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“É a obra mais importante e emblemática da freguesia”
 
Centro Social Santa Cristina de Mansores vem crescendo no número de utentes
 
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A frase que serve como citação de destaque é da autoria de Ventura Leite, director do Centro Social Santa Cristina de Mansores. Ele bem sabe o que custou fazer do centro social uma realidade e conta-o em primeira mão. RODA VIVA esteve no interior da instituição e conheceu-a mais profundamente, ou seja: o seu passado, o presente e o futuro.

RODA VIVA - Que história escondem as paredes desta instituição?
Ventura Leite - Para mim a obra mais importante e emblemática da freguesia é sem dúvida este centro social, foi necessário perto de um milhão de euros para o construir, quer pela importância social. Esta obra está a apoiar os mais vulneráveis, as crianças e idosos, mas foi um longo caminho com várias dificuldades e peripécias. O Centro Social Santa Cristina de Mansores foi registado em 2001, mas nunca havia saído do papel até que em 2010 a Junta, que na altura eu presidia, assumiu a direcção do centro social a ver se conseguíamos arrancar com a obra. Primeiro começámos pelo terreno, encetando diligências para que as proprietárias, senhoras professoras Emília e Maria, do lugar da Estrada, nos vendessem o terreno. Contudo, as mesmas acabaram por o ceder gratuitamente, o que agradecemos mais uma vez. E avançámos com o projecto para a segunda fase da candidatura do PARES (Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais), que estava aberta. Fizemos o concurso e foi indeferido por falta de um documento que era uma autorização da Assembleia Municipal a ratificar que o projeto era de interesse público, mas isso nunca havia sido do nosso conhecimento. Ficámos com o projecto em mãos e apareceu, através do ON.2 (Programa Operacional Regional do Norte), a candidatura para a creche, que foi deferida, mas era no primeiro andar e tínhamos seis meses para iniciar a obra, o que era pouco tempo e não tínhamos dinheiro para toda a empreitada. Então a restante obra fizemo-la com uma candidatura através da ADRIMAG (Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras do Montemuro, Arada e Gralheira). Tivemos 225.000 euros da ON.2 e outro tanto da ADRIMAG, mas como o valor total era próximo de um milhão de euros...

Ainda faltava mais de metade...
Exactamente! Por lei, o município comparticiparia 25 por cento, o que era cerca de 150.000 euros, mas, mesmo assim, faltavam 400 mil, mas eu sempre insisti para irmos em frente e houve um peditório pela freguesia que rendeu cerca de 80 mil euros. Na Junta também tentámos tudo o que podíamos e uma
grande ajuda acabou por vir de emigrantes nativos de Mansores que se encontram no Brasil, fazendo com que conseguíssemos arranjar 140 mil euros, portanto quero deixar uma palavra de agradecimento a eles. As obras começaram efectivamente em 2012 e terminaram em Julho de 2013, pelo que a inauguração foi mesmo nesse mês, sem dever um cêntimo ao empreiteiro. Todavia não tínhamos acordos com a Segurança Social, mas com ajuda do presidente da câmara, Artur Neves, e do presidente da ADRIMAG, conseguimos que nos fossem concedidos em Dezembro de 2013. Foram acordados 16 utentes para a Creche e 15 para o Serviço de Apoio Domiciliário. E posteriormente, em 2015, foram acordados dez utentes para o Centro de Dia. Abrimos no início de 2014 com a creche só com seis crianças e só com três utentes no Serviço de Apoio Domiciliário, mas tínhamos de começar por qualquer lado. Estamos já com a capacidade humana que os acordos que celebramos nos permitem e temos funcionárias muito boas, que vestem a camisola. Por outro lado, temos tido uma gestão equilibrada, o que em conjunto permite que a instituição esteja com uma boa imagem. Através do CLAS (Conselho Local de Acção Social), ficou definido que a nossa área de actuação serão as freguesias de Mansores, Tropeço e Chave, tendo uma boa parceria com o Centro Social de Chave.

Porque na altura não se avançou com lar de idosos?
Não foi opção. O nosso pensamento foi o de não retirar as pessoas das suas casas e dos seus meios familiares e assim poderia ser mais fácil as pessoas aceitarem vir, mas a experiência acabou por não nos dizer bem isso. Casos houve de utentes que só aceitavam a integração se se tratasse de lar... Hoje, se calhar, faríamos diferente. Contudo, no futuro próximo, creio que não será muito viável avançar para o lar de idosos. Temos, primeiro, de consolidar bem as valências de que dispomos. Quem sabe se, no futuro, com outras direcções, não se tomará tal decisão. A creche para nós foi até uma agradável surpresa. A
taxa de natalidade não é muita e estávamos com receio de não funcionar em pleno, mas chegámos às 22 crianças no ano passado! Também promovemos encontros intergeracionais ao longo do ano como é o caso das diversas festas que fazemos ou passeios, como por exemplo, nesta altura festiva do carnaval.

