SOCIEDADE
 
A 'Clarks' em Santa Eulália
 
Uma das manifestações de trabalhadores em Arouca (arquivo)
HISTÓRIA | A fábrica de calçado que mudou o concelho de Arouca
 
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Remonta a 1986, a implementação da multinacional C&J Clarks em território arouquense.
Fundada pelos irmãos Cyrus e James Clarks em 1825, a fábrica de calçado com sede em Inglaterra, instalou-se no lugar da Malhadoura, Santa Eulália, ladeando-se pela também fábrica de calçado, Pinto Somerset. Existiam ainda em Portugal mais dois centros de produção da mesma empresa, um em Castelo de Paiva, que empregou cerca de 600 pessoas e outro em Vila Nova de Gaia.
A Clarks foi primeiro emprego de muitos arouquenses numa altura em que não existia escolaridade obrigatória e que aos 16 anos se entrava no mercado de trabalho. Vinham jovens trabalhadores um pouco de todas as freguesias do concelho, com destaque para aquela onde se encontravam as instalações.
Empregou, formou e implantou nos seus colaboradores o sonho de construir uma vida melhor, que viam nesta multinacional a oportunidade de investir na compra de carro e na construção de casa e família.
Além disso, em Arouca, a fábrica desta marca de sapatos, serviu de mote à emancipação feminina, tendo sido uma das primeiras empresas a contratar mulheres, seguindo-se à camisaria que tinha existido exactamente nas mesmas instalações, anos antes. Esta firma deu os primeiros passos no caminho da igualdade de género no pós 25 de Abril de 1974. Lado a lado com os homens, trabalharam mulheres nos vários departamentos, desde a produção até à administração, ocupando mesmo os lugares de chefia.
A Clarks oferecia aos seus colaboradores boas condições de trabalho e salários acima da média na área do calçado.
Quando abriu em Arouca, contava com cerca de 25 jovens na secção de corte e no mês seguinte iniciava a secção de costura. Depois de nove meses de laboração foram escolhidos seis trabalhadores, quatro mulheres e dois homens, para formação no Centro Tecnológico de Calçado no concelho vizinho de São João da Madeira. Desta formação, saíram aptos a formar os novos trabalhadores que ingressassem na multinacional.
Contudo, a história da Clarks em Arouca não teve um final feliz. Em 1992 a C&J Clarks fundiu-se com a Pinto Somerset, resultando desta fusão cerca dez despedimentos dos colaboradores afectos à Pinto Somerset que tinham funções de chefia, como por exemplo os monitores, uma vez que eram cargos que já existiam na Clarks, estes optaram por ficar com os seus colaboradores, dispensando os que vinham da empresa agora unificada.
Mais tarde, em Outubro de 1999 esta unidade fabril tinha colocado mais 51 trabalhadores no desemprego. Dois anos depois, a 12 de Janeiro de 2001 os trabalhadores da Clarks foram confrontados, à chegada ao trabalho, com a notícia de que a fábrica ia deslocar a produção para a Índia, justificando esta decisão com a "redução gradual dos pedidos de sapatos de homem produzidos na fábrica de Arouca e Castelo de Paiva", como era possível ler-se no comunicado deixado à entrada da fábrica. A dispensa de pessoal foi dividida em duas fases, uma em Abril, em que foram dispensados 302 trabalhadores e em Junho e Julho os restantes 66.
O presidente da Câmara Municipal de Arouca, na altura Armando Zola, que havia recebido via fax a pretensão de encerrar aquela unidade fabril, deslocou-se ao lugar da Malhadoura, acompanhado pela sua equipa, e no local declarou que estava solidário com os trabalhadores e do lado destes, e que tudo iria fazer para colaborar na resolução do problema, apelando aos trabalhadores para não se precipitarem e seguirem as indicações dos sindicatos.
No entanto, o encerramento desta indústria não foi pacífico, na medida em que a implantação da indústria
em Portugal se tinha realizado com recurso a fundos estatais e da União Europeia, a que Portugal havia aderido no mesmo ano. Esse facto obrigava a empresa a cumprir algumas normas impostas pelos fundos comunitários, nomeadamente no que diz respeito ao emprego. Além disso, quando se tornou pública a pretensão de encerrar a filial de Arouca, foram realizadas manifestações, que trouxeram a território arouquense algumas individualidades sindicais e políticas, sendo os nomes mais sonantes o de Miguel
Portas, do Bloco de Esquerda e de Carlos Carvalhas, na altura Secretário-geral do Partido Comunista Português.
Em 2001, despediu 368 trabalhadores em Arouca e nos anos que se seguiram, até 2004, fechou todos os centros de produção em território nacional, lançando para o desemprego 1289 pessoas.
Embora o final não tenha sido feliz, a Clarks foi escola para muitos dos funcionários que ainda hoje se mantêm ligados ao ramo do calçado. 2018-07-31 André Vilar
 
Arouca

Quarta, 12 de Dezembro de 2018

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