POLÍTICA LOCAL
 
«Acompanhar o desenvolvimento do concelho, mas manter a tranquilidade das zonas rurais»
 
José Costa
José Costa, autarca de Moldes, enumera um propósito para a sua freguesia
 
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José Gomes Valente Costa, 59 anos, agricultor, casado, dois filhos, vai no segundo mandato à frente
da Junta de Freguesia de Moldes. Autarca com larga experiência, foi durante sete mandato membro da JF Janarde (seis como secretário e um como tesoureiro). É ainda secretário da Assembleia Geral da Cooperativa Agrícola de Arouca e da Associação Nacional de Criadores de Raça Arouquesa (ANCRA).
Na entrevista concedida ao RV, José Costa não se furtou a qualquer questão, por mais incómoda que fosse, respondendo sempre com frontalidade e acutilância. Numa freguesia que tem vindo a perder população e protagonismo, o autarca apresenta os novos projectos para contrariar essa tendência.

Que diferenças salienta entre o actual e o anterior mandato autárquico? No início de cada mandato temos os objectivos definidos e são eles o fio condutor para o trabalho do executivo. A postura, tanto no outro mandato como neste, é a mesma, trabalhar para que os objectivos sejam concretizados.

Quais são os principais projectos que pretende levar a cabo nesta legislatura? Os que apresentámos à população em Outubro de 2017. A médio prazo estamos concentrados no arranjo urbanístico na entrada da freguesia (Portela), na requalificação do Parque de Lazer e Merendas da Palma e na implementação do processo de toponímia que já se encontra em andamento. A nível social estamos a organizar-nos para a criação da Comissão Social de Freguesia ou outra estrutura equivalente para que possamos ter uma entidade mais atenta às questões sociais, nomeadamente para a realização de um diagnóstico social realista. Pretendemos, também, continuar a organizar o convívio para seniores, apoiar a organização de Campos de Férias para crianças e jovens na freguesia e a oferecer os Livros de Fichas aos alunos inscritos nas nossas escolas.

O facto da Junta ser da mesma cor política da Câmara é uma mais-valia ou um entrave? Acho que nem é uma coisa nem outra. Sendo preocupação da Câmara e da Junta o bem-estar da população, o trabalho das duas instituições só funciona bem se for em conjunto e se houver um apoio mútuo.

Como se gere uma freguesia tão grande em área geográfica e com tão baixa densidade populacional? Com uma presença constante no terreno e junto das pessoas. A freguesia de Moldes tem uma área florestal muito grande mas tem, também, muitos lugares espalhados. É evidente que é um desafio maior e mais exigente do que se tivéssemos apenas uma pequena área para gerir ou se tivéssemos poucos lugares. Faço o possível para dar atenção a todos de forma equilibrada e penso que tenho conseguido.

O que tem feito a sua autarquia evitar a desertificação em Moldes? Em primeiro lugar temos de ter presente que a desertificação é um problema que se coloca a nível nacional nomeadamente com a perda de população do interior para o litoral. A perda de população é uma realidade à qual o próprio concelho de Arouca não escapa, com maior incidência nas freguesias mais serranas e limítrofes do concelho, entre as quais se insere Moldes. A perda de população não é, portanto, um caso pontual ou uma situação específica de Moldes. Seria bom que tivéssemos uma solução de fácil implementação para contrariar esta tendência que é, como sabemos, de âmbito nacional. Não é fácil e não serão apenas as Juntas de Freguesia com as suas competências e recursos que conseguirão reverter esta situação. É preciso que os serviços primários do Estado estejam presentes junto das populações e não seja o seu desaparecimento desses serviços uma alavanca para a desertificação. Moldes tem todas as características necessárias para contrariar a perda de população residente. Como estamos próximos da Vila, somos uma freguesia que pode acolher novos habitantes e até novos alunos, desde que exista em Moldes boas acessibilidades para circulação interna, investimento na área da construção e os estabelecimentos de ensino tenham condições como aos que existem noutras freguesias. Agora que está a decorrer a 2ª revisão do PDM e tendo em conta todo o seu potencial para repensar o concelho, nomeadamente as suas centralidades, queremos acreditar que, em conjunto, não se vai deixar escapar esta oportunidade para se repensar uma estratégia de desenvolvimento para freguesias como Moldes que têm uma maior vitalidade comparativamente com as freguesias de montanha, nomeadamente a nível de população residente, mas que se localizam fora do dito eixo de desenvolvimento.

O Conjunto Etnográfico é o grande embaixador da freguesia. O que representa o grupo e o seu festival para si. Têm apoiado devidamente este agrupamento? O Conjunto Etnográfico de Moldes é sem dúvida o principal embaixador da freguesia e o festival de folclore o seu principal evento. Tendo em conta que o grupo está a funcionar, sem interrupções, há tantos anos, serão 75 anos em 2020, percebe-se a capacidade de trabalho e dedicação das pessoas de Moldes ao longo dos anos. Este facto é motivo de orgulho para mim e penso que para todos os moldenses. Penso que o apoio dado pela Junta de Freguesia a esta associação está adequado.

A recente revitalização do CCR Moldes foi bem recebida pela população. Como viu o ressurgimento desta carismática colectividade? Todas as iniciativas que mostram que as pessoas estão motivadas para fazer coisas boas pela freguesia têm todo o apoio da Junta como, aliás, teve o
CCRM. Uma das necessidades da freguesia de Moldes é que haja actividades diversificadas de carácter
cultural e recreativo para as pessoas da freguesia e que envolvam a população local. Com a reactivação do CCRM tenho a expectativa de que se consiga cumprir esta lacuna. Neste ponto, a Junta de Freguesia está, como sempre esteve, disponível para colaborar.