Como é visto o centro social pela comunidade de Mansores e a quem quer deixar uma palavra especial depois de todo este trajecto?
Desde logo houve e há excelente relacionamento com as forças vivas e os cidadãos de Mansores. No início, as pessoas estavam muito desconfiadas de que a obra pudesse avançar, mas hoje já vêem a instituição com bons olhos e é uma mais-valia para a freguesia. Repare que temos 18 crianças na creche, quando temos capacidade para 32, 10 utentes no centro social com capacidade para 20 e 14 no serviço de apoio domiciliário com capacidade para 30, pelo que já tivemos que solicitar o aumento do acordo com a Creche. Gostaria de deixar uma palavra de agradecimento à Câmara Municipal, na pessoa sobretudo do ex-presidente, Artur Neves, que introduziu um apoio fantástico às IPSS do concelho e está de parabéns! Felicito também a actual presidente que foi uma excelente vereadora e com certeza não vai descurar as instituições. Ao nosso presidente de Junta, Jorge Oliveira, muito obrigado pela pessoa sensível que é a estas causas, muito próximo das pessoas, disponível e não tenho dúvidas que realizará um mandato bem sucedido. A todos que me acompanharam, sobretudo os que já fizeram e os que fazem agora parte de direcções onde estive, também agradeço.

Podemos contar consigo à frente dos destinos da instituição muitos e bons anos ou teme que futuramente ninguém queira tomar as rédeas?
Esse é o grande problema. Há três anos também gostaria de ter saído da instituição porque já foram muitos anos e é desgastante. Em Dezembro termina o meu mandato e terei todo o gosto de ceder o lugar a uma lista que queira assumir a direcção, o mais difícil está feito, o centro social é estável. Na direcção ninguém ganha um cêntimo, é tudo por amor à camisola, portanto ninguém está agarrado ao poder. Nas
próximas eleições espero que apareçam novas caras, novas pessoas, gente jovem, que não deixe isto cair no vazio, pelo que seria importante que houvesse algum dirigente.

Foi notícia há dias um escândalo que envolveu uma instituição de solidariedade. Crê que estes casos descredibilizam todas as outras associações ou instituições que operam com fins solidários?
Esses casos deixam-me até muito triste, mas atrevo-me a dizer que 99,9% das milhares de instituições de solidariedade do nosso país são governadas por pessoas seríssimas, voluntárias e que trabalham para o bem dos outros. A comunicação social tem influência nas pessoas e elas tendem a generalizar e a desmotivar, mas esses escândalos não passam de casos esporádicos.

"A creche tem sido uma agradável surpresa"

A directora técnica do Centro Social Santa Cristina de Mansores, natural da própria freguesia, fala de dificuldades sentidas. «A função que tenho encaro-a como um desafio. Temos algumas dificuldades, sobretudo na resposta social do Centro de Dia uma vez que a mentalidade dos idosos desta região é bastante fechada. Consideram que só podem vir para aqui quando já não podem, mas esta resposta até acaba por ser destinada a pessoas mais autónomas, tendo como objectivo ajudá-las a passar melhor o seu tempo, tendo ao seu dispôr um acompanhamento que vai de encontro às suas necessidades. «A maior dificuldade é então chegarmos a essa mentalidade a que faço referência», afirmou. Por outro lado, Andreia frisa o que considera ter sido uma "surpresa": «A creche tem sido uma agradável surpresa, pois tem crescido muito nos últimos anos, enquanto no serviço de apoio domiciliário o número de utentes já um pouco inconstante devido à situação de saúde débil de alguns deles, contudo, também tem sido uma resposta social que tem crescido ao longo deste período». Quanto à percepção exterior das pessoas à instituição, Andreia considera que a aceitação tem sido boa. "As pessoas não referem muito o facto de não termo lar até porque o SAD (serviço de apoio ao domicílio), nos seus quatro pontos essenciais, higiene pessoal, habitacional, refeições e tratamento de roupa, tem conseguido responder a essas necessidades, mas, como é óbvio, existem aqueles que têm mais dificuldades sobretudo por não disporem de retaguarda familiar", referiu, fazendo alusão de igual forma às "várias actividades intergeracionais" que se praticam no centro social.

"É toda uma família aqui dentro"

António Silva, natural da vizinha freguesia de Chave, está há três anos no Centro e não podia estar mais satisfeito. «É toda uma família aqui dentro. Tenho sete filhos e há três anos vim para aqui porque a minha esposa tinha falecido e eu estava sozinho, pelo que me aconselharam a vir para cá também na sequência de uma doença complicada que tive. Se Deus permitir, não quero mais sair daqui!». Aos 91 anos, é António quem anima a malta na instituição, até porque ele mesmo garante: «De manhã a primeira coisa que faço é abrir as portas todas e, quando é para ir embora, sou eu que as fecho. Estou sempre a ajudar!». 2018-03-03 Ruben Tavares

 
Arouca

Sexta, 16 de Novembro de 2018

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Que balanço faz do trabalho da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia no mandato que está prestes a finalizar?
 
 
A Frase...

"A Cooperativa de Arouca é importante para a região na venda de produtos e na defesa dos agricultores"

Alberto Cabral, agricultor, em declarações ao RV

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