SOCIEDADE
 
Arouquenses cumprem regras do isolamento social
 
Joel Moreira, Marlene Almeida, Teresa Vasconcelos e Fernando Correia
VOX POPULI | RODA VIVA percorre o concelho em busca de reacções dos cidadãos à pandemia do Covid-19
 
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
Joel Moreira, 24 anos, Mansores, Funcionário de Escritório na Empresa 'Magrimal'

"O mais sensato é fechar tudo"

"Em termos estatísticos, é nos idosos que há maior mortalidade em caso de contágio, noutras faixas etárias os casos mais graves são mais esporádicos, situações de outras doenças associadas. Como aqui nesta zona das freguesias de Chave e Mansores há muitas pessoas da 3ª idade, essa é uma realidade preocupante. Dou um exemplo: o Centro de Dia está fechado em Mansores. Vai ser muito complicado se os idosos continuarem em casa muito tempo sem o habitual acompanhamento diário da instituição.
A nível de empresas, algumas vão fechando por falta de recursos. Se as empresas fecham, as pessoas ficam em casa, podem haver empresas que se aproveitam e declaram falência ou dão férias aos seus funcionários. Há que ver caso a caso. Eu continuo a trabalhar. O meu trabalho está aberto ao público porque o agricultor tem de trabalhar. Se os agricultores não trabalham e não compram do que necessitam para laborarem, não há comida para a população. Em número de clientes, nota-se, claro, uma afluência mais fraca.
Do ponto de vista económico, o melhor a fazer seria a fabricação de notas por parte do Banco Central Europeu para servir as empresas e as pessoas. Dinheiro para que as empresas não tenham prejuízo nem lucro. O Estado não perdia dinheiro e as empresas não perdiam dinheiro. As pessoas ganhavam o seu salário base para conseguir levar a sua vida com dignidade enquanto estavam em casa.
Se querem mesmo acabar com o coronavírus, o mais sensato que há a fazer é fechar tudo por duas semanas. Enquanto houver pessoas a ir a cafés, estabelecimentos, centros comerciais, a praias... nunca vai acabar. Temos de encontrar uma solução mundial. Não se pode andar aos arranjos, aos bocadinhos."


Marlene Almeida, 35 anos, Mansores, Professora de Educação Especial no Agrupamento de Escolas de Esmoriz-Ovar Norte

"Ando muito ansiosa"

"Uma pessoa anda com o coração nas mãos, estou em casa com os meus filhos (o mais velho com dois anos e meio e o mais novo com oito meses), assim como o meu marido. Eu vivo também com os meus pais e acho que as pessoas mais velhas estão a desvalorizar um pouco esta situação, aqui tem-se muito a ideia de que o vírus só anda nas cidades. Para além dos meus pais e dos meus filhos que são grupos de risco, ainda tenho uma irmã doente. Temos a sorte de estar numa aldeia, temos um pátio grande onde podemos sair para espairecer, mas evitamos ao máximo sair de casa. O Estado de Calamidade em Ovar também nos preocupa muito porque Esmoriz faz parte do concelho de Ovar. Estou sempre em contacto com colegas meus da escola para saber se há algum aluno infectado. No meu trabalho eu sento-me ao lado deles. Ando muito ansiosa com esta situação. Na maior parte dos nossos grupos de apoio, para além de dificuldades cognitivas, há também necessidades económico-sociais das famílias. Isto do ensino à distância é muito bonito, mas para os alunos que se desenrascam sozinhos. O que vou dando neste momento são principalmente sites, jogos para trabalharem a memória e a concentração. Noto igualmente os emigrantes a voltarem à freguesia. Esta pandemia não passará de um dia para o outro. Temos que ser responsáveis pelos nossos actos. Por nós e pelos outros!"


Teresa Vasconcelos, 58 anos, de Chave, Educadora no Jardim-de-Infância da Serra da Vila, em Mansores

"Estar em casa não é sinónimo de não fazer nada"

"Esta situação apanhou-nos de surpresa e o meu trabalho é com aquilo que há de mais sensível que são as crianças. Tentámos clarificar as coisas, mas sem medos. Tenho ligado todos os dias às crianças e às famílias, os filhos estão naturalmente dependentes dos telemóveis dos pais. Tenho neste momento 12 pais ligados no whatsapp de um grupo de 20, acabei por lhes dar umas tarefas para o Dia do Pai, quase como se estivessem em ambiente normal de jardim-de-infância. Os pais têm uma estreita ligação comigo e ficaram felicíssimos com esta iniciativa. O facto de estar em casa não é sinónimo de não fazer nada em prol das crianças com quem trabalho. Estamos hoje mais ligados do que nunca afectivamente e, por isso, há que inventar novas formas de comunicação, há que manter a ligação, há que articular com as famílias e criar uma rede de inter-ajuda. As educadoras do Agrupamento de Escariz estão a criar canais de comunicação e materiais para partilha com as crianças através dos encarregados de educação. As educadoras mantêm também os telemóveis activos todo o dia para comunicação entre pares.
A minha vida social resume-se às pessoas cá de casa. Espero que, sobretudo num meio ambiente rural, que não nos seja proibido irmos até ao campo, para termos essa felicidade, o campo e o quintal são uma boa terapia. Quer queiramos quer não, o Covid-19 deita-se connosco e levanta-se connosco. Um ‘nano ser' que apareceu sem avisar e tolheu-nos a todos."


Fernando Correia, 70 anos, Chave, Reformado

"A nível familiar nem nos temos reunido"

"Tenho tido cuidado em sair de casa apenas o necessário. Só saio uma vez por dia. Vou ao café buscar o pão, tomo café e venho logo embora, mantendo a devida distância para as outras pessoas. Medo por ser de um grupo de risco? Claro, é humano, temos todo algum receio de como o vírus possa propagar. Tomo a minha medicação normal para as tensões arteriais, mas, quanto a pulmões ou sistema respiratório, não tenho problema algum que conheça. Sou fumador, mas tenho reduzido nos cigarros recentemente. Enfim, todo o cuidado é pouco, temos de ser responsáveis e cuidadosos connosco próprios. A nível familiar nem nos temos reunido, os meus filhos ligam para saber como estamos e temos estado em contacto dessa forma." Ruben Tavares 2020-03-19

 
Arouca

Quarta, 12 de Agosto de 2020

Actual
Temp: 18º
Vento: NNW a 3 km/h
Precip: 0 mm
Céu Limpo
Qui
T 24º
V 5 km/h
Sex
T 23º
V 5 km/h
PUB.
PUB.
 
PUB.
 
A Frase...

"Ser padre é dar a vida, renunciar muitas vezes às minhas vontades, ouvir os sofrimentos das pessoas e sofrer com elas"

Misael Fermín Calderon, o novo vigário paroquial de Arouca

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 14 visitantes online