POLÍTICA LOCAL
 
«É difícil gerir um território tão extenso sem funcionários»
 
Joaquim Cunha
ENTREVISTA | Joaquim Cunha, autarca da freguesia de Canelas-Espiunca
 
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É a freguesia da moda do município de Arouca. É lá que autarquia tem feito os mais vultuosos investimentos das últimas décadas, com a construção dos Passadiços do Paiva e agora com a Ponte Suspensa. Desde a inauguração dos Passadiços que a "União de Freguesias de Canelas e Espiunca" abandonou a sua melancolia diária para se tornar o "coração" do turismo em Arouca. Muitos milhares de turistas vindos de vários pontos do país e do mundo passaram a conhecer o nome de Canelas e Espiunca.
A liderar esta União de Freguesias está Joaquim Cunha, 58 anos, eleito pela coligação PSD/CDS. Já é um histórico autarca do PSD - depois de ter sofrido três derrotas e de liderar a oposição, conseguiu, em 2005, destronar do poder em Canelas um dinossauro do poder local - Mário Pinho (CDS). Repetiu a vitória e maioria absoluta em 2009. A partir de 2013 vence a corrida eleitoral com as duas freguesias vizinhas Canelas e Espiunca agrupadas. Joaquim Cunha foi ainda durante seis anos presidente do Centro Cultural de São Miguel de Canelas, exerceu durante igual período o cargo de secretário da Mesa da Assembleia Municipal e ocupa actualmente o lugar de presidente da Assembleia Geral da Associação Geoparque Arouca. Casado, tem dois filhos, e é militante do PSD desde os 17 anos.

A assimilação da ‘União de Freguesias de Canelas e Espiunca' já está plenamente assumida pelas populações?
A agregação das duas ex-freguesias Canelas e Espiunca, foi um processo completamente pacífico e aceite pelas populações dos vários lugares. Naturalmente que há costumes e tradições diversificadas, no entanto o território está perfeitamente interligado, não só pelo grande factor natural e de grande interesse que é o Rio Paiva que atravessa toda a freguesia, mas também pelos equipamentos sociais como a Escola Básica e o Centro Social de Canelas e Espiunca entre outros motivos comuns. Enquanto Presidente da Junta, fui sempre bem recebido em todos os lugares, tanto em Canelas como em Espiunca.
Digo, no entanto, que a ideia do governo de reavaliar o processo de fusão de freguesias, sem dizer quais são as regras ou objectivos, pode naturalmente criar alguma expectativa em algumas pessoas que gostariam que o processo voltasse às suas origens. Independentemente do que possa acontecer, respeito naturalmente as visões que cada pessoa possa ter acerca deste assunto.

Qual é a estratégia utilizada para gerir os anseios de populações com características diferentes como são as de Canelas, Espiunca, Vila Viçosa e Mealha?
Como disse antes, não tem sido difícil trabalhar com as populações dos vários lugares. A estratégia passa por ouvir as ideias das pessoas e ir ao encontro das suas necessidades, resolver os problemas que afectam os lugares dando sempre a certeza de que todos os lugares da freguesia recebem o mesmo tipo de tratamento.

Que balanço faz até ao momento deste mandato?
O balanço é sempre positivo. Ainda não mostramos grandes obras, mas estamos a trabalhar em projectos muito interessantes para lançar a curto prazo. Projectos esses que são do maior interesse das populações.

É diferente trabalhar com a presidente da Câmara Margarida Belém, comparando com o antecessor [Artur Neves]?
Naturalmente, cada pessoa é diferente o que quer dizer que cada um tem a sua própria personalidade. No caso, foi sempre fácil trabalhar, quer com o engenheiro Artur Neves, quer com a doutora Margarida Belém. Nunca foi por aí que algumas reivindicações não se concretizaram. A Junta sempre colaborou com o executivo camarário. Ao contrário do que possa parecer, damos sempre a conhecer à Câmara as necessidades da freguesia, reivindicando melhorias para a freguesia.

