SOCIEDADE
 
Produção de mel em Arouca caiu para metade
 
António Azevedo e Fernando Moreira
Seca, incêndios e vespa asiática são os responsáveis, alertam os apicultores do concelho
 
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A tempestade perfeita atacou sem piedade a produção de mel em Arouca, produto muito afamado e procurado por inúmeros visitantes do município. A seca prolongada, os terríveis incêndios e a vespa asiática tem sido responsáveis por quebras próximas dos cinquenta por cento da produção de mel.
Apesar das contrariedades, RODA VIVA foi falar com dois apicultores sobre o momento actual da actividade.
António Azevedo e Fernando Moreira relataram as suas experiências numa actividade onde palavras como "paixão" e "beleza" são frequentes, lamentando contudo, as vicissitudes que ultimamente têm vivido, com prejuízos elevados. Mas apesar dos dias negros que têm vivido, "desistir" foi palavra que nunca nenhum deles pronunciou.
Porque quando a paixão é grande, todas as dificuldades são torneadas. E assim tem sido. JCS

António Azevedo, 59 anos, empresário de motociclos, natural da freguesia de Arouca «Sou apicultor há mais de 40 anos e apanhei este vício com o meu falecido avô, Alfredo Azevedo, que era um grande apicultor».
«E cada vez gosto mais de ser apicultor, com a idade vamos apurando as nossas técnicas. É uma paixão que está no sangue... Um apicultor tem que ter grande paixão pelas abelhas, mesmo depois de algumas picadas! É uma actividade muito dura, exige muito esforço físico, mas dá muito prazer».
«Tenho colmeias em Arouca, Cesar, São João da Madeira e Castelo de Paiva. No concelho de Arouca tenho as colmeias espalhadas pela vila de Arouca, em Celada (Moldes) e Várzea».
«Depois de no ano passado ter perdido mais de 100, devido aos incêndios, actualmente tenho cerca de 180 colmeias».
«A apicultura ocupa-me os fins-de-semana todos e ainda os feriados. A altura de produção do mel é durante a Primavera, entre os meses de Março e Julho. O estado do tempo é fundamental para o sucesso da produção do mel. Normalmente produzo entre dois a três mil quilos de mel por ano. E felizmente, tenho conseguido escoar tudo o mel que vou produzindo. Não é uma actividade muito lucrativa mas vai dando para as despesas... Em Arouca existem cerca e meia centena de apicultores, é uma actividade que tem muita tradição no nosso concelho. Neste momento, devo ser dos mais antigos. A seca, os incêndios e a vespa asiática tem sido terríveis para os apicultores, temos tido quebras enormes na produção de mel. A falta de humidade é terrível para as colmeias».

Fernando Moreira, 44 anos, picheleiro e electricista, natural da freguesia de Urrô «Desde os seis anos que me lembro de andar no meio das abelhas com o meu falecido pai, que adorava a apicultura. Lembro-me de ver o meu pai a tirar o mel dos cortiços. A imagem das abelhas a entrar nos cortiços com o mel é muita bonita e tenho essa imagem gravada na minha memória».
«Antes da chegada da Primavera temos que preparar as colmeias, ver se elas estão com barroa - é um
piolho que por vezes se instala no seu interior e o apicultor tem que o eliminar. De seguida, temos que retirar as ceras velhas para fora das colmeias e colocar ceras novas. Se a abelha rainha for velha, é necessário trocá-la e injectar no interior da colmeia uma rainha nova que vai ser aceite por todas para haver uma boa produção de mel. Numa boa Primavera uma colmeia pode encher uma alça de mel (15 quilos) em dez ou doze dias. Neste momento tenho 170 colmeias, espalhadas por Arouca, Esposende e Vagos».
«É uma actividade que me ocupa praticamente os fins-de-semana todos, mas é uma paixão enorme que tenho e o meu filho também já está a ficar apanhado pelas abelhas. Foi com a idade dele que eu comecei acompanhar o meu pai. Este ano tive uma quebra muito grande na produção devido à vespa asiática e aos incêndios que destruíram muitas colmeias. Em média, costumo produzir dois mil quilos de mel. Este ano pelas razões que mencionei atrás a produção foi de mil e duzentos quilos, diminuiu quase cinquenta por cento! Apesar destas contrariedades, continuo com muita força e entusiasmo para continuar esta actividade que adoro. O mel de Arouca é de boa qualidade, além disso a apicultura ajuda o meio ambiente, porque as abelhas são responsáveis por tudo aquilo que os agricultores produzem. São fundamentais para o equilíbrio da natureza».

À caça da vespa asiática
«A vespa asiática tem sido uma autêntica praga em Arouca e tem provocado o caos. É uma vespa assassina que destrói as colmeias em pouco tempo. Infelizmente, a Protecção Civil não está a fazer nada para combatê-la. Comuniquei a existência de 17 ninhos, e quando viram o primeiro, que estava no topo de uma árvore, a resposta foi que estava muito alta e que não iriam arriscar a sua vida. Já retirei em Arouca 126 ninhos e depois envenenei-as. Os últimos foram em Várzea e aí contei com o apoio do presidente da Junta de Freguesia. Além de Várzea, tirei ninhos de vespa asiática em Provizende
(Rossas), Ponte de Telhe (Moldes), Santa Eulália e Arouca», alertou Fernando Moreira.

 
Arouca

Segunda, 18 de Dezembro de 2017

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