SOCIEDADE
 
Câmara de Arouca entrega três medalhas de ouro no feriado
 
Manuel Cavadinha e David Silva
Dois empresários e o grupo fundador de uma associação emblemática homenageados | NOTÍCIA COM MAIS DE 4400 VISUALIZAÇÕES
 
Os empresários Manuel Sousa "Cavadinha" e David Silva, e ainda o grupo fundador "Os 13 Abnegados" do Arouca Barra Clube, colectividade que este ano celebra as bodas de ouro, vão ser condecorados com a Medalha de Ouro - Mérito Municipal.
Estas atribuições honorificas foram aprovadas por unanimidade na ultima reunião do executivo camarário, que teve lugar na passada terça-feira.
A entrega das medalhas irá acontecer no dia 2 de Maio (feriado municipal ), data em que os arouquenses prestam tributo à sua padroeira - Rainha Santa Mafalda. As cerimónias decorrerão no salão nobre dos paços do concelho. RV 2017-04-20


FUNDAMENTAÇÕES

"Os 13 Abnegados" fundadores do Arouca Barra Clube
A 10 de Junho de 1967 nascia, no Rio de Janeiro, a Casa de Arouca, fruto do empenho de 13 personalidades arouquenses, que sentiram a necessidade de manter vivas as tradições do seu local de nascimento e de dá-las a conhecer ao imenso país que tão bem os acolheu.
Até então, a comunidade arouquense reunia-se em alguns eventos sociais, com destaque para a comemoração das festividades de Nossa Senhora da Mó, a 7 de Setembro, habitualmente na Casa da Vila da Feira. Progressivamente, e com o estreitamento de laços entre os imigrantes arouquenses, o grupo foi crescendo e ganhando dinâmica, passando a ser um ponto de encontro cultural, social e económico. Para fundar uma agremiação que pudesse acolher e representar os arouquenses, mantendo vivas as suas origens, era preciso, diziam, «apenas uma mesa e um telefone». Deus quis, o homem sonhou e a obra nasceu.
Mais tarde, em 1971, surge a ideia de levar a Casa de Arouca para a Barra da Tijuca. Um ano depois, são adquiridos os primeiros terrenos, com mais de 3 000 metros quadrados, onde viria a nascer um prédio projectado para ter uma área construída de 1.400 metros quadrados por andar. Surgia a sede do que viria a ser o Arouca Barra Clube, inaugurada a 26 de Setembro de 1976.
Desde o seu início, o Arouca Barra Clube tem sido um verdadeiro guardião e fortíssimo divulgador da identidade cultural arouquense no Brasil, assim como forte ator da reinvenção das tradições e da miscigenação entre culturas.
A dinâmica deste Clube e a importância que conquistou no Brasil é, entendemos, digna de reconhecimento municipal, mais concretamente os seus «13 abnegados» fundadores, a quem propomos, no ano em que se comemora o 50.º aniversário da fundação do Arouca Barra Clube, a atribuição da Medalha de Mérito Municipal - Grau Ouro, a ser entregue no próximo dia 2 de maio, Dia do Município e da Rainha Santa Mafalda, padroeira de Arouca.
Assim, homenageamos:
- Abílio Brandão
- Adélio Noronha Figueiredo
- Adílio Dias da Costa
- Alberto José de Oliveira
- António Alves Ribeiro
- António Reis
- António Vieira Leite Cabral
- Carlos Calçada
- Carlos Gonçalves Costa
- Gaspar Tavares de Sousa
- Luís Alves
- Maria Helena dos Santos Ribeiro
- Paulino Martins

(...)