Qual é a grande bandeira para este mandato?
Temos várias bandeiras para este mandato. Em termos de Junta, concretizar a implantação da toponímia em toda a freguesia, processo que se arrasta há vários anos e que queremos ver finalmente concluído. Outro sector no qual estamos a trabalhar é o das comunicações: esperamos que a fibra óptica possa, num futuro próximo, cobrir praticamente toda a freguesia. Outra grande obra que a Junta espera ver concretizada é a criação de uma centralidade em Canelas, obra já pedida à Câmara desde 2006! Aqui existe um compromisso por parte da Câmara para que seja adquirido um terreno, perto do Centro Social, para lá ser contruído um parque de estacionamento com algo que convide os visitantes a parar no centro de Canelas. Este equipamento servirá obviamente a população local. É uma das reivindicações justíssimas feitas por parte da população. Queremos também obras de beneficiação nas vias de comunicação em Canelas e em Espiunca. São absolutamente necessárias dado o aumento do volume de tráfego.

A sua freguesia está no centro da aposta turística do município. Tem tirado os respectivos dividendos dessa aposta?
A verdade é que a freguesia tem dado uma grande contribuição para o desenvolvimento turístico do
município de Arouca e não só. Enquanto autarca e presidente da junta sempre elucidei as pessoas da freguesia a lançarem os seus negócios locais. De início os residentes andaram um pouco adormecidos mas agora já há vários negócios que vivem em torno dos visitantes dos Passadiços. Dou o exemplo de dois restaurantes que a freguesia tem em Canelas, de outro que está a ser construído em Espiunca, de algumas casas de alojamento local, de bares junto ao rio entre outros negócios. Dado que Canelas é um local de passagem, a criação da tal centralidade vai contribuir para a instalação de mais negócios.

Como é que as populações estão a viver com o frenesim dos últimos anos provocado pelos Passadiços?
A abertura dos Passadiços do Paiva trouxe uma espécie de loucura para toda a gente, principalmente para as gentes desta freguesia. Ninguém imaginava que por ano passassem por aqui largos milhares de visitantes. Penso no entanto que, depois de se ter criado restrições ao número diário de visitantes e estacionamento junto aos passadiços, a vida por cá estabilizou um pouco mais. No entanto a população está agora, e com razão, muito mais reivindicativa pedindo maior investimento por parte do município. Não só para a criação de infra-estruturas mas também para a requalificação das infra-estruturas e rede viária já existente.

A construção da Ponte Suspensa vai ser uma mais-valia para os Passadiços do Paiva?
A construção da Ponte Suspensa, que será a mais extensa do mundo, acabará certamente por ser uma mais-valia para os Passadiços do Paiva. Quem vier atravessar a ponte vai por certo percorrer o resto do percurso, uma coisa conduz à outra. Como os passadiços já ganharam vários prémios internacionais ligados ao turismo, prevejo que a ponte também vença mais galardões. Uma coisa é certa, a freguesia de Canela e Espiunca, que me orgulho de presidir, ficará na história não só pelos belíssimos passadiços, mas também por, juntamente com Alvarenga, ter a maior ponte suspensa do mundo. Devo lembrar que temos as famosas trilobites que são a imagem do Arouca Geopark, a cuja associação a que a freguesia é sócia fundadora e preside à assembleia geral desde a sua fundação. Não esquecer ainda que temos as melhores praias fluviais do concelho, Praia Fluvial do Areinho, Vau e Espiunca.

Não o incomoda o elevado custo daquele equipamento?
Todos sabemos que a Ponte Suspensa é um equipamento caro, dadas as características da obra e as dificuldades do terreno. No entanto penso que haverá um retorno do investimento, que também será aproveitado sobretudo pelas populações adjacentes. O que também queremos é que as populações locais sintam que o seu território também se desenvolve. Mas volto a reiterar a necessidade de melhorias nas infraestruturas da freguesia. Relembro que aquando da criação dos passadiços fui daqueles que apoiou e acreditou no sucesso da estrutura que acabou por superar as expectativas.

