CULTURA
 
23º Festival mantém cultura folclórica em Canelas
 
Imposição da fita ao estandarte das Lavradeiras de Canelas
No primeiro sábado de Julho de cada ano, a freguesia recebe o festival de folclore, organizado pela associação "As Lavradeiras"
 
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A aldeia de Canelas, na União de Freguesias de Canelas e Espiunca, recebeu no passado dia 7 de Julho a 23ª edição do festival de folclore, organizado pela associação do rancho folclórico "As Lavradeiras de Canelas". RODA VIVA acompanhou o evento e recuperou memórias deste grupo fundado em 1985.

No primeiro sábado de Julho de cada ano, Canelas recebe o festival de folclore, organizado pela associação do rancho folclórico "As Lavradeiras de Canelas", tendo o evento completado no passado dia 7 de Julho a sua 23ª edição.
O festival surgiu 10 anos depois de ter surgido a associação, cujo objectivo era recuperar as tradições folclóricas que tinham nascido na freguesia de Canelas na década de 40, com o extinto Rancho de Canelas, para participar nos concursos da então recente Feira das Colheitas.
"As Lavradeiras de Canelas", fundada em 1985, nasceu na Aldeia de Cima de Canelas, que integra hoje a
União de Freguesias de Canelas e Espiunca. Nessa altura, houve um grupo da Aldeia de Baixo que estava a ensaiar uma peça de teatro e que também quis fundar um rancho. Desse segundo grupo, fazia parte Ernesto Vieira.
«O grupo cá de cima, mais pobre, foi crescendo, com tocadores daqui e d'acolá, o de lá de baixo que tinha mais pernas para andar, morreu. E eu como gostava de dançar aí nas eiras, nos bailaricos, depois vim aqui para cima», disse ao RV Ernesto Vieira, que foi também presidente da associação do rancho folclórico "As Lavradeiras de Canelas", durante 15 anos (entre as décadas de 1990 e 2000). Formado o grupo, começaram os ensaios e as actuações no concelho de Arouca, até que chegam os convites para fora e para festivais de folclore. «E então chegamos a um ponto em que dissemos: se vamos participar
em festivais, vamos também tentar organizar o nosso aqui na freguesia».
O primeiro festival aconteceu no local onde se realiza a festa da Senhora dos Anjos, sendo que o segundo se realizou mesmo na noite da festa religiosa. Para o terceiro festival de folclore, o rancho reuniu e concluiu que «não tinha nada a ver incluir o festival na festa e até era mais um evento que ia surgir na
freguesia» e decidiu escolher o primeiro sábado de Julho para realizar a sua festa e a zona das Eiras como local.
Vieira, que era o presidente da associação, achava que «não ia ser fácil» fazer o festival no Lugar das Eiras, pelo «pouco tempo» e pelo espaço reduzido (além das eiras, apenas existiam campos à volta), «mas lá se arranjou maneira de montar ali um palco, e fez-se».
Tornado o festival numa realidade, surge a ideia de construir uma sede, que também não demorou a ser real. Comprou-se o terreno - os campos junto às eiras - e contactou-se o arquitecto Adriano Figueiredo, que explicou as condições do projecto: «tinha de ficar tudo no nível abaixo dos palheiros, a casa de banho tinha de ser num estilo quase canastro», explicou, acrescentando que quando se levou o projecto à Câmara Municipal a mesma «ao início, até meteu algumas reticências em relação ao rancho conseguir fazer a obra». No entanto, "As Lavradeiras de Canelas" sonharam e a literal obra nasceu.
«Até recebemos um troféu de melhor obra do ano», contou Ernesto Vieira, que no ano em que foi inaugurada a sede, em 2003, ainda era o presidente da associação. «Hoje, corremos o país e vemos outras sedes, mas são inferiores, aliás os grupos que vêm aqui ficam admirados como é que o lugar, Canelas, consegue ter uma sede assim», acrescentou.
Para Ernesto Vieira, fazer parte do rancho folclórico, ter presidido a associação durante 15 anos, e todo o percurso e história do grupo são factos que constituem «um orgulho, sem dúvida, em qualquer parte do mundo» e que «nem se discute». «Vamos ao Minho, ao Sul, a Lisboa, ao Ribatejo, seja onde for, eles podem ser muito bons, mas nós somos os melhores», concluiu, num misto de riso e assertividade.

