SOCIEDADE
 
Projectos dos alunos estiveram em foco nas IV Jornadas de Ciência de Arouca
 
Sobrinho Simões
Novas visões nos caminhos da educação integral suscitam novas abordagens nas componentes formativa e científica
 
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Presença habitual no programa cultural e escolar do concelho, as (IV) Jornadas de Ciência de Arouca decorreram nos dias 14 e 15 de Dezembro, nas instalações da Escola Secundária e na Loja Interactiva de Turismo. Iniciativa do Agrupamento de Escolas de Arouca, do Agrupamento de Escolas de Escariz, do Círculo Cultura e Democracia e da Câmara Municipal de Arouca, com o apoio do Centro de Formação de Professores-AVCOA, a nova edição foi subordinada ao tema "Dos Saberes na Escola à Ciência", reunindo conhecidos conferencistas nacionais, agentes locais, professores, alunos e ex-alunos dos agrupamentos de escolas de Arouca e Escariz.

Matriz relacional, inovação e articulação curricular
A escola como lugar de incentivo à ciência e aos valores da cidadania activa e da inclusão, a estreita relação da aprendizagem de conhecimentos e de competências com as realidades e as potencialidades de um território - o Arouca Geopark - reconhecido internacionalmente pela UNESCO, proporcionaram novas visões nos caminhos da educação integral dos alunos e suscitarem novas abordagens nas componentes formativa e científica dos participantes. Ficou, ainda, fortemente vincada a relevância dos trabalhos de projecto e o conhecimento descoberto ou produzido em equipa, matrizes que se articulam com os actuais vectores que presidem à implementação da autonomia e flexibilidade curricular nas escolas, de que o AE Arouca é um dos pioneiros no país.

Primeiro dia: A ciência começa na escola
"A ciência começa aqui, na escola. Não há cientistas se as crianças e os jovens não forem ‘picados' na escola. O objectivo não é 'fabricar' cientistas mas, com estratégias e projectos estimulantes, despertar e cultivar o gosto pela ciência", salientou, na sessão de abertura, Manuel Brandão Alves, presidente do Círculo Cultura e Democracia, associação que integra ilustres personalidades arouquenses da cultura científica e humanística. A visão e a missão da escola e dos professores, a interacção entre alunos e entre estes e outros investigadores, a relação com a comunidade e a edificação de valências para o desenvolvimento do território arouquense formaram outras dimensões complementares proferidas, na sessão inicial, por Adília Cruz (directora do AE Arouca), Vítor Venceslau (director do AE Escariz), Margarida Belém (presidente da Câmara Municipal de Arouca) e José Rosa (director do Centro de Formação de Associação de Escolas de Arouca, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis).

Cidadania e Ciência de mãos dadas
Filipe Ressurreição, professor e investigador em Biologia e dinamizador da Oficina de Ciência no AE Arouca, e Raquel Seruca, especialista em oncobiologia e vice-presidente do IPATIMUP, foram os moderadores do primeiro painel dedicado ao papel da ciência na promoção da cidadania. Porque a ciência não se confina aos laboratórios nem a cientistas fechados na sua "concha". Ciência também é sinónimo de aproximação aos cidadãos, lugar de interacções sociais e de valores, modo de formação e de aprendizagens integradoras capazes de realizar melhores cidadãos, mais informados e interventivos. A vez começou por ser dada aos alunos, na voz da aluna Maria Inês Azevedo, e das associações de estudantes, representadas por Ricardo Martins (AE Arouca) e Júlio Miguel Silva (AE Escariz). Rosalia Vargas, presidente da Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica - finalizou o painel e a sessão matinal, abordando a sua experiência de mais de vinte anos de impacto positivo (científico, social e humanístico) dos projectos "Ciência Viva" nas novas gerações de alunos. "Se eu mandasse, gostaria de ter estudado numa escola como esta, gostaria de ter as oportunidades que eu não tive", referiu.

«Não somos só o que comemos»
A tarde do primeiro dia de trabalhos abriu com a divulgação da "Ascário TV", projecto inovador de televisão escolar em curso no AE Escariz, modelo pedagógico que foi apresentado por António Bastos.
A consciência, a saúde e a inovação alimentar estiveram em destaque no painel seguinte moderado por Jorge Gonçalves, natural de Moldes e Professor Catedrático de Farmacologia da U. Porto, e Eva Brandão, médica arouquense, especialista em Neurologia. À mesa vieram três trabalhos escolares interdisciplinares, todos do AE Arouca, que em nome da saúde aproveitaram recursos locais saudáveis e recomendáveis. Ervas aromáticas como substitutas do (basta de) sal, ideia de alunos do 6º ano de escolaridade (docentes Paula Rosário e Clara Brandão), um novo biscoito - os trilobiscos - cem por cento natural criado por alunos do 7º ano envolvidos na flexibilidade curricular no ano anterior (docente Sílvia Jesus), o mesmo acontecendo a uma cerveja artesanal em que a batata, o milho e a abóbora foram originalidades pensadas por alunos do 10º ano do curso profissional de Controlo de Qualidade Alimentar (docente Marília Garcia). Manuel Sobrinho Simões, Professor Emérito da Faculdade de Medicina da U. Porto e fundador do IPATIMUP levou o assunto mais longe, contrastando a tese de um Popeye consumidor de espinafres ("eu sou o que como") com a revelada por uma reflexão sobre a ‘evolução' da natureza humana em que o biológico e o social se cruzam ("não somos só o que comemos"). "Não basta comer alimentos, proteínas; há que 'comer' também muita educação, muita relação e muita aprendizagem", terminando a intervenção com a ilustração de uma "ética do cuidado" ou dos 3C's: curar, controlar e cuidar.

Ciência e tecnologia no apoio à inclusão
Sob a moderação de Sérgio Postilhão, docente de disciplinas de formação tecnológica no AE Arouca, e Sónia Gomes, ex-aluna da ESA e especialista em software de apoio às empresas, decorreu o último painel do dia, em que as questões da inclusão escolar e social estiveram em destaque. Mais uma vez alunos e professores exemplificaram. Primeiro, "Saferiders", um protótipo de sinalização para ciclistas utentes da via pública, aparelho produzido pelo curso profissional de Electrónica e Telecomunicações do AE Arouca (docente José Marques); depois, um clube de robótica, coordenado pela docente Carla Padrão, do AE Escariz, servindo o ensino inclusivo de alunos com medidas educativas especiais; por fim, a exemplificação da fecundidade do projecto IPRO de desenvolvimento da literacia digital e computacional nas crianças do 1º ciclo do ensino básico do AE Arouca (docente Isabel Gonçalves). Coube a António Vilar, ex-docente da ESA e vice-presidente da AICIA, instituição arouquense com 30 anos no apoio à pessoa portadora de deficiência, abordar o papel crucial da instituição na protecção e cuidado aos portadores de deficiência no concelho bem como alguns reparos a factores indutores de exclusão, entre os quais predominam questões de acessibilidade. "Nenhuma pessoa em cadeira de rodas será capaz de subir as múltiplas e sucessivas rampas de acesso à escola secundária", exemplificou. João Sanches, do Instituto de Sistemas e Robótica e investigador em Bioengenharia encerrou o primeiro dia de trabalhos com uma reflexão sobre as relações entre ciência, cidadania e sociedade. "Não vacinar crianças não é boa atitude", alertou. 2018-12-21 Manuel Sousa
 
Arouca

Segunda, 23 de Setembro de 2019

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