LUIS ALEXANDRE
 
Turismo e desporto aventura
 
OPINIÃO | Questionaram sobre o porquê de tantos eucaliptos | TEXTO COM MAIS DE 700 VISUALIZAÇÕES
 
Durante os últimos dias, passei algum tempo nas margens do Rio Paiva, Paivô e Tâmega. O motivo, para além do gosto pessoal que tenho pela natureza e pelo desporto aventura, deveu-se principalmente ao acompanhamento logístico que prestei a dois grupos estrangeiros, provenientes da Suíça, única e exclusivamente para praticar Kayak. Esta modalidade consiste em enfrentar as águas bravas de um rio
com uma pequena embarcação em plástico, uma pagaia (remo), um colete de flutuação e um capacete (é o material básico e obrigatório para a prática da modalidade). Depois, consoante o nível de experiência do canoísta, este poderá aventurar-se nos rápidos de águas bravas, que se classificam por níveis de dificuldade que vão de 1 a 5.
Além do muito que aprendi sobre os rios, sobre as correntes e sobre a modalidade, pude também reforçar a ideia que tenho sobre as "receitas" do turismo, sobretudo estas dos desportos de rio, que se desenvolvem no inverno durante a época "baixa" do turismo. Só em Arouca, as necessidades foram de tal ordem que passaram pela mecânica, mercados locais, hotelaria, restauração, serviços de compra e substituição de pneus, combustíveis, papelaria... enfim, comprova-se realmente que o turismo não
atinge apenas a restauração, animação turística e hotelaria, como por aí se pensa, mas também um conjunto de vários outros agentes locais prestadores de serviço. Todas estas despesas, durante estes dias, deverão ser multiplicadas por quatro, sendo este o número de grupos organizados que andaram pelo rio, com cerca de oito pessoas cada grupo, tirando as descidas de rafting e os desportistas liberais que por cá também andavam diariamente em diversão própria, maioritariamente estrangeiros: polacos, austríacos, franceses e espanhóis.
Ao acompanhar os grupos diariamente, e com relativa proximidade, tive oportunidade de tirar algumas notas e perceber que, enquanto território, nos destacamos em algo: No acolhimento e na receção a quem nos visita. Não pela simpatia dos arouquenses (que me parece uma característica bastante portuguesa), mas sim pela valorização do "turista" e da qualidade do serviço prestado aos mais ínfimos pormenores, como por exemplo o simples facto de haver "Menus" de restauração com tradução Português - Inglês, inexistentes em outros sítios por onde parámos, já fora do concelho. O excelente e ativo movimento da nossa Vila, diurno e noturno, vale-nos também alguns pontos a favor, quer pela qualidade e diversidade dos serviços oferecidos quer pelos horários que praticam.
Todavia, paralelamente a estes reparos, registaram-se também algumas notas menos favoráveis a Arouca, nomeadamente a inexistência de informações sobre o funcionamento das estruturas de apoio aos desportos de rio (Areinho e Espiunca) que, a não ser que estejam bastante escondidas, são inexistentes; a biodiversidade das nossas florestas, ainda que ardidas, várias vezes os canoístas estrangeiros questionaram sobre o porquê de tantos eucaliptos, associando-os de imediato à celulose, mas merecendo, ainda assim, um reparo negativo, não de crítica mas sim de melancolia.
Outro reparo, com o qual fiquei realmente surpreso, foi a falta de diversidade de pescado nas ementas locais. Sendo por nossa tradição bastante comum os pratos de carne, torna-se difícil encaixar tanta carne em duas refeições diárias, durante sete dias seguidos na ementa de alguém que tem por hábito o consumo assíduo de Peixe - não sendo o meu caso, daí a estranheza, mas sim o dos visitantes de fora.
De resto, o Paiva ou a Paiva, "como também lhe chamam", encerra várias riquezas, sendo a paisagística aquela que melhor se destaca. Quem desce o nosso rio fica sempre impressionado. Desta forma, o Paiva afirma-se como uma fonte de riqueza a vários níveis, constituindo os desportos de Águas Bravas um grande potencial para o turismo do Arouca Geopark, principalmente de inverno, e pode ainda vir a ser bastante melhorado. Ainda sobre a relevância da modalidade, no final deste mês de Março, julgo estar previsto um curso de iniciação ao Kayak, aqui no Paiva, promovido pelo Clube de Canoagem e de Águas Bravas de Portugal, e também, nofinal do mês de Abril, um dos maiores encontros e festivais nacionais de canoístas, em Alvarenga, conhecido como "Paiva Fest" - Rio todo o dia e festa toda a noite! Estes eventos estão abertos a todos, arouquenses e visitantes.

(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2017.03.16)



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Arouca

Sexta, 26 de Maio de 2017

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