Vilar
 
Arouca

Domingo, 07 de Junho de 2020

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A Frase...

"Ninguém, no governo actual, está a fazer um favor a Arouca mas sim a fazer-se justiça a um concelho, a um povo"

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, durante a consignação da estrada Escariz / A32

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