A questão dos baldios já está resolvida, depois da polémica vivida? Sobre os baldios posso dizer
que estamos a cumprir a vontade do povo, que decidiu no ano passado delegar competências de gestão na Junta. Desde da década de 1970 que os baldios de Moldes se enquadraram na chamada administração transitória e foram as sucessivas Juntas de Freguesia, independentemente da cor partidária, que foram acautelando a gestão dos baldios. Ao longo dos tempos foram muito poucas as iniciativas para criação de órgãos próprios para gestão dos baldios e todas elas sem sucesso. A delegação de competências na Junta de Freguesia, ocorrida em Março de 2018, vem numa linha de continuidade do que vinha a acontecer nas últimas décadas em que a maioria dos compartes vê na Junta de freguesia o garante para uma boa gestão dos baldios.

E sobre as torres eólicas implantadas na freguesia? O parque eólico é, sem dúvida, uma mais-valia para a freguesia pelas receitas que gera. Uma freguesia com a dimensão geográfica como a de Moldes necessita de verbas para poder dar resposta nomeadamente na gestão da própria floresta.

Quais as principais reivindicações dos seus fregueses? Procuram muito a Junta para pedir a melhoria de acessibilidades no que diz respeito à circulação interna na freguesia. Somos uma freguesia muito vasta e com características de terrenos que exigem muito acompanhamento para que se consiga o mínimo indispensável.

Ponte de Telhe tem sido um dos lugares mais dinâmicos e rejuvenescidos da freguesia. Porque não "transporta" a dinâmica daquele lugar para outros espaços? Podemos falar de Ponte de Telhe mas também de Fuste como lugares rejuvenescidos e dinâmicos e curiosamente são dos lugares mais distantes da vila. Geograficamente são lugares relativamente concentrados, o que nos permite mais facilmente identificar a dinâmica de crescimento, embora ambos tenham características totalmente diferentes, tanto geográficas como históricas. Penso que são dinâmicas internas que passam pela opção da população ficar a residir nesses lugares, o que poderá ter a ver com opções de ordem familiar ou maior facilidade de construção de habitação por haver terreno de família. Com muita pena minha, não me parece que sejam dinâmicas que uma Junta de Freguesia consiga simplesmente transportar de um lugar para outro.

Algumas vozes críticas afirmam que "Moldes parou no tempo...". Como responde a essa provocação? Não entendo como provocação. Cada um tem o direito de entender a sua freguesia da maneira que lhe parece mais acertada e as opiniões devem ser respeitadas. No entanto, o desenvolvimento de uma freguesia e a sua vitalidade é o resultado de um conjunto de factores que raramente estão apenas nas mãos das juntas de freguesia. Não quero com isto demitir-me de responsabilidades, mas a par das juntas de freguesia era bom que alguns cidadãos tivessem tanta capacidade de implementar projectos de valor e de desenvolvimento efectivo como têm de criticar.

Está seguro de que a escola primária não vai ser desactivada? Como se sabe a responsabilidade de fechar uma escola não é das juntas de freguesia, pelo que não podemos dar garantias de uma coisa que não depende de nós. Em Moldes, temos duas escolas primárias em funcionamento por isso não podemos dizer que Moldes não tem crianças, fora as que procuram outros estabelecimentos de ensino com condições que as escolas de Moldes não têm. Às vezes ouvimos dizer que quando se fecha uma escola é porque a freguesia está a "morrer". Em Moldes, esta realidade não se aplica e temo-nos debatido para mostrar que fechar as escolas e deslocalizar todos os seus alunos, aí sim, será aniquilar uma das forças vivas da freguesia e convidar os mais jovens a fazerem vida fora de Moldes incentivando à desertificação. É fundamental que as políticas pensadas para os territórios de montanha não sejam apenas teorias e sejam efectivamente concretizadas. É disso exemplo a organização da rede escolar. Desde os chamados pólos de montanha aos Centros Locais de Desenvolvimento é preciso que não se desista da sua concretização.

A voz da oposição é ouvida pelo elenco da Junta? A Junta de Freguesia de Moldes ouve a voz da oposição e tem-na em conta desde que existam propostas efectivas e devidamente fundamentadas. Não temos problemas nenhum em implementar projectos sugeridos pela oposição desde que os mesmos sejam exequíveis e resultem de um conhecimento efectivo da realidade da freguesia e não sejam apenas para ser o oposto do que a Junta se propõe a fazer.

Como gostaria de deixar a sua freguesia no final deste mandato? Em primeiro lugar, gostaria de a deixar no mesmo sítio, entre a vila e a serra. Só assim é possível, por um lado, acompanhar o desenvolvimento que Arouca está a conhecer e, por outro, manter a tranquilidade que as zonas rurais têm para oferecer. Em segundo lugar, quero, claramente, deixar concretizados os projectos pensados para este mandato.

Vai recandidatar-se a um último mandato? Neste momento estou concentrado no cumprimento dos objectivos para os quais eu e a minha equipa nos propusemos para este mandato. Como tudo tem o seu tempo, na devida altura pensarei nessa questão. JCS 2019-06-03

 
Arouca

Segunda, 17 de Junho de 2019

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