Manuel dos Santos Teixeira de Sousa

Conhecido em Arouca como Manuel "Cavadinha", nasceu a 16 de Novembro de 1926, sendo o mais velho de sete irmãos. Casou aos 21 anos, com Armanda Amália Gomes Almeida Sousa, com quem teve três filhos.
No início da década de 1960, Manuel Sousa passou a ajudar o pai com o estabelecimento que tinha na Praça Brandão de Vasconcelos, próximo do espaço hoje ocupado pelos CTT. O negócio começou com 300 escudos de mercadoria em ‘stock', entre ferramentas, enxadas, carvão e produtos similares. Com a venda de um rádio, Manuel Sousa conseguiu os 300 escudos que lhe permitiram tornar-se sócio do pai, dando vida à ‘Adriano Sousa & Filho, Lda'.
Pelo meio, terminou a Quarta Classe (já adulto), manteve sempre intacta a sua capacidade de fazer contas de cabeça, chegou a ajudar na abertura do primeiro cinema em Arouca e até foi presidente da Junta de Freguesia.
À frente da pequena empresa familiar, Manuel Sousa rapidamente percebeu que a melhor estratégia de ‘marketing' era antecipar as necessidades dos seus clientes. Por isso, alargou a oferta de produtos, passando a vender materiais de construção e electrodomésticos, ou até mesmo bolo-rei, algo absolutamente inovador na Arouca da altura. Outra das novidades foi a entrega das compras ao domicílio, algo que acontecia pela primeira vez, para não falar na caixa registadora semiautomática que passou a ter no seu estabelecimento.
O negócio cresceu, e Manuel Sousa resolveu mudar-se para um espaço mais amplo, à entrada da vila, onde passou a ter zonas dedicadas aos materiais de construção, ao supermercado e ao armazém. Progressivamente, o supermercado foi precisando de mais espaço, à medida que o armazém diminuía. No novo espaço, a orientação para o cliente manteve-se e, consciente disso, Manuel Sousa rapidamente percebeu que era fundamental incutir isso mesmo nos seus funcionários, sendo pioneiro, também, nas ações de formação.
No final da década de 1980, a cadeia de supermercados «Pingo Doce» manifestou forte interesse em adquirir-lhe a concessão, e Manuel Sousa acabou por ceder. Todavia, a relação próxima, de décadas, com os arouquenses incentivou-o a abrir um novo espaço, na localização actual. Os estabelecimentos ‘Cavadinha' ganharam nova identidade, novo fôlego, nova forma de gestão, com supermercado, armazém, distribuição de gás e distribuição de bebidas (‘DistriCavadinha').
O ano de 2004 marca a passagem de testemunho à geração seguinte, com Manuel Sousa a afastar-se da gestão da empresa familiar, dando lugar aos seus três filhos. No entanto, a sua presença nos vários espaços da empresa e no contacto com os funcionários mantém-se, tal como o seu acolhimento aos clientes.
O percurso de vida de Manuel Sousa é o de um trabalhador incansável e um verdadeiro visionário, cuja história de vida se confunde com a história económica e comercial de Arouca. O seu nome, ou melhor, a sua alcunha, é uma marca, indissociável deste percurso, que é digno de reconhecimento municipal. Por isso, propomos a distinção com a Medalha de Mérito Municipal - Grau Ouro, a ser entregue no próximo dia 2 de maio, Dia do Município e da Rainha Santa Mafalda, padroeira de Arouca.

(...)

António David Silva
Natural de Oliveira de Azeméis, é já um arouquense convicto. Desde 1993 que é o rosto da Arouplás, uma empresa de referência no setor dos moldes, que foi alvo, recentemente, de uma fusão com uma empresa de referência mundial no setor: a Mecaplast.
O seu "know-how" neste setor custou-lhe um desgaste enorme. Tendo passado por todas as fases do processo, atingiu, por duas vezes, um ponto de rotura, com o cansaço a superar a paixão pela actividade. Há 24 anos, iniciou actividade num pequeno espaço, na freguesia de Rossas, com uma máquina de injecção de plástico. O negócio foi ganhando dinâmica, o que o levou a comprar uma máquina por ano.
Três anos após ter começado a laborar, a Arouplás procedia, em conjunto com três outras empresas, à aquisição de lotes na Zona Industrial das Lameiradas (freguesia de Mansores), onde hoje tem sede. António David Silva escolheu o local tendo em conta as acessibilidades projectadas, na altura, para os limites do concelho (prolongamento da Via Estruturante e passagem do IC35), correndo o risco da insegurança do local, da cobertura deficitária da rede de transportes públicos e das muitas dificuldades com as telecomunicações.
No início da sua actividade, a Arouplás dedicava-se ao fabrico de componentes para embalagens metálicas. Hoje, dedicada ao sector dos plásticos, produz componentes essencialmente para a indústria automóvel e das telecomunicações, fornecendo mesmo outras unidades que complementam o trabalho e fazem seguir o produto final exclusivamente para exportação. A destacar, ainda, o facto de ser a primeira empresa local a ser certificada, corria o ano 2000.
Para além da vertente económica, António David Silva preza muito a vertente social da sua empresa. Por isso, faz uma gestão criteriosa dos seus recursos humanos. A sua porta está sempre aberta ao recrutamento, frequentemente a licenciados que, não encontrando outra oportunidade, pretendem trabalhar no processo produtivo da empresa. Afirma não pagar o salário mínimo a ninguém, oferece sempre um aumento de salário de 3% no início de cada ano e procura oferecer as condições de trabalho ideais a quem contrata, acolhendo os seus colaboradores como se de uma família se tratasse, apostando na polivalência, dando-lhes a conhecer todo o processo produtivo, evitando a especialização.
António David Silva é também um exemplo de responsabilidade social, não só pela relação laboral que oferece aos seus trabalhadores, mas também pelo apoio que presta a escolas, associações e IPSS. É também conhecido pela sua profunda dedicação ao movimento rotário, onde está constantemente atento às carências dos mais necessitados. O seu percurso de vida, tanto ao nível empresarial como social, é, julgamos, digno de reconhecimento municipal. Por isso, propomos a atribuição da Medalha de Mérito Municipal - Grau Ouro, a ser entregue no próximo dia 2 de maio, Dia do Município e da Rainha Santa Mafalda, padroeira de Arouca.

O Presidente da Câmara Municipal de Arouca, (José Artur Tavares Neves)




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Arouca

Quinta, 27 de Abril de 2017

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