A edição deste ano

A actual presidente, Cristina Abreu, diz que «valeu a pena» concretizar, mais um ano, aquela que é a «grande festa» da associação. «Penso que os ranchos convidados, pela alegria e pela forma de agradecer deles, saíram daqui satisfeitos», referiu, contando que para organizar a festa é necessário um «trabalho de equipa», que tem sido alcançado. «O grupo todo participa na parte das limpezas, de cozinhar, de servir, todos fazem um bocadinho de cada».
Pelo segundo ano consecutivo a presidir a associação do rancho folclórico, Cristina Abreu reconheceu que este ano «organizar foi mais fácil do que no ano passado que foi a primeira vez» e que «o mais complicado é arranjar os ranchos, muitos já não estão disponíveis», outros querem as permutas este ano e são "As Lavradeiras de Canelas" que já não têm agenda.
O evento contou, nesta edição, com as presenças dos ranchos folclóricos Típico de Santa Maria de Sequeira, de Braga, As Ceifeiras de Santa Maria de Medas, de Gondomar e o Rancho Folclórico de Canelas, de Vila nova de Gaia.
Os grupos convidados chegaram a Canelas a meio da tarde e jantaram na sede da associação do rancho organizador. Pelas 21h00, os ranchos começaram a organizar-se, na estrada, em frente à Junta de Freguesia, para depois desfilarem até ao Lugar das Eiras, e se apresentarem no palco por ordem de actuação.
Às 21h20, cerca de uma centena de pessoas, maioritariamente da aldeia de Canelas, esperava o início da noite de folclore. Às 21h30, com a chegada dos ranchos, começou o evento. Atrás dos grupos, foram chegando outras centenas de pessoas que se juntaram também à volta do palco ao ar livre para assistir às actuações.
Na abertura do festival, foram convidados para oferecerem as fitas da 23ª edição do festival de folclore de
Canelas aos ranchos presentes, a vereadora da cultura da Câmara Municipal de Arouca, Fernanda Oliveira, o presidente da União de Freguesias de Canelas e Espiunca, Joaquim Cunha, o padre da paróquia, Luís Mário e, para colocar a fita no estandarte do rancho local, foi convidado Artur de Andrade Pinto.
Todos enalteceram o trabalho do grupo de Canelas, tendo a vereadora da cultura realçado a presença de crianças e jovens no folclore, mantendo viva a tradição. Seguiram-se as actuações folclóricas, que terminaram perto da meia noite.
«Acho que foi uma noite bem passada, correu tudo bem, gostamos muito dos grupos que cá vieram, e viu-se pelo pessoal que estava aí que foi uma noite mesmo de folclore, apesar de haver outras festas mesmo aqui na união de freguesias de Canelas e Espiunca», concluiu Cristina Abreu, minutos depois do encerramento do festival. «Orgulhamo-nos de trazer aqui os ranchos, jantarmos na nossa sede, fazermos tudo nesta sede, orgulhamo-nos de mostrar o que é nosso e que nem todos os ranchos têm», acrescentou a presidente da organização.
O rancho folclórico "As Lavradeiras de Canelas" conta com cerca de 40 elementos e 12 pares dançantes, o que Ernesto Vieira considera «um grupo bom», uma vez que «em alguns ranchos vê-se mulheres a dançarem com mulheres, porque há falta de homens» e o seu rancho nunca teve de fazer isso. Reconhece, ainda assim, que «é mais difícil trazer jovens», há raparigas novas a dançar, «mas os rapazes ainda têm de vir», apela, considerando que «há vários jovens na freguesia».
E nem só de pessoas de Canelas se fazem "As Lavradeiras". Há também, por exemplo, um casal de professores que mora em Baião e compõe este rancho há cerca de cinco anos. «Têm gosto, senão não vinham de tão longe, têm grupos na terra deles, mas preferem o nosso», contou Vieira ao RODA VIVA.
"As Lavradeiras" participaram no mês de Junho no festival de folclore organizado pelo rancho As Ceifeiras de Santa Maria de Medas, em Gondomar; no dia 21 de Julho no de Santa Maria de Sequeira, em Braga, e para o próximo ano estarão no festival do Rancho Folclórico de Canelas de Vila Nova de Gaia. São as permutas, o método habitual de funcionamento dos festivais de folclore.
O festival faz com que Canelas mantenha viva a tradição do folclore, nascida em 1948, na altura dos primeiros concursos da Feira das Colheitas, ano em que a freguesia de Canelas, ao lado da de Fermedo, conquistou o terceiro prémio.
O evento aproxima-se das bodas de prata, fazendo-se acompanhar, todos os anos, pelo orgulho daqueles que constituem o grupo e daqueles que, no emblemático Lugar das Eiras, no meio de canastros e palheiros, o aplaudem e vivem a cultura, a história, a identidade desta freguesia e desta aldeia de telhados de xisto, localizada na margem esquerda do rio Paiva. Cátia Cardoso 2018-07-31

 
Arouca

Domingo, 16 de Dezembro de 2018

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