SOCIEDADE
 
Lar de idosos da freguesia de Chave completou um ano
 
O utente Alberto Santos
«Os muito pobres não podem pagar e não têm quem pague por eles. Se não pagarem, o equipamento não pode funcionar», alerta um director do Centro Social
 
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A 26 de Novembro de 2016, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, inaugurava o edifício do Centro Social de Chave. Um mês depois, a instituição recebia os primeiros idosos no seu lar. Um ano depois, RODA VIVA esteve na instituição localizada no lugar do Casal, percebendo quais foram os desafios do passado recente e os perspectiváveis para o futuro.

Nélida Silva, utente, natural de Chave
«Entrei a 17 de Janeiro e já pensava vir há algum tempo porque cuidava da minha irmã que está acamada e eu também preciso porque, para além da idade, tenho algumas dificuldades. Ouvia dizer ‘nunca mais, nunca mais', que o lar não mais abriria, mas, finalmente, abriu, ainda que tivesse levado 10 anos». «Estou muito satisfeita com os serviços prestados, com o pessoal, conhecia muito bem a senhora que era proprietária deste espaço, pois foi, aliás, minha professora durante algum tempo. Temos aqui cinco pessoas de Chave, eu sou do lugar de Quintela e passam-se, por vezes, dois meses, sem voltar a casa». «As funcionárias são muito nossas amigas e brincalhonas, não tenho nada de negativo a apontar. Quanto à minha irmã Olívia, quase não tinha nenhuma mobilidade, mas, com a ajuda da fisioterapeuta, já se mexe mais um pouco». «Para dar uma ideia do gosto que as pessoas foram tendo pelo lar, posso dar-lhe um exemplo: esteve aqui uma senhora de Castelo de Paiva que, antes de vir par cá, se inscreveu lá, mas, como não houve vaga, veio para aqui. Quando abriu vaga na sua terra e foi embora, chorou muito e disse que ia para a sua terra e que sabia que iria gostar, mas, se tivesse de sair, não escolheria outro lar a não ser o de Chave».

Alberto Santos, utente, natural do Porto
«Eu fui o terceiro a entrar, no dia 27 de Dezembro. O primeiro e o segundo mês foi um martírio para eu me adaptar. Vim para aqui e disseram-me que aqui havia muito movimento e muitos cafés e excelentes paisagens e afinal não era bem assim. Só via eucaliptos e pinheiros aqui à volta. Mas, com o passar do tempo... Maravilha, daqui não saio, daqui não sairei. Falei muito, no início, com a doutora Patrícia e fui entrando nos eixos». «As nossas funcionárias são do melhor, muito alegres. A direcção foi feliz nas mulheres que meteram cá dentro. Se pedirmos alguma coisa, só não trazem se não puderem». «Por outro lado, eu não sabia que tinha esta capacidade para os trabalhos manuais, já os vou coleccionando. Tenho aqui quadros que não vendo por quinhentos paus. A doutora Patrícia disse que tínhamos de fazer uma exposição, espero que aconteça». [risos]

Patrícia Oliveira, directora técnica
«Sou licenciada em Psicologia e, anteriormente, tinha trabalhado no Centro Social de Fajões. Foi um ano,
sem dúvida, de aprendizagem. Acaba por ser benéfico e interessante estar no início de uma instituição. Sinto-me apta para estar num lar de idosos». «Um ano passou muito rápido, o primeiro e o segundo é só para melhorar lacunas, como, por exemplo, na animação, onde temos a doutora Joana, mas como também exerce funções de administrativa, seria sobrecarregado para ela. Vai começar uma estagiária de forma que supramos essa necessidade». «Quando chegam novos utentes, eu acompanho o idoso, peço para fazer um inventário dos bens, para arrumarem no guarda-vestidos, processo de enfermagem, modelos, etc». «Quanto à dificuldade de adaptação de alguns utentes, tivemos uma senhora com demência que tentou fugir, mas com a medicação do neurologista, está muito bem. É óbvio que há os que vieram por opção e outros que não e preferiam estar em casa, mas, no geral, estão todos bem adaptados. «A direcção está muito presente. Têm sido muito colaborantes e acho muito interessante eles tomarem todas as decisões importantes em conjunto. Quanto a lacunas, havia algum desconhecimento no início sobre o que é o funcionamento de um lar, mas também foi por isso que fui contratada, senão não era necessária. Em todo o caso, creio que também aprenderam muito durante este ano». «No que toca às colaboradoras, como directora técnica, tenho de as avaliar e em Janeiro voltarei a reunir com elas. Elas tratam bem os utentes e, de uma forma geral, estou satisfeita com elas». «Há muita coisa que ainda tem de ser feita. Já pedimos ajuda à Segurança Social para novas viaturas, mas a verba é só metade do que precisamos, temos que arranjar os jardins e há outras coisas que ainda faltam». «Daqui a um ano, e partindo do nosso plano de acção para 2018, gostaria de ter cá as carrinhas, os nossos jardins arranjados, a construção de uma lavandaria, elaborar um site, formação aos colaboradores, organização de ateliers e também gostaria de falar com o presidente da junta para colocares placa a indicar a localização do lar, que é uma dificuldade que as pessoas têm sentido quando para cá vêm».

