SOCIEDADE
 
“Mana Maria” em terras de Moçambique
 
Maria do Carmo em plena formação
Maria do Carmo Martins, arouquense da freguesia de Escariz, fez voluntariado no norte do país-irmão do Índico. Missão formativa, mas também de troca de humanidades
 
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"Ir ao encontro do outro!". Maria do Carmo Martins, de Escariz, disse "sim" a um convite para a Missão, tendo dado três meses da sua vida, entre Março e Maio deste ano, a uma comunidade da província de Niassa, no Norte de Moçambique.
Na ressaca da "Semana Missionária" vivida pelas paróquias de Arouca, esta leiga activa da Paróquia de Santo André contou-nos a sua experiência em Massangulo, localidade no interior profundo daquele país-irmão, onde as agruras de uma vivência campesina são mitigadas pelo apoio da Igreja Católica.
"Fui em voluntariado", sublinhou, dando nota de que a sua primeira aproximação a este "ir ao encontro" aconteceu em 2009, quando visitou uma missão católica na Tanzânia. "Ficou esse bichinho" e as relações estabelecidas entre a Paróquia de Escariz e os Missionários da Consolata abriram-lhe este mundo mais vasto.
Modista em fase de lançamento de negócio próprio [ver caixa], Maria do Carmo sentiu que queria aprofundar a experiência de trabalhar em outras terras, ajudando outras gentes. "Pensei que tinha de avançar antes de abrir o meu atelier", confidenciou-nos. "Era o momento certo", sentenciou.
"Mana Maria", como lhe passaram a chamar os habitantes da comunidade moçambicana, ofereceu não apenas a sua humanidade àquela gente, mas também os seus conhecimentos enquanto modista.
A ideia foi formar as dezenas de jovens que frequentam as escolas de Massangulo.
Testemunhou que, ali, a tradição determina que sejam os homens - "alfaiates" - a assumir a tarefa de fazer roupa. A mulher ainda está muito confinada ao ter filhos, criá-los e trabalhar a terra nas "machambas"
Deu conta de que os formandos foram-se chegando ao centro de formação instalado na Missão católica, mas que só uns sete - três raparigas e quatro rapazes - é que se interessaram "a sério" pela profissão.
Enquadrou-os numa sociedade marcada pelos valores ancestrais: a maior parte das pessoas professam a religião muçulmana e mesmo os cristão permanecem ligados à cultura islâmica dos seus antepassados. O que, por exemplo, marca a condição da mulher e a sua participação no dinamismo económico.
Maria do Carmo assinalou que encontrou aí uma meia-dúzia de máquinas de costura, acentuando que apenas uma funcionava. E faltavam técnicos para reparar as outras. Disse que na região, e até em Moçambique no seu todo, faltará formação que crie as competências exigidas por um caminho de desenvolvimento.
Também não pôde deixar de constatar a pobreza dos habitantes que vivem, na sua maioria, nas tradicionais "palhotas", casas feitas com barro e palha, e que frequentemente demandam a Igreja em busca de auxílio.
"Marcou-me a humanidade das pessoas", sublinhou. Com nota de que o tal tratamento de "Mana" lhe era dado mesmo por quem não conhecia. Sentiu que quando lhe davam o "bom dia" e lhe perguntavam "como estás?" queriam mesmo saber de si.
A voluntária de Escariz avançou para o país de língua oficial portuguesa do Índico com os objectivos de "conhecer outra cultura" e de saber o que essas pessoas "esperam da vida" e "como vivem a sua Fé".
Enfatizou que "três meses é muito pouco tempo", até porque o primeiro "foi para conhecer as pessoas". Recordou a troca de ideias mantidas com alguns jovens, que compartilharam o seu desejo de mudar algo no modo de vida local e a sua ânsia por melhores condições de vida.
Salientou a dificuldade de encontrar futuro numa terra sem indústrias e onde as vias de comunicação são de "péssima qualidade". Mas há quem esteja consciente de que é preciso mudar: um rapaz deu-lhe conta da sua convicção de que era preciso alterar práticas ancestrais. Como a que dita vender a baixo preço quase toda a colheita de milho, para depois o recomprar a preços mais elevados a quem se vendeu antes...
"As pessoas têm telemóveis e acesso à Internet e conhecem as possibilidades que o mundo lá fora oferece", vincou. Com nota de que muitos jovens mudam-se para a costa moçambicana, em busca de empregos no sector turístico.
Garantiu que uma experiência como a que viveu "beneficia qualquer pessoa". Em especial os mais novos, como acrescentou, certa de que não basta saber que certas realidades existem - "é fundamental ver com os próprios olhos".
Deu conta da importância dessa aproximação ao outro mesmo entre nós. O grupo "Solidários" dos Missionários da Consolata tem acção junto dos sem-abrigo do Porto e jovens de Escariz têm participado nessa Missão. AOS 2018-10-17

Ateliê "Carriça"
Maria do Carmo Martins concluiu o curso de Modista em 2016 instalou-se recentemente em Cesar, no edifício Casarão, onde instalou o Atelier de Costura "Carriça". Aí está a cumprir o seu sonho de realização profissional.

 
Arouca

Sexta, 18 de Janeiro de 2019

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