Têm chegado queixas em torno da suinicultura de Mealha à Junta de Freguesia?
É natural que a Junta de Freguesia seja muitas vezes questionada sobre a situação em torno da suinicultura de Mealha. É obrigação da Junta transmitir os receios e reclamações das populações envolventes. A própria Câmara sempre nos disse que, em caso de anormalidade, comuniquemos a situação. Isso já aconteceu várias vezes. O município tem demonstrado vontade em averiguar com relativa rapidez quando há suspeitas de alguma situação anormal. Não podemos deixar de estar atentos às questões ambientais para que tudo possa ser minimizado e controlado protegendo quem vive perto e quem lá trabalha.

A Junta tem rubrica para apoio das colectividades?
Todas as associações da freguesia, que são nove, recebem apoios monetários e logísticos por parte da Junta de Freguesia. Acho que as associações são uma mais-valia para a freguesia, construindo um conjunto de actividades e interacção humana de grande relevo.

Quais os principais obstáculos à sua gestão?
Numa freguesia dispersa e extensa (mais de 35 km2) torna-se difícil a gestão de todos os espaços públicos que temos de gerir: são duas sedes de junta, quatro cemitérios, equipamentos desportivos, casa mortuária, casas de banho públicas, rede extensa de caminhos entre outros equipamentos e problemas que possam surgir e que temos de resolver. O facto de não dispormos de funcionários ao serviço da freguesia cria dificuldades extremas, pelo que nós próprios, com os nossos recursos limitados, vamos resolvendo, por vezes recorrendo a outros serviços.

A voz da oposição faz-se sentir no executivo?
Até ao momento não tem acontecido. Se apresentarem alguma proposta que possa ser positiva para a freguesia podemos aproveitá-la, não temos problemas com isso.

Como histórico militante do PSD, como vê a situação actual do partido?
É sempre difícil ser oposição. O partido tem procurado fazer o seu papel, num ciclo difícil, onde Arouca tem sobressaído em alta no panorama turístico nacional. Porém, quer os presidentes de junta, quer os membros da assembleia do PSD muitas vezes reconhecem o que de bom se faz, procurando também alternativas para o que julgam estar menos bem no que respeita às políticas locais. De uma ou outra forma o partido deve, no seu todo, continuar a contribuir para o desenvolvimento de Arouca, procurando ser uma alternativa credível num terreno onde ainda tem boa implantação.

Defina o autarca Joaquim Cunha.
Acima de tudo sempre tive uma preocupação extrema com os problemas da freguesia, deixando muitas vezes de lado a família e as coisas pessoais. Procurei e procuro sempre nos vários cargos que já ocupei representar a freguesia o melhor possível, dando-lhe a maior dignidade. Em suma, considero-me um autarca participativo mas humilde, que gosta de estar no meio do seu povo.

O seu refúgio na freguesia...
Um bom passeio ao longo das margens do rio Paiva faz sempre aliviar o stress, recuperando as forças para ultrapassar as dificuldades e até saborear as coisas do dia-a-dia.

Que legado gostaria de deixar em Canelas-Espiunca?
Gostaria de deixar acima de tudo uma marca de proximidade junto dos cidadãos, a par do desenvolvimento que a freguesia teve e vai continuar a ter nos próximos anos.

Vai recandidatar-se a um último mandato em 2021?
Naturalmente que em seu devido tempo me irei debruçar sobre o assunto, embora ainda seja cedo para isso. Mas aproveito este espaço para agradecer aos que comigo tem trabalhado, desde o executivo aos membros da Assembleia, associações e claro aos cidadãos que me têm ajudado a ultrapassar muitos obstáculos. JCS 2019-04-02

 
Arouca

Segunda, 23 de Setembro de 2019

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