CULTURA
 
Os bastidores da Recriação Histórica
 
António José ensaia o seu personagem 'Frei Simão de Vasconcelos'
Edição deste ano vai incluir as repercussões que o terramoto de 1755 em Lisboa teve em Arouca e no seu Mosteiro
 
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Decorre a semana de intensos ensaios para as muitas dezenas de figurantes e de actores que assumirão a Recriação Histórica "Arouca, História de um Mosteiro", evento emblemático do calendário arouquense que regressa no próximo fim-de-semana.
Miguel Carvalho, o coordenador-geral, disse-nos que os trabalhos intensificaram-se, salientando que este reviver da vida monacal e de episódios marcantes da vida local e, mesmo, do país, envolve cerca de 430 pessoas.
"Que venha muita gente!", proclamou, certo de que os públicos não darão por mal empregue o seu tempo. "Será um fim-de-semana interessante", sublinhou, com nota de que valerá a pena assistir ao desenrolar das várias cenas históricas.
Nesta recriação, as monjas voltam a respeitar os seus tempos de oração no cadeiral, regem a sua vida na sala do capítulo, dedicam-se às artes e aos cuidados médicos. A vila veste-se a rigor para a festa de S. Bernardo. E é eleita a abadessa, figura de poder religioso e temporal por estas terras.
A abertura está marcada para as 19 horas de sexta-feira, com uma arruada de bombos pela vila e o evento terminará da mesma forma às 20 horas de domingo, meia hora depois de se terem fechado as portas do Mosteiro.
"É o único evento em Portugal que retrata a vida quotidiana no interior de um mosteiro feminino", salientou Margarida Belém. Acentuou que a iniciativa "pretende levar o visitante numa verdadeira viagem no tempo, dando a conhecer como vivia a comunidade religiosa, os rituais que preservava, como, embora em clausura, se relacionava com o povo, o qual, sem sair da sombra do seu Mosteiro, trabalhava, aprimorava os seus ofícios e fazia a festa".
A presidente da Câmara Municipal de Arouca destacou "a novidade" prevista para sábado à noite: pelas 23.50 horas, a recriação das repercussões que o terramoto de 1755 em Lisboa teve em Arouca e no seu Mosteiro.
Também relevou o ritual de iniciação na vida religiosa, que se chamava Tonsura e que obrigava ao corte dos cabelos daquelas que entravam para o mosteiro, simbolizando a renúncia às vaidades do mundo. Cena de intensidade e dramatismo será, ainda, a da morte da última monja, que aconteceu em 1886 - às 18.50 horas de domingo.
Os episódios das lutas liberais, que em Arouca tiveram um impacto considerável, serão outra das atracções. Absolutistas e liberais voltam a esgrimir argumentos, sendo recriado, no sábado, às 17.15 horas, no antigo edifício da Câmara/Cadeia, o auto de aclamação - feito pelos liberais - de D. Maria da Glória (filha de D. Pedro) como legítima herdeira do trono de Portugal. Também será apresentado, às 17 horas de domingo, no mesmo local, o auto de reclamação - pelos absolutistas poucos dias depois - de D. Miguel I como rei de Portugal.
A autarca acrescentou que serão disponibilizadas visitas guiadas aos espaços conventuais e ao interior da Recriação Histórica,. "Serão três dias intensos e repletos de cenas marcantes que farão as delícias de quem nos visita", prometeu.

"Com garra!"

António José, bancário e actor no Grupo Cultural e Recreativo de Rossas, voltará a vestir a pele de "Frei Simão de Vasconcelos", para uma das cenas sobre as guerras liberais. "Agarrei este papel e gosto de o fazer; faço-o com garra!", disse-nos, com nota de que o assume há quatro anos.
Do evento, "complexo de montar", sublinhou o carácter voluntário da maior parte dos participantes. Uma condição que - disse - distingue esta recriação arouquense.
A Afonso Veiga, professor e investigador sobre o Mosteiro, com obras publicadas, coube garantir "a veracidade histórica" do que será apresentado aos públicos. Esteve no evento no seu lançamento e orgulha-se pelo crescimento de uma realização centrada num imóvel-património tão "imponente".
Vânia Silva veio de Braga para dirigir as cenas de exterior. Licenciada em Teatro, deu conta do interessante que é trabalhar com actores amadores: "é muito desafiante", enfatizou, com nota de que exige "muita flexibilidade".
Uma amiga apresentou-a ao "Arouca, História de um Mosteiro" e o assumir da função exigiu que se informasse sobre o tema. "Ainda estou a aprender muita coisa", disse-nos, na noite de ensaio em que fomos ao Terreiro de Santa Mafalda.
João Paulo Brandão, do TEA (Teatro Experimental de Arouca) actuará em duas cenas: o "Assalto Local", quando a gatunada visará os nobres em dia de festa, e na "Lenda das Pegas", história contada por artistas saltimbancos. "Dar a conhecer o Mosteiro e a história local" são, considerou, as grandes mais valias do acontecimento.
Margarida Belém vincou que a Recriação Histórica "é um dos eventos-âncora do município, que tem vindo a crescer de ano para ano, não só no número de pessoas envolvidas, a maior parte voluntárias e ligadas ao movimento associativo, mas também na qualidade dos espaços cénicos".
Disse que "o fio condutor do evento manter-se-á nos próximos", mas que, em cada edição, serão introduzidas "melhorias e novas dinâmicas". 2018-07-19 AOS/RV

 
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Quarta, 20 de Fevereiro de 2019

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