SOCIEDADE
 
Auto-formação activou a paixão pela arte da cantaria
 
Em Fermedo, Ismael foi ao encontro da sua vocação
 
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Ismael Soares trabalha a pedra desde 1983, quando começou a ajudar o pai. Além da vertente profissional, dá asas à criatividade criando peças por encomenda. O futebol é a outra paixão

«Hoje em dia, há dificuldades em encontrar pessoas para trabalhar na cantaria», salientou Ismael Soares,
sobre uma realidade sectorial que encontra reflexos em outras áreas, com empresários e quem pensa
o devir económico do país a avisar que urge formar e motivar «mão-de-obra de qualificada».
Cantaria é a arte de trabalhar a pedra - arte entendida no sentido mais lato que o do artista que cria esculturas, no sentido de que também será o saber do artífice que cria peças por encomenda e o trabalho para o mercado da construção: para a edificação e restauro de habitações ou para intervenções em zonas públicas.
Fermedense do lugar de Orvida, que tem hoje 48 anos, iniciou-se no ofício de canteiro com o seu pai, Sílvio. «Comecei com a saída da Telescola, em 1983», assinalou, referindo-se a um ajudar do progenitor, através do qual se ia apercebendo da têmpera que deve ter quem escolhe tirar da pedra utilidades e significados.
Em Setembro de 1992 abraçou a vida profissional na empresa "Grampedra", sediada na localidade vizinha e feirense do Vale. Uma firma que trabalha granitos, mármores, quartzo e silestone para fazer nascer revestimentos, portais, colunas, cornija, muros, balcões e fogões, até capelas e jazigos.
Num tempo em que se repete a ideia de que apostar na formação é determinante para a saúde da economia portuguesa, o nosso interlocutor tem por história de vida um trajecto marcado pelo aprender a "saber-fazer" com muita prática.
«Fui-me desenvolvendo», confidenciou, dando conta de que «o grande salto» na sua vocação de canteiro, em termos de ir um pouco mais além do que o exercício profissional exige, deu-se em 2003.
Um relógio em pedra que fez nascer foi elogiado - «você tem jeito», disse alguém - e, de um momento
para o outro, Ismael Soares viu-se a participar em exposições, no Porto, nomeadamente «na Casa Jorge Sena e na Loja do Cidadão». Apresentou peças feitas por gosto, de pequena e média dimensão, as mais indicadas para mostra em ambiente citadino.
Testemunhando que aprendeu «muito» com essas saídas da zona de conforto, juntou ao rol uma exposição na Casa da Cultura de Fermedo, em Cabeçais, e idas à Feira das Colheitas.
Nos tempos que lhe sobram das oito horas diárias de trabalho na empresa, e da actividade no clube da terra [ver caixa], ou seja, à noite e aos fins-de-semana, dá resposta a encomendas para modelar na pedra um leque variado de peças e artigos: de pias baptismais, como as que estão nas Igrejas de Fermedo e do Vale, a caixas de correio para habitações, também brasões, os sempre populares emblemas dos grandes clubes de futebol (Benfica, Porto e Sporting), fontes, gradeamentos em pedra, balcões para bar e churrasqueiras.
Assumiu-se «à vontade» com este processo criativo, que o ocupa em atelier de trabalho situado não longe de sua casa, em Orvida. «Gostava de ter um curso, mas com a minha idade...», sublinhou, sobre ambições - quiçá artísticas - que não puderam ir mais além. «Trabalhas bem a pedra, mas faltam-te algumas noções», disse-lhe um dia o consagrado escultor de Cucujães, Paulo Neves, com carreira
feita e obras espalhadas pelo país e até pelo estrangeiro.
Reafirmou o amor por uma arte/ofício que exige muita paciência, num registo de atenção exclusiva para o
bloco de pedra do qual se quer extrair algo de funcional e belo. Não há - acentuou - «muita gente» com capacidade para ir «ao pormenor » que a cantaria tradicional exige. A tecnologia que não pára de evoluir ajuda, mas avise-se pode tirar alguma da magia inerente a um produto de artífice. AOS

A OUTRA PAIXÃO
O futebol "foi sempre a outra paixão" de Ismael, que encontra plena expressão na União Desportiva
de Fermedo, grémio onde é treinador-coordenador do futebol de formação. Falou com entusiasmo num "envolvimento diário" em que tem não só de ensinar os fundamentos técnicos e tácticos do desporto-rei aos atletas jovens, mas também deve compreender-lhes as motivações e até os estados de alma. AOS 2019-02-01

 
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2019

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