José Pedro Brandão, vice-presidente da direcção do Centro
«O lar demorou estes anos todos a abrir para que se cumprisse a legislação das obras públicas. Para
além disso, o empreiteiro faliu, o que fez aumentar a demora». «Se a legislação fosse outra, podia-se ter acabado o edifício em menos tempo e por um terço do dinheiro. As pessoas é que não sabem as demoras provocadas por essa legislação, os custos acrescidos que isso acarreta. A legislação desconfia das pessoas e essa desconfiança traduz-se depois em processos muito morosos que vão encarecer todo o tipo de custos». «Repare-se que as pessoas que estavam à frente, no caso, por exemplo, Manuel Cabral, era e é uma pessoa que percebe muito de construção, portanto aquilo para ele era uma coisa muito simples, mas não o foi de todo porque a legislação não permite». «Tínhamos dúvidas no início se íamos ocupar todas as vagas, mas conseguimos rapidamente e está a correr muito bem». «Infelizmente, temos muitas dificuldades financeiras porque, ao contrário do que as pessoas pensam, a Segurança Social paga uma pequena parte das despesas, cerca de um terço e, se as pessoas não pagarem o que gastam, não nos podemos manter muito tempo, mas temos conseguido equilibrar-nos, vamos ver como será daqui para a frente. Não temos um tostão para investimentos extra. Precisamos, desde logo, de viaturas porque os utentes precisam de se deslocar para diversos locais e também de uma lavandaria». «Ao longo da vida trabalhei muito na parte social, mas nunca num lar. Quando recrutamos, tivemos o cuidado de o fazer com pessoas com um mínimo de experiência. Num grupo de 20 pessoas, não ter de apontar nada de problemático é um recurso muito positivo». «A directora técnica já tinha alguma experiência e é uma pessoa muito empenhada e responsável e isso foi realmente um grande dádiva Sem ela, não seria possível a qualidade de vida diária que há. Com o seu empenho, conseguindo ocupar-se de todos os pequenos pormenores do dia a dia, que são muitos como saúde, alimentação, limpeza, segurança... Faz muitas horas suplementares e com competência. É algo que temos de agradecer». «A direcção é constituída por pessoas amigas e isso é muito importante. As direcções dos lares têm má reputação até junto da Segurança Social, mas isso são casos perfeitamente identificados e isolados. A maioria dos casos trata-se de pessoas que o fazem de forma benévola». «No lar, estão poucas pessoas de Chave, mas estão as que quiseram ir. Ou melhor, podiam ter estado mais um ou outro, mas, em princípio, o lar é para os pobres, mas, os muito pobres não podem pagar e não têm quem pague por eles. Se não pagarem, o lar não pode funcionar, há que pagar salários e todo o outro tipo de despesas. Como já referi, a Segurança Social paga uma parte mas muito pequena. A família devia fazê-lo, mas como querem evitar, não o fazem». «Daqui a um ano, gostaria de dizer o mesmo da qualidade dos serviços». 2018-01-05 Ruben Tavares

 
Arouca

Sábado, 23 de Junho de 2018

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Vítor Brandão, provedor da SCMA, em entrevista ao RV

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