ELÍSIO AZEVEDO
 
Ainda as eleições autárquicas
 
OPINIÃO | Arouca continuará a ser um concelho de emigrantes e reformados
 
Desta vez não haverá geringonça.
Numa tentativa falhada de transformar antecipadamente a possível vitória de Rui Moreira nas eleições para a Câmara Municipal do Porto com o apoio do PS como vitória do seu partido, a secretária-geral adjunta dos socialistas não se conteve, declarando ao Observador a evidência de que, "...
na noite eleitoral, todas as vitórias dos candidatos do PS e das listas que o PS integra serão vitórias do PS".
Quase dois anos depois de ter conseguido transformar a derrota nas legislativas numa vitória, o partido de António Costa assumiu agora e antecipadamente a eventual e previsível vitória do candidato independente à Câmara Municipal do Porto como mais uma vitória sua - só que Rui Moreira e o Movimento que o apoia repudiaram a tentativa, dispensando liminarmente o seu apoio, o que até pode prejudicar a sua candidatura e beneficiar a candidatura do PSD.
Perante a insólita situação assim criada, o PS indigitou rapidamente candidato próprio, tendo a escolha recaído no actual Vereador, Manuel Pizarro.
Desta vez não foi possível fazer da vitória alheia vitória sua, numa frustre tentativa de desvalorizar o mérito de quem previsivelmente a vai conseguir.
A menos de cinco meses das eleições de Outubro, este episódio, pela relevância que assume no actual contexto e o resultado das eleições assumem no segundo mais importante concelho e cidade do país, revela, de forma evidente, muito do que se passa e se joga nos bastidores da política.
Dele sai reforçada a independência de Rui Moreira e o Movimento que o apoia, enfraquecida a candidatura de Manuel Pizarro e do próprio PS, que tornará ainda mais pesada a sua eventual derrota.
Este episódio, pela importância da autarquia e pelo que revela dos bastidores da política, merece o destaque que a comunicação social lhe concedeu e uma reflexão profunda dos eleitores, a quem cabe em última instância decidir.
Se no caso das últimas eleições legislativas a geringonça funcionou e muitas outras geringonças resultam, neste caso concreto a geringonça desgeringouçou-se ainda antes de ser concretizada.
As eleições, sejam elas autárquicas ou legislativas, devem ser limpas e transparentes - os candidatos conhecidos, as suas ligações partidárias assumidas, os seus programas respeitados, as suas eventuais coligações anunciadas.
Ao contrário do que acontece nas eleições legislativas, que são muito mais partidarizadas e em que a maioria dos eleitores vota em candidatos que não conhece nem nunca viu, nas eleições autárquicas os eleitores esquecem, muitas vezes, as simpatias partidárias para votar no seu vizinho, no seu amigo, no seu conhecido, no seu conterrâneo, muitas vezes até no seu familiar, que também ele vive e conhece profundamente os problemas do seu concelho e da sua freguesia e a quem é muito mais difícil depois negar o que disse ou não cumprir o que prometeu.
Arouca tem muitos e graves problemas para resolver e ultrapassar e sem a solução dos quais e apesar de algumas iniciativas e investimentos notáveis e reconhecidos continuará a ser um concelho de emigrantes e reformados.
Aos jovens que hoje frequentam as suas escolas ou completam a sua formação superior em universidades e institutos só resta deixar a terra onde nasceram em busca do futuro com que sonharam.
Vencer tamanhos desafios e obstáculos exige muita determinação e objectivos claros, capazes de mobilizar vontades e recursos, criando condições atractivas ao investimento, sem o qual é impossível fixar a população mais jovem e preparada e contrariar a desertificação e o envelhecimento.
O desafio que aguarda os futuros autarcas e a esperança que neles depositam os eleitores exige de todos um enorme esforço, mas "crendo é que se vence e querendo é que se consegue".


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Arouca

Quarta, 28 de Junho de 2017

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INQUÉRITO
Qual a área da governação autárquica que deveria ser reforçada no próximo mandato (2017/2021)?
 
 
A Frase...

"O meu partido é e será sempre Arouca"

Fernando Mendes, durante a cerimónia de formalização da coligação entre o PSD e o CDS-PP

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