PAULO MILER
 
Portugal, que futuro?
 
OPINIÃO | São inúmeros os dados que mostram uma outra realidade
 
"Nearer, my god, to thee". Para quem desconhece, trata-se do nome da última música tocada por uma miniorquestra, improvisada a bordo do notável navio "Titanic", prestes a naufragar, numa épica cena imortalizada pelo filme que bateu recordes de bilheteira em todo o mundo. O momento despoletou inúmeras reações, procurando cada pessoa estabelecer simbolismos consentâneos com a imagem que o filme transmitia: por um lado, assistimos a quatro músicos que, socorrendo-se dos seus instrumentos, procuravam, enfim, prestar a sua última ode à música que preenchera os seus propósitos e as suas vidas, aliada a sentimentos de impotência e inevitabilidade que envolviam o momento em que o navio naufragava, numa clara materialização do carpe diem; por outro, podemos depreender que, nessa mesma cena, o concerto improvisado pelos músicos, naquele momento crítico e de aflição, onde cada um procurava assegurar um salva-vidas para poder sobreviver, podia representar um cenário de indiferença e falência moral, mesmo de displicência, dado que existiam ainda relativas possibilidades de sobreviver. Porém, optaram por continuar a "dar música". Uma imagem um pouco semelhante à do Imperador Romano Nero que, segundo os relatos, assistia ao Grande Incêndio de Roma enquanto tocava lira.
É precisamente este o espelho da situação política atual em que nos encontramos: Portugal, embora apresente alguns indicadores que, à primeira vista, nos possam parecer apelativos e apetecíveis, possui problemas estruturais perenes que carecem de urgente resolução e cujos efeitos se manifestarão, não no imediato, mas a médio/longo prazo, com mais que previsível impacto semelhante ao que nos aconteceu no ano de 2011.
A miniorquestra que tocava enquanto se dava o naufrágio do "Titanic" é, em solo nacional, composta por António, Jerónimo, Catarina e Mário. E o que é que esta banda nos proporcionou até agora, para além do tão proclamado e quase vociferado défice de 2,1%? Um dececionante crescimento de 1,4% no ano de 2016, quando o (agora) defunto Programa Macroeconómico do PS apontava para um crescimento de 2,4% e, veja-se, de 3,1% em 2017; uma dívida pública insustentável, que teima em crescer e que já atingiu 130% da riqueza gerada pelo nosso país; um regresso à anterior política vincada e focada no consumo privado dos portugueses como motor de desenvolvimento da economia portuguesa que, como foi visível, fracassou, sem que do nosso Governo houvesse humildade para admitir esse facto; a devolução de rendimentos aos portugueses e subsequente usurpação dos mesmos através de recatados impostos indiretos; a queda no investimento; as reversões das privatizações de serviços que levaram à degradação dos mesmos e ao aumento do custo de vida dos portugueses.
São inúmeros os dados que mostram uma outra realidade por detrás dos números que vêm sendo exultados na comunicação social mas que o nosso Governo, qual estojo de maquilhagem num salão de beleza, consegue obliterar em função, também, dos novos parceiros que se juntaram recentemente (BE e PCP) e que os acompanham nesse processo de "pinturas". Mesmo que para isso tenham de renegar alguns dos seus ideais clássicos como, mais recentemente, se verificou no caso da aversão aos "Fundos Abutres" que, afinal, até serviram para acolher um Banco quase que de "mão beijada" e com garantias do Estado português. Esperemos, no futuro, quando os indicadores não sejam tão imediatamente fascinantes, que os partidos da extrema-esquerda não façam uma espécie de defesa de Nuremberga no julgamento que os portugueses concerteza lhes farão futuramente.
Friedrich Hayek disse um dia: "Se a longo prazo somos os criadores do nosso destino, no imediato somos escravos das ideias que criamos". As ideias são e serão sempre a arma mais poderosa que podemos usar para mudar qualquer estado de coisas, desde que devidamente sustentadas, dizemos nós.


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Arouca

Quarta, 28 de Junho de 2017

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A Frase...

"O meu partido é e será sempre Arouca"

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